Mulher relata que foi abusada por João de Deus cerca de 20 vezes
- 24 Dez 2018
- 08:02h

Foto: Reprodução/TV Globo
Uma mulher relatou que foi abusada por João de Deus entre 2009 e 2010 cerca de 20 vezes durante atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás. Ela contou sobre os abusos em entrevista exclusiva ao Fantástico e mostrou os registros que fez na época em um diário. O médium está preso suspeito de abusar de mulheres que procuravam tratamento espiritual. Ele nega as acusações.A mulher contou que ficou deprimida e chegou a pensar em suicídio na época em que foi abusada pelo médium. “Eu pensava: gente, não é possível que isso não vai ter fim”, disse. A vítima relatou que tinha 20 anos na época dos abusos e mantinha um diário – único espaço em que se sentia confortável para falar sobre o que passou. Em um dos registos, ela escreveu: “A vez que ele foi mais longe”. “Ele ficava com o pênis dele passando no meu ventre. Colocava no meio das minhas nádegas”, disse.Outro trecho do caderno mostra quando ela registrou uma ordem do médium, pedindo que ela prometesse que não iria perder peso. Em um terceiro momento, ela contou que ele havia prometido pagar pela formatura dela. A vítima disse ainda que chegou a reclamar para o próprio João de Deus, se mostrando desconfortável com a situação. “Eu reclamei: cara, você está me deixando doente. Eu estou ficando cada vez pior. Mas ele: ‘Não. Você é forte’”, contou. O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) informou que o diário dela, cartas e passagens entregues por outras mulheres servem como documentos e farão parte das denúncias. A engenheira Gleice Lima, brasileira que mora em Chicago, nos Estados Unidos da América (EUA), contou que já esteve em Abadiânia para passar por tratamento espiritual com João de Deus. Na época, ela tinha recebido diagnóstico de leucemia que, mais tarde, descobriu que estava errado. A mulher contou que, na época, o médium disse que ela estava muito mal e, por isso, precisaria ficar em Abadiânia. Ela disse que, ainda no hotel onde ela estava hospiedada, João de Deus a forçou a fazer sexo oral nele, mas ela cuspiu no médium. A partir de então, ela disse que começou a ser ameaçada. "Ele falou: 'você fica quieta, menina. A partir de hoje você não vai falar nada, você não vai embora. Se você falar para alguém, alguma coisa muito ruim vai acontecer com o seu filho'. Eu sabia que se ele quisesse me ver definhar e ele fizesse alguma coisa para mim, eu tinha certeza que ia acontecer", contou. Ainda em Abadiânia, mesmo em meio ao medo, Gleice disse que conheceu um lituano deficiente auditivo que também procurava cura pelas mãos de João de Deus. Eles se apaixonaram, foram morar juntos e tiveram um filho. Segundo Gleice, durante o tempo que ficou lá, o médium pedia que ela se aproximasse dele, se oferecendo para desenvolver a mediunidade dela, se tornando membro do grupo de assistentes pessoais dele. Ela contou que ficou dois anos lá e observou o médium de perto. "Uma vez eu vi ele escondendo uma arma em um dos sofás no escritório dele. [...] Ele participava de garmpos de ouro no Pará, garimpos de esmeralda, isso em áreas indígenas e coisas do tipo", relatou.
