Deputado minimiza ação de PMs que posaram ao lado de corpo

  • Biaggio Talento / A Tarde
  • 13 Nov 2013
  • 07:47h

(Foto: Reprodução)

O líder do governo do estado na Assembleia Legislativa, o deputado Zé Neto (PM), afirma que a Corregedoria da Polícia Militar agiu certo ao abrir investigação sobre o caso de integrantes da Companhia Independente de Polícia Especial do Semiárido (Cipe-Semiárido) que aparecem em foto posando ao redor de um corpo. Ele, no entanto, procurou minimizar o episódio. "Sei que fere os direitos humanos, mas a gente também tem que começar a entender essa adrenalina dos policiais numa movimentação que, às vezes, dura meses contra um grupo que tem aterrorizado os moradores da Chapada Diamantina, bandidos que agem com brutalidade, uma estupidez sem precedentes. Situações como essas não se podem ver como algo 'marginal', não se pode fazer um cavalo de batalha sobre isso", disse.

Para ele, é preciso "contemporizar", ponderando que, se de um lado houve um erro, é preciso administrar "de forma serena" para não prejudicar a relação com a corporação, "porque, na outra ponta, há o policial com adrenalina trocando tiro com bandido". No assalto em Mucugê, o grupo de dez homens aterrorizou os moradores. Na fuga, um refém foi morto e dois feridos. Várias equipes da PM passaram a perseguir os suspeitos pela região. Um primeiro grupo foi achado na zona rural  de Cafarnaum. Conforme a PM, eles resistiram à prisão, quatro foram mortos e dois presos.

Corpo exposto

Uma imagem que lembra a exibição de cangaceiros mortos como troféus macabros pelas "volantes" do governo na primeira metade do século XX levou a Corregedoria da PM a abrir sindicância para investigar a imagem em que policiais exibem o corpo do suspeito de liderar a quadrilha que assaltou, no dia 6, o Banco do Brasil de Mucugê (a 448 quilômetros de Salvador). Identificado como Marcos Jeferson de Carvalho, 24 anos, e conhecido como Coninho, o homem foi morto na zona rural de Bonito (a 414 quilômetros da capital). Na foto, o corpo dele está estirado no chão de barro, tendo à volta 19 "catingueiros", como são conhecidos os policiais da Cipe-Semiárido, fortemente armados com fuzis e metralhadoras. A imagem foi exibida em vários sites e redes sociais. Em nota, a PM diz que "não coaduna com o comportamento adotado pelos policiais militares que posaram numa foto exibindo o corpo de um criminoso responsável pelo roubo de uma agência bancária no município de Mucugê" e assinala que irá apurar o fato. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da PM para esclarecer a que tipo de punição os responsáveis pelo episódio estão sujeitos e, até a publicação desta reportagem, não recebeu resposta.