Estudantes usam aplicativos e jogos na preparação para o Enem

  • Clarissa Pacheco
  • 31 Jul 2014
  • 07:15h

Divulgação

Faltam 70 dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 e o candidato não larga o celular, não dispensa o tablet e não sai da frente do computador. Ele até pode estar perdendo um tempo precioso, mas é possível, também, que esteja estudando. Usar aplicativos e jogos educativos para estudar não é novidade. A prática tem até nome oficial – Edutainment, ou Entretenimento Educacional, em português. O estudante Pedro Argôlo, 18, ainda não sabe qual curso vai querer frequentar depois que sair do ensino médio, mas já se prepara para o Enem e não apenas com livros didáticos. Ele instalou no celular um dos mais de 20 aplicativos disponíveis para smartphones com o objetivo de estudar para o exame. “Foi um aplicativo que tem todas as questões do Enem, é meio que uma revisão do que já foi feito. Ajuda, porque quem está sem fazer nada acaba usando”, comenta.

Não faltam opções: tem aplicativo com simulado de provas anteriores, com questões sobre as habilidades específicas cobradas nas provas, outros para aprender idiomas – inglês e espanhol são cobrados na prova – e até um apanhado das “pérolas” das redações anteriores, que já foi baixado mais de  100 mil vezes. 

 

Para o cientista da computação André Koscianski, doutor em Simulação, na França, pelo Instituto Nacional de Ciências Aplicadas de Rouen, e que hoje integra o grupo de pesquisa em Edutainment da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, muitos universitários têm dificuldade com raciocínio lógico e interpretação de textos. “Jogos têm vantagens. Eles podem dar roupagem diferente a uma atividade e conseguir que o aluno se empenhe mais”, avalia. Mas ele alerta que é preciso equilibrar o lado lúdico dos games com o propósito sério.

 

Também cientista da computação, Lucas Miranda é criador do site Estude Jogando (estudejogando.com.br) e considera que para atrair a atenção de geração tão conectada é preciso levar os jogos para a sala de aula. “Tem que chamar a atenção do aluno para se conectar na sala de aula. Eu acho que os jogos acabam até sendo uma forma de engajá-lo mais”, opina.


Milena Alves, 18, ex-aluna do Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, em Cajazeiras IV, frequenta o curso Universidade para Todos, do governo do estado, na mesma escola, mas também recorre à internet para se preparar para o Enem. É na rede que Milena faz simulados e aprimora o inglês. “Se a pessoa tiver foco e se concentrar no que realmente interessa, que é estudar, ajuda bastante”, afirma.

 

Um estudo publicado em 2012 pelos pesquisadores americanos Robert Ahlers e Rosemary Garris diz que a aprendizagem baseada em jogos funciona por conta do “envolvimento gerado pelo contexto do jogo”, pela interatividade e pela união desses dois elementos. No caso dos games, por exemplo, o estudante pratica habilidades, resolve problemas e persiste até o fim com o objetivo de vencer ou ter uma pontuação alta.

 

Lucas Miranda, do Estude Jogando, oferece uma aba de jogos baseados nos conteúdos cobrados no Enem. No mesmo site, o estudante tem acesso a uma página de conteúdo e, em seguida, ao jogo, além de participar de debates com outros usuários. “Pensei em uma forma de aliar jogos com algo que fosse útil. Pensei nessa coisa de jogos educativos e percebi que tem muita gente que trabalha com isso”, conta Lucas.

 

O site, criado em 2012, tem cinco mil usuários ativos, que também têm acesso a um boletim de desempenho individual. O dono do Estude Jogando já se prepara para fazer parcerias com escolas no Rio, onde trabalha. No mercado de aplicativos, já há algumas criações feitas para escolas. É o caso do Descubra o Enem, do Colégio Pentágono, no Rio, e do Simulado Enem, do Colégio 7 de Setembro, no Ceará.

 

Bons olhos
A professora do Instituto Federal da Bahia (Ifba) Telma Brito, doutora em Educação, aprova os games. “Vejo como algo positivo, que pode também seduzir uma geração de adolescentes, de pessoas que vivem o digital”.

 

Telma também defende que o uso de jogos seja mediado pela escola. “Tem um grupo na Uneb que desenvolve jogos eletrônicos com conteúdos do ensino médio e educação básica e que tem feito coisas incríveis”, destaca a professora, ponderando que o desenvolvimento dos jogos deve vir de uma equipe multidisciplinar.

 

O grupo da Uneb, coordenado pela professora Lynn Alves, se chama Comunidades Virtuais (comunidadesvirtuais.pro.br) e funciona desde 2002, criando jogos e pesquisas relacionados com a tecnologia e  educação. Lá, há jogos com temáticas das mais diversas, como o 2 de Julho, o sistema imunológico humano, fauna e flora, Revolta dos Búzios, Revolução Francesa, Polo Petroquímico, entre outras.

 

Aplicativos são usados também para ensinar idiomas
Além de simulados e aplicativos de pergunta e resposta ou para treino de redação, há jogos e aplicativos para smartphones que prometem treinar o estudante para novos idiomas. Uma empresa russa desenvolveu a LinguaLeo, uma plataforma online de ensino que oferece plano de estudo personalizado de acordo com os objetivos do aluno.

 

Dos mais de nove milhões de usuários ao redor do mundo, 550 mil são brasileiros. A porta-voz da LinguaLeo no Brasil, Ana Carolina Merighe, explica que a plataforma russa tem um programa específico para que os estudantes treinem para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

 

“Os estudantes podem simular o seu desempenho a partir das questões de inglês de anos anteriores do Enem e os resultados se integram ao seu plano de estudo personalizado”, explica. Ela lembra, ainda, que usar aplicativos  oferece a vantagem de poder estudar em qualquer lugar, sempre que tiver um tempinho. Há cursos pagos na LinguaLeo, mas o sistema que inclui simulados para o Enem e demais vestibulares é gratuito. Há outros aplicativos para idiomas, como o Duolingo, que ensina inglês, português, francês, alemão, italiano e espanhol, e o Babbel, ideal para quem começa do zero -  oferece as opções de aprender inglês, espanhol, francês, alemão, turco, sueco e até indonésio.