'Cada bloco que colocar a gente mete o pé e derruba', afirmam manifestantes contra o Conjunto Penal

  • Daniel Simurro | Brumado Urgente
  • 22 Jun 2014
  • 11:18h

Os manifestantes exibiram cartaz dizendo que foram apunhalados pelas costas (Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Quem imaginou que o impasse e os protestos relativos ao Conjunto de Penal de Brumado tinham terminado com a votação do projeto que definiu o local da construção, se enganou, porque uma nova onda de manifestações se iniciou na manhã deste domingo (22), onde líderes das associações de moradores das comunidades dos Pebas, Passagem, Pompeia, Furtuoso, acompanhados de representantes dos bairros Malhada Branca e São Félix, se reuniram na margem da BA-262, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Estadual para iniciar os uma série de protestos contra a construção da unidade prisional, que ficará localizada cerca de 3 km das referidas localidades. O Brumado Urgente esteve presente à manifestação e falou com uma das líderes do movimento, a presidente da Associação dos Pebas, Marizete Pécora, que, muito exaltada afirmou que “não podemos aceitar que um projeto aprovado na calada da noite venha assim goela abaixo, sem nenhuma discussão. Fomos pegos de mãos atadas, pois ninguém veio aqui nos consultar, por isso vamos endurecer, hoje é só o início dos protestos, pois vamos queimar pneus, vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para que esse presídio não seja construído aqui do nosso lado”.

 

A presidente da Associação dos Pebas, Marizete Pécora, garantiu que os protestos irão continuar e as manifestações devem endurecer ainda mais, inclusive com queima de pneus (Foto: Laercio de Morais | Brumado Urgente)

 

Ela continuou a sua argumentação citando que “as comunidades da Lagoa Funda e da Vila Presidente Vargas protestaram e conseguiram mudar o projeto, então, porque nós temos que aceitar. Por isso eu digo e afirmo que é uma grande injustiça que estão fazendo com a gente, são milhares de pessoas que serão prejudicadas, principalmente idosos e crianças, que são em grande número em nossas comunidades”. Questionada sobre os motivos do protesto e da não aceitação à construção, ela subiu o tom e afirmou que “todos sabem que o presídio é um vizinho indesejado, porque numa fuga, a rota dos bandidos será o mato, ou seja, as comunidades estarão bem no caminho, então as nossas residências poderão ser invadidas e as famílias feitas de reféns. Outra coisa, todos sabem que os visitantes de uma carceragem deste naipe são perigosos, pois foi assim em todas as cidades que receberam presídio, a vida das pessoas acabou se tornando um inferno, como aconteceu em Jequié e em Vitória da Conquista. Se os vereadores e os políticos afirmam que o projeto é bom e querem o presídio porque não colocam na rua do clube social?”. E concluiu falando em nome do grupo declarando que “podem ter certeza, o bicho vai pegar, porque se o presídio for construído aqui perto de nós, cada bloco que se colocar a gente vai meter o pé e derrubar, porque não podemos ser injustiçados dessa forma, como escória do mundo, como um bando de excomungados, temos os mesmos direitos dos outros e queremos que todos saibam disso”.