Trabalhador: 'Nem de longe penso em parar', diz dentista de 92 anos que exerce a profissão há quase 7 décadas

  • Por Maiana Belo, G1 BA
  • 01 Mai 2019
  • 15:15h

Igínio Rosse tem 92 anos e há quase 7 décadas atua como dentista — Foto: Egi Santana/G1

Quase 70 anos de carreira em um consultório não foram suficientes para o dentista baiano Igínio Rossi deixar de trabalhar após a aposentadoria. Aos 92 anos, ele atua como dentista em Salvador e surpreende pela disposição na hora de exercer a profissão que começou a ser trilhada quando ele entrou na faculdade de odontologia, na década de 40, com apenas 17 anos. O dentista não trabalha como antes, todos os dias da semana. Ele faz atendimento voluntário nas segundas e quartas-feiras. O trabalho é desenvolvido em um consultório, através de serviços gratuitos disponibilizados por uma igreja católica no bairro da Graça, em Salvador.  A vontade de continuar na área, segundo ele, foi uma forma de se manter atualizado e em movimento. “Quando me aposentei já estava cansado, muitos anos de trabalho. Comecei a perceber que o que eu já tinha era suficiente, já dava para comprar a farinha. Eu atendi no meu consultório particular até quatro anos atrás, com 88 anos. Mas depois que larguei o consultório, o dia passou a ter 26 horas. Então resolvi voltar”, contou.

Dedicação, trabalho e persistência sempre fizeram parte da vida de Igínio, um dos 12 filhos de um italiano dono de uma fábrica de macarrão na capital baiana. Antes mesmo de ter um consultório, Igínio já era funcionário público. Aos 20 anos, após se formar, ele passou no concurso público do Instituto de Aposentadoria de pensões dos Comerciários (IPCA), onde atuou como dentista por 36 anos. “Naquela época eram três anos de faculdade e a gente tinha mais greve do que aula. Logo me formei e em seguida, concorri a uma vaga [do concurso] junto com cinco professores meus da faculdade”, relembrou. Aos 21 anos, Igínio adquiriu o primeiro consultório em Salvador. Diante de tantas conquistas na carreira da odontologia, ele revelou que a profissão nunca fez parte dos sonhos dele e que, na verdade, ele nem sabe dizer o que fez escolher a odontologia. “Tem determinadas coisas na vida que a gente não sabe porque escolhe. Só sei que fiz, depois gostei e pensei: ‘Vou viver disso’”, contou. Além da profissão que ainda exerce, Igínio se divide entre o trabalho e ajuda no cuidado à esposa, de 88 anos, que sofre de Alzheimer. Juntos o casal tem duas filhas. Quando perguntado se as filhas eram do mesmo casamento, ele brincou: ‘Monogâmico’. Em seguida, carregou um tom mais sério na voz para contar sobre o amor e respeito que tem pela esposa. “Meu casamento é estável, sem brigas, nunca briguei com minha esposa”, revelou.