Diagnosticada com Alzheimer aos 58 anos, mulher tatua contatos da família no braço
- 17 Set 2017
- 11:07h

Célia tatuou contatos de familiares no braço para caso tenha algum esquecimento na rua (Foto: Reprodução/ TV Bahia)
Convivo com Alzheimer". A frase, seguida de contatos de familiares, foi tatuada pela dona de casa Célia Maria Oliveira, 64 anos, que mora em Salvador, como forma de prevenção, caso ela se perca e não consiga voltar para casa. Capixaba, mas moradora da Bahia há alguns anos, Célia descobriu a doença há 6 anos e teve que reprogramar a vida. Agora, ela faz o esforço diário de aprender coisas novas. O celular tem sido um aliado. "Eu fui uma das primeiras programadoras de computador do Brasil, no Rio de Janeiro. Não tinha computador no Brasil ainda e quando receberam os computadores me chamaram para conhecer. Hoje eu não consigo trabalhar com ele [computador], fazer nada. Então, me apeguei mesmo ao celular", relata. Célia hoje trata a doença com remédios, divididos em comprimidos, injeções e adesivos, que a ajudam a controlar o problema, que não tem cura. Os gastos ultrapassam R$ 900 por mês.
Lembrar palavras, acompanhar uma leitura e até mexer no celular são atividades que já não são mais fáceis para Célia, desde o diagnóstico da doença. A dona de casa já foi secretária-executiva, falava dois idiomas, e operava computadores como ninguém. "[Eu] sempre dava ideias para as pessoas. Se eu saísse no shopping, e você me perguntava, eu sabia o que tinha nas lojas. Depois fui perdendo tudo isso. Aí foi ficando mais difícil", relata. Nas paredes do quarto, a dona de casa dá um jeito de colocar referências das coisas que gosta e também do que precisa, como os remédios. Ela conta que o apoio da família e dos amigos é fundamental. A filha dela, a estudante Luiza Oliveira, contou como convive com o problema da mãe. "Meu maior medo era que isso acontecesse um dia, que um dos meus pais tivesse alguma doença e que ela não tivesse cura. Desde que eu soube, eu tento não pensar muito no amanhã, mas no hoje. A gente aproveita. A gente dá risada, eu saio com ela. Tem que aproveitar." Para estimular a memória e o raciocínio, Célia ganhou uma agenda onde responde uma pergunta por dia, como quem são as pessoas mais importantes da vida dela. Isso nem o Alzheimer faz ela esquecer. "Primeiro meus filhos, minha família toda, meus irmãos, que são maravilhosos e amigos. [Sem eles] seria praticamente impossível. Eu acho que eu estaria embaixo da cama contando as poeirinhas passando, porque não teria um porquê de estar lutando”, afirma a dona de casa.
