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Novo material pode substituir transplante de medula, diz estudo

  • G1
  • 19 Mar 2019
  • 19:07h

Foto: Pixabay

Cientistas da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia na Rússia desenvolveram nanomateriais capazes de restaurar a estrutura interna dos ossos danificados devido à osteoporose e osteomielite e potencialmente substituir o transplante de medula óssea. Um revestimento bioativo especial do material ajudou a aumentar a taxa de divisão das células ósseas em 3 vezes. No futuro, o material pode permitir o abandono do transplante de medula óssea e os pacientes não precisarão mais esperar pelo material doador adequado. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica "Applied Surface Science" e divulgado nesta terça-feira (19). Doenças como osteoporose e osteomielite causam alterações degenerativas irreversíveis na estrutura óssea. Tais doenças requerem tratamento complexo sério e muitas vezes cirurgia e transplante da medula óssea destruída. O material do doador deve ter um número de indicadores de compatibilidade e até mesmo o grau de parentesco com o doador não pode garantir total compatibilidade. O material é baseado em nanofibras de policaprolactona, que é um material auto-dissolúvel biocompatível. Anteriormente, o mesmo grupo de pesquisa já havia trabalhado com esse material: ao adicionar antibióticos às nanofibras, os cientistas conseguiram criar ataduras curativas não-mutáveis. "Se queremos que o implante funcione, não apenas a biocompatibilidade é necessária, mas também a ativação do crescimento celular natural na superfície do material. A policaprolactona, como tal, é um material hidrofóbico, ou seja, as células se sentem desconfortáveis ??em sua superfície. Elas se agregam na superfície lisa e se dividem extremamente devagar", disse Elizaveta Permyakova, uma das pesquisadoras do estudo. Para aumentar a hidrofilicidade (a afinidade do material com água), uma fina camada de filme bioativo constituído de titânio, cálcio, fósforo, carbono, oxigênio e nitrogênio foi depositado sobre ele. A estrutura das nanofibras idênticas à superfície celular foi preservada. Estes filmes, quando imersos em um meio salino especial, cuja composição química é idêntica ao plasma sanguíneo humano, são capazes de formar em sua superfície uma camada especial de cálcio e fósforo, que em condições naturais forma a parte principal do osso. Devido à semelhança química e à estrutura das nanofibras, o novo tecido ósseo começa a crescer rapidamente nesta camada. Mais importante, as nanofibras de policaprolactona se dissolvem uma vez que cumprem suas funções. Apenas o novo tecido "nativo" permanece no osso. Na parte experimental do estudo, os pesquisadores compararam a taxa de divisão de células ósseas osteoblásticas na superfície do material modificado e não modificado. Verificou-se que o material modificado possui uma elevada hidrofilicidade. Em comparação com o material não-modificado, as células em sua superfície pareciam claramente mais confortáveis ??e se dividiam três vezes mais rápido. Segundo os cientistas, tais resultados abrem grandes perspectivas para novos trabalhos com nanofibras de policaprolactona modificada como alternativa ao transplante de medula óssea.

Pesquisadores da Fiocruz desenvolvem teste que custa R$ 1 para detectar zika em menos de uma hora

  • 15 Mar 2019
  • 16:05h

Foto: Pixabay/Divulgação

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco desenvolveram uma técnica mais barata e mais rápida para detectar o vírus da zika. Depois de cinco meses de pesquisa, foi desenvolvido um teste que custa R$ 1 e apresenta resultados em menos de uma hora. O padrão utilizado atualmente, o PCR, tem custo unitário de R$ 40 e mostra resultados após cinco horas. De acordo com o estudante Seferino Jefferson, autor da pesquisa, a tecnologia não necessita o uso de equipamentos complexos ou caros para apresentar o resultado. “Queríamos chegar a um método que não precisasse de tanta complexidade para diagnosticar a doença e chegamos a esse resultado. Cada teste custa R$ 1 e o resultado pode ser visto a olho nu”, diz o pesquisador. Chamada de amplificação isotérmica mediada por alça, a técnica mistura agentes moleculares com o material genético do indivíduo em teste. O método também diminui o tempo de obtenção dos resultados em relação à técnica PCR. “Os reagentes do nosso teste mostram [resultados] em pouco mais de 20 minutos”, afirma Jefferson. Para chegar ao resultado, foram utilizadas 60 amostras de mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus. Os insetos foram infectados naturalmente ou em laboratório com os vírus da zika, denguefebre amarela e chikungunya. Na próxima etapa da pesquisa, o grupo pretende concluir os testes com amostras humanas. O orientador da pesquisa, Lindomar Pena, conta que o método também apresenta mais sensibilidade. “Em alguns casos em que o vírus da zika não foi detectado pela PCR, nós conseguimos detectar através desse teste”, afirma o professor. O método, no entanto, apresenta resultados específicos para zika e não apresentou reação cruzada para outras arboviroses. “Vamos patentear para disponibilizar ao público. A nossa expectativa é de que a população possa utilizar esse método nos próximos anos”, declara Pena.

Os 3 irmãos que decidiram retirar o estômago para evitar câncer

  • G1
  • 09 Mar 2019
  • 15:21h

Foto: Arquivo Pessoal/BBC

Três irmãos decidiram retirar o estômago após descobrir que eram portadores de um gene cancerígeno - e de terem perdido a mãe e uma irmã em decorrência do câncer de estômago.Tahir Khan, de 44 anos, Sophia Ahmed, de 39 anos, e Omar Khan, de 27 anos, de Walsall, na Inglaterra, foram submetidos à cirurgia após passarem por uma bateria de exames no Hospital Addenbrooke, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Eles dizem que a operação salvou suas vidas e "eliminou" o risco de desenvolverem a doença. No entanto, descobriu-se agora que a filha de Tahir carrega o mesmo gene. A mãe deles, Pearl Khan, tinha 49 anos quando morreu, há 16 anos, seis meses após ser diagnosticada. Já a irmã, Yasmin Khan, morreu há seis anos, aos 32. "A gente nem sequer pensava em testes genéticos naquela época, mas a Sophia foi muito persistente e conversou com a Cancer Research UK para nos examinar", disse Tahir. Além de Sophia, Omar e Tahir, outra irmã deles, Tracy Ismail, de 49 anos, também fez o exame. O processo todo - de triagem e testes - nos quatro irmãos levou de cerca de 12 meses a três anos.

Justiça determina inclusão de remédios à base de cannabis na lista do SUS

  • 08 Mar 2019
  • 17:06h

Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

A Justiça Federal determinou que medicamentos à base de Canabidiol (CBD) e Tetraidrocanabinol (THC), já registrados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), sejam incluídos pela União na lista dos remédios ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As informações são do Ministério Público Federal (MPF) na Bahia, na quinta-feira (7). Conforme informou o MPF na Bahia, a sentença de 18 de fevereiro deste ano é fruto de três ações ajuizadas pelo MPF no município de Eunápolis, no sul da Bahia. Duas das pessoas que entraram com a ação pretendiam garantir o tratamento com base nestes fármacos para dois pacientes, enquanto a última ação, de natureza coletiva, buscava a defesa do direito à saúde, como apontados nos artigos 196 a 200 da Constituição Federal. Além da inclusão dos medicamentos, a sentença determina que a União incorpore remédios que vierem a ser registrados posteriormente e oferecê-los regularmente à população, baseado em prescrição e relatório médico, desde que as alternativas já disponibilizadas pelo SUS não surtam efeitos no paciente. De acordo com a decisão, não possibilitar o acesso dos pacientes ao medicamento ou tratamento de que necessitam, cujo o valor não podem arcar, é frustrar a determinação constitucional de permitir o acesso de todos aos serviços de saúde e ter uma vida digna. Ainda segundo a Justiça, o fato de o medicamento não integrar a lista do SUS não pode, por si só, ser impedimento para o fornecimento ao paciente. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 100 mil da União para garantir a compra dos medicamentos para cada paciente, de acordo com a prescrição médica. O medicamento deverá ser fornecido até que ele ou outro fármaco compatível de eficácia comprovada esteja disponível à população pelo SUS. A União tem o prazo de 30 dias para o cumprimento da decisão, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.

Após falhas, Ministério da Saúde suspende distribuição de autoteste de HIV

  • 08 Mar 2019
  • 10:12h

Foto: Caroline Aleixo/G1

O Ministério da Saúde suspendeu a distribuição de autotestes de HIV após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detectar falhas nos kits usados. Segundo o ministério, a falha poderia implicar na impossibilidade de interpretação do resultado.O pedido de teste pela Anvisa foi feito pelo próprio ministério depois de relatos de falha em dois lotes dos kits. Cada lote contém 4 mil autotestes.Os kits de autoteste estavam sendo usados em 14 municípios: Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Manaus, São Paulo, Campinas, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo.O ministério orienta que quem tenha feito o teste com o kit cheque a linha de controle, que determina resultado positivo ou negativo. Caso esteja ausente, o teste é inválido e a pessoa deve procurar o local onde retirou o autoteste para realizar um exame alternativo.A Anvisa realizará novos testes em outros lotes dos kits.

Homem troca todo o sangue, que ficou branco de tanta gordura

  • 08 Mar 2019
  • 09:11h

Foto: American College of Physicians

O doutor Philipp Köhler, especialista em medicina de emergência, disse que nunca tinha visto um caso como este.Köhler trabalha no Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, onde um paciente chegou sentindo náuseas, vômito e dor de cabeça.Além disso, seu estado de alerta diminuía aos poucos.O homem, de 39 anos cuja identidade não foi revelada, sofre de diabetes, mas nos dias anteriores à ida ao hospital não tinha tomado seus remédios de uso contínuo.De acordo com o relato do caso, publicado nesta semana na revista "Annals of Internal Medicine", o homem foi submetido imediatamente a um tratamento intensivo, onde os testes revelaram que seu sangue tinha "síndrome de hiperviscosidade devido ao nível extremamente alto de triglicérides".Uma das coisas que mais chamou a atenção dos médicos foi a cor do sangue do paciente."Inicialmente, o tom era mais claro que o sangue venoso escuro normal", diz Köhler. "Parecia mais sangue arterial, mas com um brilho branco.""Após a sedimentação, uma parte branca se separou do sangue saudável, que permaneceu na parte inferior (do recipiente)."Köhler disse ao site Live Science que o sangue adquiriu uma "cor leitosa".Os triglicérides são um tipo de gordura que vem de alimentos como a manteiga e óleos, embora níveis elevados possam ter outras causas, como doenças genéticas, obesidade, uso de drogas ou álcool e cigarro em excesso.Em casos como este, os médicos usam uma máquina para retirar a gordura do sangue e, assim, reduzir sua viscosidade.No entanto, a situação deste paciente era tão extrema que os filtros para sugar a gordura entupiram diversas vezes.Os médicos tiveram de agir rapidamente para remover o excesso de gordura, restaurar o pH do sangue e, assim, estabilizar o paciente."Tivemos de procurar alternativas", disse Köhler à BBC Mundo.Assim, ao ver que o procedimento padrão falhou, Köhler e sua equipe recorreram à flebotomia, isto é, extrair o sangue e substituí-lo por sangue de um doador."Não tivemos escolha", diz Köhler. "Precisávamos levar o paciente a um estado em que os procedimentos padrão para remover os lipídios do sangue fossem novamente possíveis".A técnica funcionou e eles conseguiram baixar os níveis de triglicérides do paciente."Até onde sabemos, este é o primeiro caso de hipertrigliceridemia severa que precisou de flebotomia para salvar o paciente depois que o procedimento padrão falhou", diz Köhler.

O perigo dos remédios falsos e 'curas milagrosas' que inundam a internet

  • G1
  • 06 Mar 2019
  • 11:07h

Remédio — Foto: Unsplash

Um elixir milagroso para curar todos os males? Sim, "tão garantido quanto que o sol derrete o gelo". Esta é uma das promessas de panfletos que circulavam no século 19 e garantiam que certas poções tinham propriedades curativas. No caso de doenças relacionadas a parasitas, a solução era se livrar deles e, para conseguir isso, a pessoa tinha que tomar o elixir. Os efeitos prometidos eram verdadeiramente "mágicos". Um dos panfletos incluía o depoimento de Julie, uma mulher que assegurava ter perdido um membro que, após tomar a poção, "voltara a crescer". O tempo passou e a ciência avançou. As pesquisas mostraram que essas curas "mágicas" não existem. Certo? A questão é que pessoas que se aproveitam da necessidade dos outros sempre existiram - e essa realidade não mudou, apesar do fato de estarmos em 2019. Atualmente, a oferta é vasta: há quem ofereça soluções para perder peso, para cuidar da pele e até para substituir vacinas, só para citar algumas. A diferença no século 21, no entanto, é que essa mensagem sem base científica é propagada e amplificada pela internet. O caso de Britt Marie Hermes ilustra o poder das redes. "Eu era curandeira. Vendia remédios naturais e tratamentos pseudocientíficos. Me identificava como médica naturopata", diz ela. Tudo começou com a experiência infeliz que ela teve com um médico que consultou para cuidar da sua psoríase. Ele a tratou com displicência e ela decidiu buscar alternativas. Na internet, se identificou com o que encontrou. Havia pessoas que estavam na mesma situação e tudo o que ela lia fazia sentido. Havia recomendações relacionadas a práticas saudáveis, como o consumo de produtos orgânicos. Nada controvertido. Por que seria um problema? Muita gente acaba imersa nesse mundo usando o mesmo raciocínio. Tudo parecia tão lógico que ela decidiu se dedicar profissionalmente ao tema. "No começo, eu era ingênua, achava que, se o site fosse bem feito, era confiável", recorda. Mas um dia, seu chefe, que estava tratando uma pessoa com câncer, comentou que usaria um remédio que vinha do exterior, mas não havia chegado. "Certamente o FDA (órgão do governo americano que fiscaliza alimentos e remédios) reteve, mas não tem problema", teria dito. Naquele dia, ela decidiu abandonar o trabalho que vinha fazendo até então. Atualmente, Hermes aproveita o potencial multiplicador da internet e se dedica a combater os "charlatães" que oferecem seus serviços na rede. O objetivo dela é "hackear" esses grupos usando palavras-chave e técnicas de marketing digital para que suas informações apareçam no topo das pesquisas do Google. Ela tem uma vantagem: sabe como esse mundo funciona, então, entende qual é a forma mais eficaz de chegar às vítimas em potencial na rede. Há também aqueles que se dedicam a expor as falhas dos "remédios" que não têm base científica. Este é o caso de Myles Power, químico por formação e youtuber cético nas horas vagas. O canal dele tem 126 mil inscritos e seus vídeos já foram vistos mais de 13 milhões de vezes. "Consegui desmentir as pessoas que dizem que a Aids não existe. Outra coisa é um creme chamado 'pomada negra', quem a promove garante que é capaz de curar o câncer. É uma substância que pode abrir buracos nas pessoas", explica Power. "Mas acho que a pior coisa que está circulando no momento, é a 'solução mineral milagrosa'. Basicamente, é cloro. E é vendida como uma cura para o autismo", diz o químico. Ele afirma que é muito fácil ganhar dinheiro com a venda de "poções mágicas", que são muito populares. "Existem aqueles que têm um problema de saúde e estão com medo porque não querem morrer antes do tempo. Querem se curar e acreditam que assim vão conseguir". Outro elemento que explica o sucesso dos charlatães, particularmente em relação aos grupos que se opõem às vacinas, é o fator emocional. E aqui, novamente, tanto a internet quanto as redes sociais desempenham um papel fundamental. "Se você vê um amigo fazendo referência a um assunto no Facebook, é mais provável que você perceba a informação como confiável e dê uma chance para saber do que se trata", explica Naomi Smith, socióloga digital da Federation University Australia. É assim que o ciclo se forma, os membros do grupo - seja qual for o procedimento, a ideia ou a cura de que estão falando - se reforçam mutuamente. E apesar de verem o tempo passar e que não está funcionando, "a maioria está convencida de que, antes de se sentir melhor, sua condição vai piorar", diz Hermes. Além disso, há um elemento tecnológico que os charlatães têm usado para atingir mais pessoas nas redes sociais: o algoritmo. "Muitos conseguiram enganá-lo. No Facebook, por exemplo, eles começam a compartilhar fotos de gatos, algo terno e adorável. Fazem isso nove vezes e no décimo post, dizem que a Aids não existe e que não é necessário usar camisinha porque não é real", explica Power. "O Facebook pensa nas pessoas que curtiram os nove primeiros posts, e mostra a elas o décimo. Aqueles que veem, clicam. Então, o Facebook começa a mostrar também posts relacionados àqueles que negam a existência da Aids". Assim, as pessoas acabam inseridas em um círculo em que todos estão convencidos de que aquilo é verdade e replicam ideias que não têm base científica. Além disso, elas têm convicção absoluta de que a mensagem é verdadeira. "Se você mexer com a tribo, eles vão te atacar", destaca Power. Embora seja verdade que controlar a estratégia do algoritmo é um desafio, não significa que seja impossível dar visibilidade à ciência na internet. Esse tipo de falsificação existia muito antes da chegada da internet. É um problema social que requer uma solução social.

 

Cientistas relatam segundo caso de cura do HIV após transplante

  • 06 Mar 2019
  • 07:08h

Pesquisadores dizem que um homem de Londres parece estar livre do vírus da Aids após um transplante de células tronco. É o segundo caso de sucesso, depois que o "paciente de Berlin", Timothy Ray Brown, foi curado há quase 12 anos.Tais transplantes são perigosos e falharam em outros pacientes. As novas descobertas foram publicadas online nesta segunda-feira (4) pela revista Nature. Os detalhes serão divulgados em uma conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas em Seattle. O paciente de Londres não foi identificado. Ele foi diagnosticado com HIV em 2003. O homem desenvolveu câncer e concordou com um transplante de células-tronco para tratar essa doença em 2016. Seus médicos encontraram um doador com uma mutação genética que confere resistência natural ao HIV. O transplante mudou o sistema imunológico do paciente de Londres, dando a ele a resistência do doador ao HIV, segundo a Associated Press. Publicamente, os cientistas ainda se referem ao caso como uma “remissão de longo termo” e alguns não garantem que o vírus não irá retornar ao organismo do paciente. Mas muitos especialistas chamam de cura, segundo o “New York Times”, com a ressalva de que é difícil saber como definir a palavra quando há apenas duas instâncias conhecidas. Embora afirmem que o transplante não é uma opção viável para o tratamento da Aids, médicos acreditam que o caso do paciente de Londres é um grande avanço. "Isso vai inspirar as pessoas que a cura não é um sonho", disse Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda, ao “NY Times”. "É alcançável."

Tem vacina para meningite meningocócica?

  • 04 Mar 2019
  • 16:06h

Há vacina para proteger contra a meningite meningocócica? Sim. Existem vacinas e são bastante eficazes. Vamos entender melhor.A meningite meningocócica é causada por uma bactéria chamada Neisseria meningitidis que é popularmente conhecida como meningococo. O meningococo tem 12 “tipos” diferentes, conhecidos como sorogrupos que são definidos por letras. Destes, 6 se destacam: A, B, C, W135, X e Y. Para nos proteger contra todos estes sorogrupos, existem hoje 3 vacinas: a que protege contra o meningococo C, contra o meningococo B e outra que nos protege dos ACWY. Nos últimos anos, o meningococo C foi o mais frequente no Brasil. Assim, com base nestes dados, esta vacina está contida no Programa Nacional de Imunização e é gratuitamente distribuída para todas as crianças. A primeira dose deve ser dada aos 3 meses de idade, a segunda aos 5 meses e uma dose de reforço depois de 1 ano de idade. Pode ser dada mais uma dose aos 4 anos. Aos 12-13 anos está indicado outro reforço. As vacinas ACWY e contra o meningococo B estão disponíveis em clínicas de imunização. A vacina ACWY segue o calendário da vacina contra o meningococo C, e a vacina contra o meningococo B deve ser dada em 3 doses ao longo do primeiro ano de vida, com intervalo de 2 meses entre as mesmas. Depois de 1 ano, deve-se fazer uma dose de reforço. Quem não fez as doses antes de 1 ano pode fazer 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas.

IMPORTANTE: os adolescentes são grupo de risco para meningite meningocócica e, por isso, devem receber as vacinas.

A meningite meningocócica se caracteriza pela inespecificidade com que os sintomas acontecem – no começo parece uma gripe com febre, mal-estar, vômitos e dor de cabeça – e pela rapidez com que o quadro evolui, com alto grau de letalidade. Em questão de horas a pessoa acometida pode morrer. Isso é que é o mais preocupante. O contágio pode se dar pelo ar; o que é igualmente relevante, pois basta estar no mesmo ambiente que a pessoa contaminada para ter uma chance de adoecer. Há alguns sinais de alerta para os quais devemos prestar atenção: a febre não necessariamente é alta. Pode ser baixa. Os vômitos em geral são em jato, como se saíssem “com força” do estômago. Dá muita dor de cabeça. As crianças ficam indispostas e sem vontade de fazer nada. Mais importante: podem surgir manchinhas arroxeadas pelo corpo. Este é um dos sinais de alerta mais significativos, pois significa que a doença está se disseminando e causando alteração na coagulação sanguínea. Meningite meningocócica é uma doença rápida e muitas vezes fatal. As vacinas são, de longe a melhor, mais segura e mais eficaz forma de proteção.

Biomédica alerta para bactérias em bebidas geladas no verão e carnaval: 'Gelo, só em casa'

  • 04 Mar 2019
  • 15:04h

Foto: Reprodução/EPTV

O alto consumo de gelo no período do verão e no carnaval deve vir acompanhado por um alerta contra doenças. É o que aponta Renata Araújo, biomédica de Campinas (SP). A especialista garante que, ao utilizar água inapropriada para formar o gelo, o risco da substância servir como abrigo para diversos tipos de bactérias é alto.Renata desmistifica a crença de que as bactérias não sobrevivem às baixas temperaturas quando congeladas. "Os micro-organismos apresentam um mecanismo de defesa muito eficaz. Quando a gente congela estes micro-organismos, a gente paralisa o processo de crescimento. Quando acontece o degelo, pode ocorrer a contaminação", explica. Segundo a biomédica, as patologias mais comuns são as doenças intestinais, viroses, febre e indisposição. "Na dúvida, é melhor evitar. Gelo, só em casa e com os cuidados de higienização", completa. Os cuidados, de acordo com a especialista, precisam começar dentro de casa. Antes de colocar a água no freezer, é necessário lavar as mãos antes de manusear a água e lavar bem as formas onde ficará o gelo.

O que é a meningite meningocócica, doença que vitimou o neto de Lula

  • 02 Mar 2019
  • 08:10h

Foto: Reprodução/Facebook

Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu nesta sexta-feira vítima de meningite meningocócica. Arthur deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, às 7h20 desta sexta-feira com "quadro instável" e morreu às 12h11 "devido ao agravamento do quadro infeccioso", segundo a assessoria da Rede D'Or São Luiz, da qual o hospital faz parte. Arthur era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017, e do ex-presidente Lula.A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por diversos agentes infecciosos (bactérias, vírus ou fungos).A meningocócica é uma meningite bacteriana e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em 2017, no mesmo período, foram 1.138 e 266, respectivamente. Em relação à meningite pneumocócica, foram 1.030 ocorrências e 321 mortes em 2017, e 934 e 282 em 2018. As meningites causadas por outras bactérias somaram 2.687 notificações e 339 óbitos em 2017, e 2.568 e 316 em 2018. No caso da viral, o governo registrou 7.924 casos e 107 mortes em 2017. No ano passado, foram 7.873 e 93. Já meningites com outras causas contabilizaram 796 ocorrências e 169 óbitos em 2017, e 624 e 122 em 2018. O ministério disse em nota que, no Brasil, "a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais". O órgão complementou que a incidência da meningite bacteriana é mais comum no período outono-inverno, e da viral, na primavera e no verão.

Brasil é o 3º país com maior alta nos casos de sarampo; Unicef alerta para ameaça às crianças

  • 01 Mar 2019
  • 10:11h

Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação

O Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas (Unicef) alertou nesta quinta-feira (28) para uma alta nos níveis de infecção por sarampo em todo o mundo. Dez países são responsáveis por 74% do aumento dos casos da doença entre 2017 e 2018, com destaque para Ucrânia, Filipinas e Brasil – em primeiro, segundo e terceiro lugar. Em todo o mundo, 98 países reportaram mais casos da doença em 2018 do que em 2017. A Ucrânia, que registrou mais de 35 mil casos no ano passado, já registra 24.042 novas infecções nos dois primeiros meses de 2019. Nas Filipinas ocorre a mesma situação: já são 12.736 casos neste ano, contra 13.192 em 2018. "Esse é um alerta. Temos vacinas seguras, eficientes e baratas contra essa doença tão contagiosa – vacinas que têm salvado quase um milhão de vidas por ano nas duas últimas décadas", afirma Henrietta H. Fore, Diretora-Executiva do Unicef."Esses casos não apareceram da noite para o dia. Assim como os sérios surtos que estamos no momento tiveram início em 2018, a falta de ações hoje trará consequências desastrosas para as crianças amanhã", completou.

Ministério da Saúde anuncia mudança na compra de medicamentos

  • 28 Fev 2019
  • 08:07h

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou nesta quarta-feira (27) uma nova modalidade de compra de medicamentos de alto custo ou destinados ao tratamento de doenças raras.A pasta passará a adotar o chamado compartilhamento de risco com as indústrias farmacêuticas. Nessa modalidade, o governo só irá pagar pelo medicamento se houver melhora do paciente. O ministro fez o anúncio ao participar de uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem ao dia mundial das doenças raras, celebrado no último dia do mês de fevereiro. “Incorpora-se o medicamento, faz-se a seleção dos pacientes objeto daquele medicamento e compartilha-se o risco. Se funcionar, continua o programa. De tempos em tempos, tem que ser reavaliado. Se não funcionar, o laboratório em questão devolve o dinheiro. Então, nós estamos usando pela primeira vez o compartilhamento de risco com essa medicação, que a gente acha que é um marco para o nosso sistema de saúde”, afirmou Mandetta. A aplicação da nova modalidade para compras de remédios será avaliada caso a caso de acordo com o ministro. Os remédios que hoje já são comprados pelo ministério continuam a ser adquiridos pelo modelo anterior. Segundo o ministro, o primeiro remédio a ser adquirido pela nova modalidade será o Spinraza, usado para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença degenerativa de origem genética. A expectativa do ministro é que até o fim de março o medicamento já esteja disponível. O objetivo da nova modalidade, segundo Mandetta, é liberar o fornecimento do medicamento de alto custo, mas, ao mesmo tempo, garantir que não tenham uso desnecessário.

Primeiro medicamento

No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão do Ministério da Saúde, rejeitou o fornecimento do Spinraza pela rede pública por entender que o produto não tinha eficácia comprovada em todos os subtipos da doença, mas apenas em um deles. O ministro explicou que, com a nova modalidade de compra, a ideia é liberar o fornecimento do medicamento, mas o laboratório será responsável por monitorar que apenas os pacientes para os quais há indicação o recebam. "O laboratório não vai querer entregar o medicamento para um subtipo que ele sabe que, eventualmente, não funcione", afirmou. "No modelo anterior, depois que incorporou, cabe ao ministério pagar e não tem nenhum monitoramento [da eficácia]", disse. Segundo o ministro, a nova modalidade a ser adotada pelo Brasil já é aplicada em outros países.

Estudos apontam relação de imunidade entre Zika e Dengue

  • 27 Fev 2019
  • 10:06h

(Foto: Divulgação)

Dois estudos liderados por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), divulgados em fevereiro, apontam que quem se cura da dengue tem chances de se tornar imune à zika e quem escapa da zika pode adquirir também imunidade à dengue. Conforme a instituição, os estudos foram baseados em evidências a partir de coletas realizadas em Salvador, e os resultados foram publicados em revistas científicas internacionais. Zika e dengue são arboviroses transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, ambas provocadas por vírus “primos”, do tipo flavivirus. Ambos estudos foram subsidiados por evidências coletadas no bairro do Pau da Lima, na periferia da capital baiana, foco do surto de zika registrado em 2015, e fazem parte do conjunto de pesquisas lideradas pela Ufba e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA).

Testes

Um dos artigos foi publicado na Science, sob o título “Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region” (em tradução livre, Impacto da imunidade pré-existente à dengue na emergência do vírus zika numa região endêmica de dengue). O artigo propõe a tendência de imunização contra a zika após a dengue. Integram o grupo internacional e multidisciplinar de autores do artigo os professores Federico Costa – que liderou a pesquisa de campo, base do estudo – e Guilherme Ribeiro, ambos do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), e Mittermayer Reis, da Faculdade de Medicina, além dos doutorandos Nivison Nery Júnior e Daiana De Olivera. O artigo publicado pela Science apontou que amostras de sangue de pacientes que já haviam contraído dengue, coletadas antes do surto da zika, em março de 2015, reagiram positivamente a testes que detectam a presença de anticorpos que protegem contra a zika. Contudo, segundo o professor Federico Costa, essa imunização variou conforme a quantidade de anticorpos contra a dengue encontrados nas amostras. “Quanto mais anticorpos de dengue encontrados, menor a chance de infecção por zika”, afirmou. O estudo traz ainda outros dois dados importantes. Primeiro, confirma incidência de aproximadamente 73% do vírus da zika nas 1.453 amostras colhidas na localidade, com uma variação de 29% a 83% do alcance da doença, a depender da área do bairro. Ou seja, pelo levantamento, é provável que mais de 7 de cada 10 moradores do bairro tenham contraído zika no surto de 2015. E, segundo, confirma que quem se curou da zika adquiriu imunidade contra a doença. Um ano antes, em fevereiro de 2018, o artigo “Does immunity after Zika virus infection cross-protect against dengue? ” (A imunidade após o vírus Zika protege também contra a dengue?), publicado no periódico The Lancet Global Health, havia proposto a tendência inversa, com base nas evidências de que, após o surto de zika, em 2015, houve uma queda significativa na incidência de dengue em Salvador. O autor principal foi Guilherme Ribeiro, da UFba, e ainda o assinavam os professores Mittermayer Reis e Gúbio Soares (ISC). O artigo havia mostrado uma significativa queda de casos de dengue após o surto de zika de 2015. Das 1.937 amostras de pacientes com febre aguda colhidas antes do surto, entre janeiro de 2009 e março de 2015, 484 (25%) eram casos de dengue. Nas 1.334 amostras colhidas após o surto, entre abril de 2015 e maio de 2017, apenas 43 (3%) eram casos de dengue. Ainda conforme o estudo, na análise estendida a dados coletados pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, em que se tem um total de 40.904 pacientes cujos testes deram positivo para dengue num período de pouco mais de 8 anos, isto é, de janeiro de 2009 a maio de 2017, verificou-se que, se a incidência da dengue era de 31% da amostra antes do surto de zika de 2015, ela caiu para 8%, após o surto. Segundo o estudo, os dados disponíveis “sugerem que as infecções pelo vírus zika podem induzir imunização cruzada contra o vírus da dengue”, mas os pesquisadores afirmam que ainda é necessário mais estudos para comprovar definitivamente a hipótese.

Bahia emite alerta sobre aumento de 301% nos casos de Dengue em 2019

  • Ascom I Sesab
  • 23 Fev 2019
  • 11:03h

(Foto: Divulgação)

O número de casos de Dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, cresceu 301,4% em 2019, se comparado ao mesmo período de 2018. Até o dia 16 de fevereiro desse ano foram notificados 3.725 casos em 123 municípios. O município de Feira de Santana lidera com 1.520 registros e quatro óbitos. Outros dois óbitos foram confirmados, sendo um em Salvador e outro em Candeias. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) solicita que os municípios realizem mutirões de limpeza, com atividades de vistoria e remoções de focos do vetor nas residências, juntamente com caminhadas de conscientização e distribuição de materiais informativos. O governo da Bahia já distribuiu 7.400 kits para serem utilizados pelos agentes de controle de endemias dos 417 municípios. Com investimento superior a R$ 2,6 milhões, cada kit é composto de 26 itens, como pesca larva, pipetas de vidro, tubos de ensaio, álcool, esponja, lanterna de led recarregável, bacia plástica, dentre outros materiais. “Os agentes de controle de endemias têm um papel fundamental na eliminação de focos do Aedes aegypti, pois na visita aos imóveis, eles eliminam criadouros, orientam moradores e realizam mobilizações”, afirma o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas. O titular da pasta estadual da Saúde ainda ressalta que “construir uma estratégia agressiva de combate ao mosquito e controle dos agravos é fruto de um esforço conjunto do poder público, empresas e sociedade em geral, visto que mais de 80% dos focos estão dentro das casas”. A distribuição desses kits se configura como um apoio essencial aos municípios, considerando que a maioria tem dificuldades para aquisição de bens e equipamentos, bem como escassez de recursos. “Os materiais e equipamentos adquiridos pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) são todos padronizados pelo Ministério da Saúde”, destaca o secretário. O primeiro sintoma da Dengue é a febre alta, entre 39° e 40°C. Tem início repentino e geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira no corpo. Também pode haver perda de peso, náuseas e vômitos. A população deve procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. Além do diagnóstico clínico, a equipe de saúde pode utilizar o teste rápido Dengue IgG / IgM da Bahiafarma, que foi o primeiro do gênero desenvolvido por um laboratório público brasileiro a obter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O dispositivo detecta tanto anticorpos para infecções ativas (IgM), quanto para infecções anteriores (IgG), auxiliando no correto tratamento dos casos. Realizado com uma pequena amostra de sangue, o teste fornece o resultado em até 20 minutos. O produto é comercializado para o Ministério da Saúde e distribuído para todo o País.

Carnaval

Nos dias que antecedem a folia momesca, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado está realizando a pulverização de inseticida (UBV) com carros fumacê nos circuitos Dodô e Osmar. O trabalho será iniciado hoje (22) e terá dois ciclos, com intervalo de três dias. Após o Carnaval, a partir do dia 11 de março, também será aplicado o fumacê, com dois ciclos e intervalo de três dias. O objetivo desse trabalho é o controle do mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya e que pode também ser vetor para transmissão da febre amarela.