Senadores são cautelosos ao avaliar CPI da Covid-19 para investigar atuação de Bolsonaro

  • Mari Leal
  • 02 Mar 2021
  • 07:05h

(foto: BN)

A Covid-19, que para o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), seria somente uma “gripezinha” já matou mais de 255 mil pessoas em território brasileiro. De março de 2020 a março de 2021, mesmo nos momentos de pico da doença, a exemplo do enfrentado atualmente, a postura pública de Bolsonaro foi de negacionismo à ciência, com a defesa de medicamentos ineficazes e tentativa de boicote às vacinas, e contestação às medidas de isolamento adotadas por Estados e municípios.  Na última semana, insatisfeitos com a postura do presidente da República, senadores de oito partidos passaram a defender a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o propósito de investigar e responsabilizar a atuação de Bolsonaro ao longo da crise sanitária. A proposta, no entanto, é vista com cautela pelos senadores baianos Angelo Coronel (PSD) e Jaques Wagner (PT). Para eles, uma discussão nesses termos pode mudar o foco de assuntos “mais importantes”, como o auxílio emergencial e a vacina.  “Não vou ser contra a CPI, mas avalio que a prioridade de todos na vida pública, agora, é trabalhar para recuperar o auxílio emergencial, fazer chegar a vacina e fazer aquilo que o presidente não faz. Trabalhar para salvar vidas. Nada é mais urgente”, diz Wagner.  Para ele, no entanto, defender a atenção ao que é “urgente” não apaga a “irresponsabilidade” do governo federal. “Tudo que o presidente quer é ficar arrumando polêmicas para dispersar as atenções dos problemas reais”, avalia o senador.  Para Coronel, um dos empecilhos para uma CPI deste porte está justamente no fato de a Casa, por consequência da própria pandemia, ter adotado um regime de sessões remotas. Segundo ele, a condição atrapalharia uma investigação efetiva, tomando por exemplo a CMPI das Fake News, da qual é presidente, e está paralisada por conta das dificuldades de convergência entre as demandas e o trabalho remoto.  Ele ainda alerta para a “possibilidade” de a CPI se transformar em uma “enxurrada” de denúncias, afetando também governadores e prefeitos. “Fatalmente gerará uma crise sem proporções caso venha a ser instalada”, pontua Coronel. "O momento não comporta politicagem, e sim concentrar esforços para resolvermos o novo auxílio emergencial e focarmos na vacina para salvar vidas”, defende.  Já o senador Otto Alencar (PSD) assumiu uma postura mais firme em relação à proposta de uma comissão para investigar as posturas do presidente Jair Bolsonaro. Conforme publicado pela revista Época neste final de semana, Otto reagiu positivamente a uma mensagem encaminhada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) em um grupo de mensagens do qual participam cerca de 80 senadores.  Jereissati classificou como inadiável a instalação da CPI após a passagem de Bolsonaro pelo Ceará, ao passo que Otto responde: “Toda razão amigo Tasso, o PR (Bolsonaro) afronta os governadores que estão na ponta cuidando da saúde nos estados, cabe ao Senado, a Casa da federação, contestar essa ação equivocada do PR JB, que leva a quebra de protocolos e leva à expansão da doença no país." "O PR receitou cloroquina, depois reconheceu que era placebo, muitos usaram. Aqui na Bahia alguns morreram por parada cardíaca, inclusive um médico morreu, Dr. Moisés, de Ilhéus, por parada cardíaca", afirmou o baiano. 


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