‘A saúde da sociedade brumadense é fragilizada por problemas de outras áreas, como falta de saneamento, educação e segurança’, afirma Ednaldo Souza

  • Daniel Simurro | Brumado Urgente
  • 26 Jul 2016
  • 08:23h

Ednaldo Souza fez uma ampla abordagem sobre as questões que envolvem o Sistema de Saúde de Brumado (Foto: Divulgação)

Diante da aproximação do pleito eleitoral, que terá como um dos temais centrais a serem debatidos, a área de Saúde Pública, o Brumado Urgente resolveu ouvir, - na busca de prestar um esclarecimento melhor à comunidade sobre os avanços e os desafios que virão pela frente -, um  dos especialistas do setor, o inspetor geral de endemias (doenças previsíveis) pelo Ministério da Saúde, Ednaldo Souza, que já comprovou um grande conhecimento sobre toda a questão que envolve essa que é uma das maiores expectativas dos brumadenses.  

Ele iniciou fazendo um retrospecto descrevendo que “doze anos depois da municipalização do Sistema Único de Saúde, o SUS, instituído com propósito de melhorar o acesso da população brumadense ao sistema público de saúde, muitos problemas ainda são patentes como filas intermináveis nos postos de saúde, má distribuição dos médicos pelo município, falta de médicos nas unidades de saúde, falta de remédios na farmácia básica, falta de exames auxiliares: ultrassonografia, tomografia. (...), falta equipamentos, falta de UTI. (...). Mas esse não é o único desafio que o município enfrenta. Paralelamente, exigem-se do município políticas urgentes para gerenciamento de uma longa lista de problemas sociais que diariamente vitimam ou incapacitam centenas de brumadenses. As variáveis estão por todo canto. Pode-se afirmar que há uma enorme distância ainda entre a saúde real e a saúde ideal”.

Então, diante dessa avaliação inicial, ele fez uma abordagem mais específica citando que “o baixo índice de acesso à água tratada nas comunidades ribeirinhas do Rio do Antônio é apenas um desses vilões sociais que defraudam a saúde dos brumadenses. Milhares de litros de esgoto sem tratamento são despejados diariamente, contaminando o Rio do Antônio, solo e mananciais. Esta não é uma realidade apenas dos ribeirinhos, pois, nos bairros periféricos, por exemplo, os moradores não têm acesso a saneamento básico e o esgoto corre a céu aberto. Crianças brincam no meio do lixo e convivem com os detritos” e complementou a sua linha de raciocínio destacando que “o fato é que problemas sociais de natureza diversa têm custado caro para a saúde de Brumado e esta relação de fatores que oneram os cofres públicos comprometem a saúde e lotam o hospital. O número de brumadenses que perderam a vida no hospital de Brumado por falta de UTI é significativo. Entretanto, esses números não representam a totalidade. As estatísticas são mais assustadoras ainda, pois são computados apenas os casos de morte in loco. Mas quantas pessoas vão para os hospitais de outros centros e morrem lá? Além disso, precisamos acrescentar à lista os sobreviventes que ficam com sequelas. Ainda existe a questão da violência em si, que tem sido determinando para que várias pessoas agredidas em assaltos, brigas e discussões dentre do seio familiar tem também agravado a superlotação do sistema único de saúde. Ainda, há que se falar no alto índices de acidentes na cidade e zona rural do município. Imprudências, uso constante de álcool e outros fatores de irresponsabilidade elevam os índices de acidentes envolvendo vítimas e com isso acarretando frequentemente o aumento dos atendimentos no hospital regional.”.

E finalizou alertando que “lidar com esses determinantes do processo saúde / doença implica numa visão menos focada na doença e que dialogue com outras áreas. Precisamos ter abordagem não só intersetorial, mas também interdisciplinar para lidar com a promoção da saúde, seja na dimensão individual, seja na dimensão coletiva. Esta visão holística da saúde é, na realidade, um princípio constitucional que reza que ‘a saúde deve ser assegurada mediante políticas sociais e econômicas que reduzam os riscos de doenças’. Visão menos compartimentalizada da saúde se configura como um desafio para os próximos governantes. Trata-se de prevenir mais para remediar menos. E todos nós conhecemos um dos pontos de partida para aliviar a sobrecarga do sistema público de saúde, em teoria: a educação, mãe de todas as políticas públicas.  Através de uma educação de qualidade, com mais atividades voltadas para a conscientização das crianças e adolescentes quanto aos modos de vida, prevenções, higiene, responsabilidade social ante o próximo, seja em situações cotidianas, seja no trênsito, se diminuirá consideravelmente a longo prazo o caos em que vivemos. A Educação, tanto pública quanto familiar, é que será capaz de proporcionar dias melhores distintos do que se vê atualmente.Este é o quadro da saúde em Brumado. Virar o rosto não vai resolver o problema”.