Executivo da Odebrecht é preso na BA; Lava Jato cumpre 11 mandados
- 22 Mar 2016
- 13:44h

Executivo da Odebrecht é preso na BA; Lava Jato cumpre 11 mandados
Em mais uma fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu, na Bahia, na manhã desta terça-feira (22), um mandado de condução coercitiva e um de prisão preventiva, em Salvador. Um alvo de prisão temporária não foi localizado. Além disso, ainda são cumpridos sete mandados de busca e apreensão na capital e um em Mata de São João (Praia do Forte). Ao todo no país, a PF cumpre 110 mandados da 26ª fase da Lava Jato e mira a Odebrecht (veja lista dos alvos). Os trabalhos são um desdobramento da 23ª fase, a Operação Acarajé. De acordo com a Polícia Federal (PF), em Salvador, o alvo do mandado de prisão preventiva foi Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, executivo da Odebrecht. Já o de condução coercitiva é Luiz Roque Silva Alves, cuja relação com a empreiteira não foi especificada. O alvo do mandado de prisão temporária, que ainda não foi localizado, não teve o nome divulgado para não atrapalhar as investigações.
De acordo com a PF, os oito mandados de busca e apreensão que são cumpridos em Salvador e Mata de São João estão relacionados à Odebrecht e a empresas ligadas a ela. Entre os locais visitados por agentes da PF estão: Aeroporto de Salvador, Praia do Forte (localidade de Mata de São João), além de shoppings Bela Vista e Itaigara. O G1 teve acesso ao mandado de busca e apreensão que foi cumprido contra a JN Maxi Corretora de Câmbio Ltda na manhã desta terça-feira, dentro do Shopping Bela Vista. A empresa alvo dos policiais federais funciona dentro da Gradual Turismo, e realiza operações de câmbio. Segundo uma testemunha, a PF esteve no local e fez buscas no sistema da empresa, mas não levou documentos. A empresa JN Maxi também tem sede no Shopping Itaigara, onde equipes da PF atuaram na manhã desta terça. O G1 não conseguiu localizar responsáveis pela empresa para comentar a operação. Ainda conforme a PF, após o mandado de condução coercitiva ter sido cumprido em Salvador, Luiz Roque Silva Alves foi ouvido na sede da PF e liberado. Ainda de acordo com a Polícia Federal, havia dois endereços para localizar o alvo deste mandado, e um deles era a empresa Odebrecht. Ainda segundo a PF, um mandado de prisão preventiva foi cumprido em Salvador contra Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho. Ele foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em Curitiba. O alvo de um mandado de prisão temporária não foi localizado na manhã desta segunda-feira, diz a PF na Bahia. As ações fazem parte da 26ª fase da Operação Lava Jato, intitulada "Xepa". Além da Bahia, a operação também acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Os trabalhos são um desdobramento da 23ª fase, a Operação Acarajé, para apurar um esquema de contabilidade paralela na construtora Odebrecht, destinado ao pagamento de vantagens indevidas a terceiros, vários deles com vínculos diretos ou indiretos com o poder público. A ação foi deflagrada no dia 22 de fevereiro e prendeu o marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana, além de mulher dele Monica Moura. Os dois são suspeitos de receber US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior e estão detidos na Superintendência da PF, em Curitiba. As investigações apontam possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro oriundos da Petrobras que teriam sido cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao grupo. O material indicou a realização de entregas de recursos em espécie a terceiros indicados por altos executivos da Odebrecht nas mais variadas áreas de atuação empresarial.
Números da operação
Do total de 110 mandados no país, 67 mandados são de busca e apreensão, 28 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento, 11 mandados de prisão temporária e quatro de prisão preventiva. Ainda de acordo com a PF, há indícios concretos de que o grupo se utilizou de operadores financeiros ligados ao mercado paralelo de câmbio para a disponibilização de recursos ilegais. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período ou convertida em preventiva, que é quando o investigado fica preso à disposição da Justiça sem prazo pré-determinado. Os presos serão levados para a Superintendência da PF, em Curitiba.
