Mensagem da educadora Maria José Meirelles pela perda de Charles Muller

  • Maria José Meirelles
  • 08 Abr 2014
  • 18:35h

A educadora conhecida como Tia Zé não escondeu a sua dor pela morte do estudante brumadense (Foto: Daniel Simurro / Brumado Urgente)

Charles Partiu. Mudou-se para o espaço de cima que naturalmente é mais acolhedor. Não posso queixar que ele partiu sem se despedir DE MIM; não. NA SEMANA QUE ANTECEDEU SUA PARTIDA, minha neta Aniê, foi portadora de um beijo que ele mandou pra mim. Ela passou momentos de alegria junto a Charles e trouxe-me informações de sua pureza, sua amizade, seu bom humor, sua educação. Conversamos um pouco sobre ele e seu sorriso inocente veio à minha lembrança tão vivo, tão real, tão presente, dando origem a uma cascata de recordações que se fizeram presentes em minha mente, em meu coração. Aquele sorriso me perseguia, eu o encontrava na festinha da páscoa, ou no papai Noel; eu o via de chapéu de palha, vestido de caipira, dançando forró, ou na gincana correndo atrás das tarefas com muito entusiasmo, ou ainda na finalização de seu curso médio na ESCOLINHA e sua grande vitória final, aprovação no vestibular da Federal!

 

 

Charles Partiu. Mudou-se para o espaço de cima que naturalmente é mais acolhedor. Não posso queixar que ele partiu sem se despedir DE MIM; não. NA SEMANA QUE ANTECEDEU SUA PARTIDA, minha neta Aniê, foi portadora de um beijo que ele mandou pra mim. Ela passou momentos de alegria junto a Charles e trouxe-me informações de sua pureza, sua amizade, seu bom humor, sua educação. Conversamos um pouco sobre ele e seu sorriso inocente veio à minha lembrança tão vivo, tão real, tão presente, dando origem a uma cascata de recordações que se fizeram presentes em minha mente, em meu coração. Aquele sorriso me perseguia, eu o encontrava na festinha da páscoa, ou no papai Noel; eu o via de chapéu de palha, vestido de caipira, dançando forró, ou na gincana correndo atrás das tarefas com muito entusiasmo, ou ainda na finalização de seu curso médio na ESCOLINHA e sua grande vitória final, aprovação no vestibular da Federal!

 

E comentávamos juntas, eu e Aniê, minha neta: Ele é tão lindo! Tão legal! E uma sensação de que ainda existem pessoas boas no mundo nos invadiu.

 

Chegou a outra semana, eu convalescendo de um problema de saúde, encontro minha netinha Aniê entregue à tristeza. Encarregou sua mãe de me informar do triste acontecimento. Palavras foram escolhidas , tom de voz ameno, e um olhar de compaixão de antemão, me apontavam que a noticia teria uma gravidade. Paralisada, estarrecida escutei o triste fato e me veio a pergunta: por que tanta violência com alguém que só viveu na paz?

 

Sensação de total impotência! E a voz de Aniê, minha netinha, ecoando em meus ouvidos; “minha Vó, precisamos de fazer alguma coisa!”

 

Eu sei, mas não sei o que. Questionamentos mil invadem meu ser. Choro recordando-me de mais detalhes, lembro-me de seus pais, das reuniões de pais da escola, de tantos e tantos fatos...e Aniê volta da faculdade: Vó, precisamos fazer algo!

 

Respondo – FILHA, A VIOLÊNCIA QUE NOS CERCA É DESPROPORCIONAL AO NOSSO PODER DE AÇÃO. Portanto vamos fazer nossa parte, procurar seguir os ensinamentos de Jesus, amar ao nosso próximo mais próximo, respeitar a todos, procurar seguir o caminho de nosso Mestre maior, exercer o nosso papel de verdadeiro cidadão e tentar contaminar a todos que nos cercam com nossa postura. Nosso papel é esse! As palavras não traduzem todo o sentimento e sinto que, SÓ isso, ou isso tudo não me satisfaz. Quero sim fazer algo! no entanto me sinto tão impotente diante da parafernália política que se instalou em nosso País! E embora esteja num momento frágil de saúde, uma vontade enorme de clamar por justiça surge dentro de meu ser. E percebo de maneira clara que não podemos nem devemos deixar de cobrar de nossos representantes; pois compete a eles, sim, se sensibilizarem com o problema da violência e da impunidade que tem arrebatado vidas e deixado famílias inteiras destruídas pela tristeza, depressão sem esperança e uma sensação forte de que estamos sendo lesados.

 

É verdade. Lesados! Pois contribuímos com nossa cota que não é pouca! Os impostos que todos os brasileiros pagam são altíssimos e para isso não há perdão. No entanto eles servem para tudo! Principalmente para todos os desvios que tomamos conhecimento a todos os dias e para satisfazer os caprichos desonestos de outros tantos. Mas o povo brasileiro está maltratado! está acuado! E embora afirmemos para, os nossos alunos que o regime governamental é uma democracia, sabemos que isso não é verdade! Pois aprendemos que democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo! Embora em nosso querido Pais o que está valendo menos é o povo. O que tem mais valor entre os responsáveis pelos poderes é a maledicência, a politicagem, as intrigas, com raras exceções, é claro. Assim , a educação, a saúde, a segurança são jogadas de lado para darem lugar ao pão e ao circo .Pois não falta dinheiro para o futebol , nem para o carnaval , mas falta para se implementar projetos sérios de tratamento de jovens dependentes; falta para se investir em moradias , falta para se pagar um salário decente ao professor , ou para se construir uma faculdade ; falta verba e vontade política para se valorizar com dignidade os responsáveis pela segurança , os responsáveis pela saúde , os assistentes sociais, os psicólogos e todos aqueles que seriam os construtores da paz .E quando falo deste tema não me refiro a nenhum partido politico especificamente, mas , refiro-me de sã consciência a todos aqueles que de livre e espontânea vontade escolheram ser representantes do povo. Falta o que para se acabar com a violência ? EU OU QUALQUER PESSOA DO POVO SABE RESPONDER; FALTA SENSIBILIDADE, RELIGIOSIDADE, UNIÃO, FALTA AMOR AO PRÓXIMO. Pois só quem teve a vida de seu filho jovem, lindo, sadio, perfeito, Inteligente, bom, repito: quem teve a vida de um filho ceifada antes da hora, pode entender o que é pouco caso, o que significa lavar as mãos exatamente como fez Pilatos, entregar a vida do outro inocente para a turba assassiná-lo. É exatamente dessa forma que consigo ver.