Renato Duque recebeu 7,8 mi de francos suíços de propina, diz MP italiano

  • Redação
  • 23 Fev 2020
  • 16:26h

Tribunal de Milão processa sócios da San Faustin, holding do grupo Techint, por corrupção na Petrobras|Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O Tribunal de Milão, na Itália, marcou para 14 de maio a primeira audiência do processo contra os sócios da San Faustin, holding do grupo Techint. Os irmãos Gianfelice e Paolo Rocca e Roberto Bonatti são processados por corrupção envolvendo a Petrobras. A ação é parte da Operação Lava Jato. De acordo com informações do Estado de S.Paulo, a denúncia foi feita pelos procuradores Donata Costa, Fabio de Pasquale e Isidoro Palma. Investigação do time de acusação indica que entre 2009 e 2014 os empresários pagaram subornos a Renato Duque, então diretor de serviços da estatal brasileira, em troca de 22 contratos de fornecimentos de tubos industriais no valor de 1,4 bilhão de euros (o equivalente a R$ 6,7 bilhões). O montante era repassado para favorecimento da Confab, empresa brasileira fabricante de tubos que era controlada pela San Faustin, por meio da Tenaris, metalúrgica que pertence ao grupo Techint. Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Duque acabou não abrindo editais internacionais e tratando diretamente com a Confab. O ex-diretor da Petrobras teria recebido, ao todo, 7,8 milhões de francos suíços (cerca de R$ 35 milhões) e US$ 500 mil (R$ 2,1 milhões). A investigação contou com a colaboração do Brasil, Panamá, Suíça, Argentina, Estados Unidos e Luxemburgo. Por intermédio de cartas rogatórias recebidas, os procuradores italianos conseguiram reconstruir o caminho do dinheiro que teria sido utilizado para propina. Em sua defesa, a San Faustin disse ao Estadão que a decisão do tribunal italiano se refere à corrupção de alguns funcionários da Petrobras entre 2009 e 2013. Além disso, a empresa disse “ter certeza” que a sentença esclarecerá a “absoluta exatidão” do comportamento da San Faustin.