Terceirizados protestam trancando escolas estaduais e impedindo aulas

  • porKelly Cerqueira / TB
  • 09 Abr 2014
  • 07:30h

Com salários e benefícios como auxílio transporte e alimentação atrasados, funcionários terceirizados de escolas públicas estaduais paralisaram as atividades nesta terça-feira (8), o que impediu a execução das aulas em pelo menos três instituições de ensino em Salvador. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública do Estado da Bahia (Sindilimp), cerca de 30 mil alunos ficaram sem aulas em todo o estado por conta da paralisação. Em Salvador, a paralisação atingiu a Universidade do Estado da Bahia, as escolas estaduais Landulfo Alves, Hamilton de Jesus Lopes, Anísio Teixeira, Rotary e o Colégio Central.Já no interior, o diretor do Sindilimp, Edson Conceição Araujo, afirma que o movimento também teve adesão nas cidades de Juazeiro, Itabuna, Conquista, Alagoinhas, Catu e Pojuca. Para esta quarta-feira, novas manifestações estão previstas nas mesmas instituições e devem ter a adesão dos profissionais terceirizados das escolas modelo espalhados em todo o estado. “Das 129 empresas terceirizadas que prestam serviço ao estado, pelo menos, 30 estão em atraso com os pagamentos”, afirmou o sindicalista.  Na manhã de ontem, representantes do Sindilimp impediram a entrada dos terceirizados colocando correntes nos portões, mas, de acordo com a administração das escolas onde ocorreram os protestos, alunos e professores também foram barrados, o que atrapalhou o andamento das aulas. No Colégio Central, um funcionário terceirizado utilizou uma marreta para quebrar os cadeados que impediam a entrada dos alunos, no entanto, mais de 50% das turmas ficaram sem aulas. Em algumas escolas a manifestação dos terceirizados contou com o apoio de parte dos alunos, que seguraram cartazes em frente à instituição, ocupando duas faixas do trânsito. “Não é justo que as tias trabalhem ser receber o salário. Pra copa o estado tem dinheiro”, bradou a estudante Susiane Barbosa. Ainda de acordo com o Sindilimp, dentre as empresas inadimplentes estão a Delta, MAP, Aliança, Assemp, Monkal, HD, Chave Forte. Alguma delas chegam a estar em atraso há mais de dois meses. Um dos casos mais graves é o da funcionária do Serviço de Atendimento da Educação (SAC/Edu) do Comércio Cátia de Almeida. Ela diz ter cumprido quatro meses de licença maternidade sem receber os benefícios e afirma ainda já completar um mês de trabalho pela Assemp, também sem receber. “Mesmo estando trabalhando, estou sobrevivendo com o dinheiro da pensão alimentícia”, desabafou. Situação parecida foi denunciada por uma dupla de auxiliares de limpeza do Landulfo Alves, que preferiu não se identificar. “A gente trabalha para a Delta. Temos quase dois meses sem receber. No final das contas, estamos pagando para trabalhar”, afirmaram. Elas também acusaram a empresa de pagar o 13º salário do ano passado atrasado.