Sudoeste: Moradores de área sob risco com barragem interditada denunciam poluição e apontam que empresa segue em operação

  • G1
  • 12 Abr 2019
  • 18:45h

Foto: Reprodução/TV Sudoeste

Moradores da área onde fica a barragem de rejeitos de mineração que foi interditada, no início da semana, na zona rural do município de Maiquinique, no sudoeste da Bahia, denunciam que a empresa segue em operação, mesmo com determinação para não funcionar. "Ninguém parou. Tá todo mundo trabalhando. O povo está todo aí. Os caminhões estão rodando", disse o pecuarista Edinilson Silva. A mineradora foi interditada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), na terça-feira (9), após uma avaliação técnica, que classificou a unidade na categoria de risco alto, tornando a represa uma das três de maior ameaça no país. Neste sentido, a barragem apresenta risco maior que as de BrumadinhoMariana - onde aconteceram as tragédias que deixaram centenas de mortos em Minas Gerais -, que eram consideradas de risco baixo. De acordo com o relatório técnico de interdição emitido pelos auditores, a mineradora tem gravidade iminente de acidente de trabalho, que pode resultar em morte ou lesão grave à integridade física ou à saúde de cerca de 150 trabalhadores. Entre os problemas, segundo o documento, está a falta de instrumentos para monitorar a barragem, que tem sinais de falha da estrutura e corre risco de rompimento. A unidade tem 20 metros de altura e mais de 348 mil metros cúbicos de rejeitos armazenados. A administração do local é de responsabilidade da empresa Grafite Brasil. Além do descumprimento da determinação da ANM, problemas provocados pela mineradora também são apontados pelos moradores da região, incluindo a poluição do ar e da água. Por conta disso, algumas pessoas chegaram a sair de casa. Um dos moradores que se mudaram é o aposentado Herozino Pereira. Quando ele começou a morar na região, em 1942, a barragem ainda não estava em atuação. Contudo, ao longo dos 76 anos no local, foi sofrendo com os problemas. Há sete meses, o idoso deixou a casa onde morava, contra a vontade, para, segundo ele, preservar a saúde. "Para mim foi difícil, pelo modo que eu gosto daqui. Tinha meu pai, minha mãe, todos sepultados aqui. Eu gostava demais daqui", disse seu Herozino Pereira. O filho do aposentado, Heroizo Pereira Filho, conta que o pó proveniente da extração do grafite invade as casas, e que os resíduos liberados pela água que sai da barragem caem no rio que passa na região. "Tivemos que sair, porque se não saísse, olha a situação que está aqui... grafite cai o dia todo. Não tem ninguém que atenda a gente [na empresa]. Quando chega lá, só tem promessa em vão", disse Herozino Pereira Filho. "Eles abrem a comporta lá para soltar a água que eles usam e alaga tudo, espuma a água de produto químico. A água não faz aquilo. Usamos uma água aqui a 4 km de distância, encanada, porque não podemos usar a água do rio", completou. A reportagem tentou falar com um representante da empresa, para se pronunciar sobre as denúncias, mas ninguém quis receber a equipe da TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia na região Após a interdição, no início da semana, a Grafite do Brasil emitiu uma nota e informou que desde o acidente em Brumadinho inspeciona diariamente a barragem de Maiquinique, e que, desde fevereiro, implementou plano de ação de melhorias da estrutura e instrumentos para monitoramento da barragem. A empresa informou também que não há risco de rompimento da barragem, que, segundo ela, segue as leis e normas de segurança.