Testemunhas dizem que atirador de Orlando frequentava boate gay
- BBC Mundo
- 15 Jun 2016
- 07:01h

(Foto: Reprodução)
Omar Mateen, o homem responsável pelo maior ataque a tiros da história recente americana, teria visitado várias vezes a boate gay onde matou 49 pessoas, segundo testemunhas. Chris Callen, um artista que se apresentava na boate Pulse, em Orlando, afirmou ao jornal New York Daily News que Mateen foi ao local do massacre algumas vezes ao longo dos últimos três anos. "Eu o vi algumas vezes na boate Pulse, outras pessoas com quem falei, incluindo um exsegurança do local, viram este cara por lá muitas vezes antes", contou Chris Callen. O artista afirmou ainda que, em determinada ocasião, Mateen teria puxando uma faca contra um outro frequentador depois de este ter feito uma piada religiosa. "Às vezes ele ia para um canto, sentava e bebia sozinho, outras vezes ele ficava tão bêbado que falava alto e ficava agressivo", afirmou outro frequentador da Pulse, Ty Smith, ao jornal Orlando Sentinel. Kevin West, que também frequentava a casa noturna, contou ao jornal Washington Post que viu Mateen entrando na Pulse no começo da madrugada de domingo e acrescentou que já o conhecia através de um aplicativo de encontros chamado Jack'd. "Eu lembro de detalhes. Nunca me esqueço de um rosto", disse West.
As autoridades ainda não fizeram nenhuma declaração oficial a respeito destas novas informações. Mas as redes de televisão americanas CNN e NBC informavam que os investigadores que estão trabalhando no caso estão examinando os depoimentos. Mateen entrou armado na boate Pulse na madrugada de domingo. Até o momento, o ataque deixou 50 mortos (incluindo o atirador) e 53 feridos, no que é considerado o tiroteio mais letal da história recente dos Estados Unidos. O atirador acabou sendo morto pela polícia. O diretor do FBI, James Comey, afirmou que há "indicações fortes de radicalização e de uma potencial inspiração por parte de organizações terroristas estrangeiras". Em ligações feitas para o número de emergência da polícia antes de morrer, Mateen teria jurado lealdade ao grupo autodenominado Estado Islâmico. Depois, o EI disse que um "combatente" do grupo havia feito o ataque, mas não especificou se ele estava diretamente envolvido na ação ou se teria apenas "inspirado" o atirador. O presidente americano, Barack Obama, afirmou que o inquérito sobre o massacre na Pulse está sendo tratado como uma investigação sobre terrorismo, mas acrescentou que não há provas claras de que Omar Mateen tenha sido orientado pelo Estado Islâmico. O pai de Mateen disse à rede americana NBC que o ataque "não tinha nada a ver com religião". Seddique Mateen afirmou que, recentemente, seu filho ficou "muito bravo" após ver dois homens se beijando no centro de Miami. Ele contou que a família não sabia que ele estava planejando um ataque. "Estamos chocados como todo o país." Na segundafeira (13), o pai do atirador fez um polêmico pronunciamento para condenar a atitude do filho. Em um vídeo publicado em sua página no Facebook – gravado em dari, um dos idiomas falados no Afeganistão, seu país de origem – Seddique Mateen criticou Omar pelo massacre. O motivo: acreditar que seu filho interferiu na justiça divina, que, a seu ver, é que deve punir a homossexualidade. "Deus é quem vai punir aqueles que se envolvem com a homossexualidade. Isso (a punição) não é para os servos de Deus", disse Seddique no vídeo, que pareceu endereçado especificamente à comunidade afegã nos EUA.
