Atenção especial na Olimpíada durante jogos na Bahia
- 27 Jul 2016
- 12:45h
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(Foto: Reprodução)
Países alvo de atentado, França e Alemanhã terão atenção especial das forças de segurança na Bahia. O estado sedia 10 jogos dos torneios de futebol (masculino e feminino), agendados para os dias 4 a 13 de agosto. No período, 5,1mil mil agentes vão participar da segurança. Além dos cerca de 1600 militares – 800 do Exército, 500 da Marinha e cerca de 300 da Aeronáutica – outros 3.500 policiais civis ou militares vão trabalhar em regime de escala e hora extra nesse período. Segundo o secretário de Segurança da Bahia, Maurício Barbosa, por causa de recentes ataques terroristas, os Jogos Olímpicos trazem preocupações diferentes da Copa do Mundo (2014), que também teve partidas em Salvador. “As preocupações hoje são outras, até pela situação internacional que nós estamos vendo, esses ataques terroristas. Então temos modificado os protocolos no que se refere a essas novas ações neste ano”, disse.“Mas, a preocupação também se estenderá para as demais delegações”. De acordo com os órgãos de segurança envolvidos, os dois países também devem trazer um aparato próprio que tem a liberação do Ministério das Relações Exteriores para a proteção das delegações.O governo baiano investiu quase R$ 7 milhões na segurança durante os jogos olímpicos.
“A gente vem monitorando e acompanhando eventuais riscos, em contato com os serviços de inteligência estrangeiros, que nos municiam de informações. Todas as medidas foram e estão sendo adotadas. A gente não baixa a guarda em momento nenhum. Estamos acompanhando, em tempo real, tudo que está acontecendo”, disse o superintendente da Polícia Federal na Bahia, Daniel Madruga. Esses e outros detalhes de como devem funcionar a segurança durante a realização dos Jogos na capital foram divulgados em uma coletiva, na manhã de ontem, na sede do 2º Distrito Naval. Com relação à estrutura, estarão a disposição cinco navios, 101 viaturas, 10 embarcações, 20 motocicletas e um helicóptero. “Nosso objetivo é criar um ambiente seguro e pacífico e, para isso, contamos com a colaboração de várias instituições que vão trabalhar de forma integrada”, acrescentou o vice-almirante Cláudio Viveiros, coordenador de Defesa de Área. Os órgãos de segurança pública ficarão com a responsabilidade de manter a ordem em estádios, centros de treinamento, portos, aeroportos, fronteiras e escoltas, caberá as Forças Armadas, dentre outros, trabalhos com relação a força de contingência, contra-terrorismo, defesa cibernética e a defesa de estruturas estratégicas. O trafego aéreo será bloqueado uma hora antes e até três horas depois em dias de jogo.
PORTAIS
O torcedor que for acompanhar os duelos do futebol olímpico deve ficar atento a algumas medidas adotadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a exemplo, de como aconteceu no Carnaval deste ano, da implantação dos chamados Portais de Segurança. “Serão três perímetros em torno da arena. Vamos exigir credenciais e ingressos de quem for acessar o estádio. Também haverá restrições quanto o acesso de bagagens e volumes”, disse o secretário Maurício Barbosa. Os veículos cadastrados previamente passarão por uma vistoria do Esquadrão Anti-Bombas. No aeroporto, haverá o reforço de agentes na área de embarque e desembarque de pessoas, assim como no metrô e Estação Rodoviária. “A atuação será mais forte do que houve na Copa do Mundo”, salientou Barbosa. Nos dias de Jogos, inclusive para evitar transtornos ao trânsito, ficou decidido que as rotas a serem realizadas com as delegações do hotel até o estádio serão escolhidas apenas, horas antes das partidas, com o apoio de equipes do Grupamento Aéreo (Graer) e de batedores da PM. Ainda com relação ao aeroporto internacional Daniel Madruga, afirmou que o efetivo do órgão será ampliado neste período, considerando a chegada e saída de delegações. “Temos setores de investigação e prevenção ao terrorismo. Tudo o que é possível de ser feito está sendo feito. Estamos criando mecanismos para evitar este tipo de ação, inclusive alertas e acompanhando para que tudo ocorra bem”, pontuou. Participaram ainda da coletiva o coordenador das ações de defesa e comandante do 2º Distrito, o coronel-aviador Marcelo Schiavo, da Base Aérea de Salvador, o general-de-brigada Antônio Eudes, comandante da Força Terrestre Componente, o superintendente estadual da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Seltz, a secretária municipal de Ordem Pública, Rosemma Maluf, e o secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado, Álvaro Gomes.
ENSAIO GERAL
Nesta terça-feira, alguns exercícios e simulados foram realizados em várias partes da cidade com o objetivo de observar como está a preparação das equipes como lidar em situações de estresse. Além de um resgate de um refém nas proximidades da Arena Fonte Nova e um simulado de um ataque químico dentro do local, foi feito um exercício, no Ferry-Boat Dorival Caymmi, da retomada do equipamento que estaria sob o domínio de uma pessoa armada. Participaram desta ação embarcações e um helicóptero da Marinha, além de embarcações do Samu, simulando o resgate dos passageiros. “Nós estamos trabalhando há algum tempo em grandes eventos e eles nos serviram de ensinamento e lições aprendidas. Vamos aprimorando esses planos e vão atingir, na medida do possível, graus de maturidade e de integração dos entes envolvidos”.
Hotel programado para receber delegações passa por varredura
Todo o terceiro andar do Hotel Stella Maris, em Salvador, passou por uma varredura ontem para receber a delegação de Fiji, que chega nesta madrugada para disputar os Jogos Olímpicos. Também no hotel, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) realizou uma simulação, quando três atores foram presos pela Polícia Civil. No enredo do treinamento, a prisão foi o resultado de uma investigação que levou ao momento em que terroristas e traficantes negociavam a venda de armas no quarto do hotel. Para a varredura no terceiro andar do hotel, homens do Esquadrão Antibombas da Polícia Militar e da Marinha, além de agentes da Comissão Nacional de Energia Nuclear, utilizaram cães e equipamentos em busca de qualquer tipo de ameaça. Após o trabalho, todo o andar ficou isolado até a ocupação pela delegação. De acordo com o capitão Erico de Carvalho, comandante da Companhia Antibomba do Bope, 25 pessoas participaram da varredura. “Cumprimos nosso planejamento, fizemos a operação e vistoriamos tudo. Não há nada que ofereça perigo químico, radiológico, biológico ou de bomba à delegação”.
Simulação
Já a simulação teve a participação de 30 policiais civis, militares e de outras forças. “Com certeza, a Segurança Pública está forte e preparada. Temos uma Polícia Militar atuante, uma Polícia Civil sempre presente, e essa simulação é importante para deixar o efetivo em melhores condições. A repetição à exaustão leva à perfeição. Com o treinamento, teremos a chance de uma resposta mais eficiente, caso seja necessário”, afirmou o delegado André Viana, que coordenou a simulação. O delegado João Gaudêncio, membro da Comissão Estadual de Segurança para Grandes Eventos (Coesge), destacou que o contexto da simulação começou no ferryboat, onde a Marinha apreendeu armas, prendeu um traficante e obteve informações que levaram à negociação no hotel.
“As informações foram passadas para o Centro de Comando e Controle Regional e, com a integração com as outras forças, localizamos essa negociação de venda de armas. É importante deixar claro que isso foi apenas uma simulação, desde a operação no ferry até esta etapa no hotel”, explicou Gaudêncio.
