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Papa Francisco nomeia primeiro cardeal afro-americano

  • Bahia Notícias
  • 29 Nov 2020
  • 15:50h

Foto: Vatican Media / Fotos Públicas

O papa Francisco empossou, nesse sábado (28), 13 novos cardeais. Um deles é o primeiro afro-americano a ocupar o cargo, o que, de acordo com a agência Reuters, amplia a influência do pontífice no grupo que elegerá seu sucessor.

Segundo a publicação, os cardeais foram empossados em uma cerimônia conhecida como consistório, que foi reduzida em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Desta vez, apenas 10 convidados foram permitidos na Basílica de São Pedro - geralmente, o evento recebe milhares de pessoas.

Dos 13 cardeais que tomaram posse, nove tem menos de 80 anos e são elegíveis, segundo as leis da Igreja, para entrar em um conclave secreto que vai escolher o próximo papa entre eles. Isso vai acontecer quando Francisco morrer ou renunciar. 

Ao longo de seu mandato, o papa já nomeou 18 cardeais de países que nunca tiveram um. No caso do consistório de ontem, por exemplo, Brunei e Ruanda tiveram seus primeiros cardeais. A agência ressalta que a diversidade de países no grupo cresceu desde que o latino-americano Francisco se tornou o pontífice.

Abrace essa Causa: ‘Projeto O Bom Samaritano’ ajudando quem mais precisa em Brumado

  • Divulgação
  • 24 Nov 2020
  • 12:43h

(Divulgação)

Projeto “O Bom Samaritano”, e uma realização do Ministério de Jovens da Igreja Missões do Evangelho Pleno (IMEP), em Brumado, e tem objetivo de arrecadar alimentos e materiais de limpeza para ajudar instituições e famílias carentes do município. Abrace essa Causa! Você que queira contribuir com o projeto pode entrar em contato no telefone (77) 99839-6560.

'Exu corona' e terreiro queimado escancaram intolerância religiosa na pandemia

  • FolhaPress
  • 04 Nov 2020
  • 16:27h

Foto: Reprodução / Veja

Do pastor que culpa "exu corona" por seus males à vizinha que esparrama óleo ungido na oferenda, nem na pandemia a intolerância religiosa deu trégua. Pelo contrário, líderes de crenças afrobrasileiras dizem que o isolamento social acirrou o clima de ódio. Só está mais difícil quantificá-lo, já que a quarentena dificultou o monitoramento dos ataques. "A pandemia tem aumentado a ansiedade das pessoas, e os conflitos religiosos têm subido junto. Briga de vizinhos, ou algumas casas que continuam sendo agredidas. E cresce também na internet", diz o babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. "Mas o quantitativo não dá pra perceber porque as pessoas que nos procuram têm mostrado dificuldade de fazer boletim de ocorrência online", afirma. "Claro que os idosos têm mais dificuldade." Justamente o maior grupo de risco na crise da Covid-19, mais temeroso de enfrentar uma delegacia possivelmente cheia.

Leo Ty Logun Ede, o pai Leo, com três décadas no candomblé, decidiu encarar após seu terreiro em Jacarepaguá (zona oeste do Rio) sofrer um atentado no dia 5 de outubro. Foi à 32ª Delegacia de Polícia denunciar uma vizinha que, segundo ele, jogou óleo ungido sobre uma oferta aos orixás que ele deixou em frente à casa de culto.

"Cantei, louvei e despachei o padê, como a gente chama, que era farinha com fubá, mel, azeite doce e dendê", conta. "Este pessoal da igreja estava lá na esquina. Berravam 'casa do Satanás'. Podiam gritar o que quisessem, era na rua."

Uma mulher, então, tascou óleo no despacho, e outra se apresentou como perita policial e disse que poderia dar voz de prisão a ele, afirma Leo. "Se é, não deveria nem deixar fazer isso, que é intolerância religiosa. Você é estudada", o pai de santo reproduz o que devolveu à suposta autoridade.

Segundo a Polícia Civil, a mulher que se identificou como perita não o é nem faz parte dos quadros da corporação.

Outra queixa constante é o preconceito com terreiros em cidades onde decretos municipais incluíram serviços religiosos entre as atividades essenciais. "A gente nem recebia mais público, éramos só mães e filhas de santo, todas de máscara e distantes. Mesmo assim, a polícia bateu aqui duas vezes. Pergunta se foram lá [na Assembleia de Deus vizinha]", ironiza uma ialorixá que prefere ocultar o nome.

Festas maiores é melhor evitar mesmo, afirma Antonio Basílio Filho, diretor jurídico do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras. "Nossas entidades cumprimentam corpo a corpo. Pretos-velhos são idosos, falam no pé do ouvido. Se tivermos alguém assintomático, vai infectar a maioria do pessoal."

É exu, "nosso guardião, a entidade que nos protege na terra", que desencadeia as reações mais raivosas, sobretudo de evangélicos. Boa parte do segmento estigmatiza elementos da fé afrobrasileira, percepção incentivada por títulos como "Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?", de Edir Macedo.

Um dissidente da igreja do bispo, a Universal do Reino de Deus, foi o responsável por soltar o "exu corona" na TV. Seria o responsável pelo atraso no aluguel de templos de sua igreja, a Mundial do Poder de Deus, disse o apóstolo Valdemiro Santiago --o mesmo que vendia sementes de feijão, até R$ 1.000 cada, alegando falsamente que o cultivo delas traria a cura da Covid-19.

Um caso simbólico ocorreu na Bahia. No 15 de julho, um sujeito foi até a praça de Salvador onde fica um busto de mãe Gilda e o vandalizou. "Mesmo em tempo de afastamento social, temos vivido muitos ataques. Jogou pedra, jogou vidros, disse que em nome de Deus tinha que arrebentar [a estátua]", diz mãe Jaciara dos Santos, filha da mãe de santo morta em 2000.

Gildásia dos Santos e Santos, a mãe Gilda de Ogum, morreu de coração partido. Infartou aos 65 anos. A saúde andava frágil desde o ano anterior, quando o jornal da Igreja Universal publicou sua foto sob o título: "Macumbeiros charlatões lesam a Bolsa e a vida dos clientes -o mercado da enganação cresce no Brasil, mas o Procon está de olho".

Evangélicos de outra igreja chegaram a invadir o terreiro para tentar exorcizar a mãe de santo. Em 2007, a data de sua morte, 21 de janeiro, virou marco: o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa.

A empresa que se recusou a limpar a vitrine de uma loja de artigos de umbanda e candomblé, a VR Style African. A vizinha que subiu na escada com um pedaço de bambu e quebrou peças sagradas de um terreiro. Ou o pai de santo que visitou a casa, de recesso desde a pandemia, e a encontrou em chamas.

"A baixa frequência nos templos acabou se convertendo em oportunidade para os ataques, como o incêndio ocorrido, no mês de setembro, num terreiro de umbanda em Nova Iguaçu, na baixada fluminense", diz Lúcia Xavier, coordenadora da ONG Criola.

"Só em 2019, cerca de 200 terreiros foram fechados por conta das ações de violência. As medidas restritivas de prevenção não podem ser usadas como brecha para a livre atuação dos intolerantes." Um outro tipo de vírus, não menos perigoso.

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Luto na Música Gospel: Morre Ricardo Leitte, vítima da Covid-19

  • Redação
  • 03 Nov 2020
  • 16:25h

(Foto: Divulgação)

Morreu na tarde desta segunda-feira (2) o cantor evangélico Ricardo Leitte, vítima do novo coronavírus. O cantor lutava contra a doença desde outubro.

O artista deu entrada em um hospital de São Paulo com o diagnóstico de Covid-19 no dia 15 de outubro. Sete dias depois, sua equipe de assessoria começou a pedir orações e informar no perfil oficial do cantor, no Instagram, atualizações sobre seu quadro de saúde.

O mesmo perfil foi utilizado para anunciar a morte do artista. Na publicação, a assessoria escreveu que, embora a dor da partida precoce de Ricardo seja sentida, “o céu está em festa e Deus está sendo adorado por esse servo e homem de Deus.” O cantor estava com 70% do Pulmão tomado pelo vírus.

Ricardo Leitte era amigo de Andressa Urach e, segundo a modelo, chegou a escrever uma música para ela. A modelo lamentou sua morte nas redes sociais e aconselhou seus seguidores a aceitar Jesus.

A vida é um sopro. Por isso perdoe, ame e aceite Jesus em vida, porque no dia da nossa morte, Ele (Jesus) vai estar la? para nos defender! – Escreveu Urach.

Padre Fábio de Melo defende casamento de homossexuais em live no Instagram

  • Redação
  • 02 Nov 2020
  • 10:27h

(Foto: Reprodução)

O padre Fábio de Melo defendeu a união civil entre casais homossexuais, ao ser questionado sobre a posição do Papa Francisco, que recentemente defendeu o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A declaração foi dada durante uma live realizada na última quinta-feira (29), o  

“Em 2013, eu dei uma entrevista e fui execrado pela ala mais conservadora da Igreja Católica. A união entre duas pessoas do mesmo sexo não é uma questão religiosa, é uma questão civil. É um direito. Sempre considerei uma injustiça e não cabe a mim julgar, não cabe a mim impor regras religiosas ao outro. A questão é do Estado”, disse o padre durante a conversa com o empresário Marcus Montenegro. 

Fábio de Melo também relembrou uma amizade que mantinha com a travesti Luana Muniz, que conheceu na quadra da Mangueira, em 2015. Luana era ativista LGBTQIA+. Ela morreu aos 56 anos, em 2017, devido a problemas renais e de coração. "A Luana foi uma grande amiga e eu sofri quando ela morreu. Temos que acolher os que precisam de nós. Não temos que fazer a essa pergunta: "O que você faz da vida". Eu não quero essa religiosidade. Eu rompi com isso num determinado momento da minha vida. Sofro muito por causa desses rompimentos, mas eu me sinto cada vez mais confortável. Eu quero estra num lugar em que eu acredito ser um lugar da minha verdade. E não me sinto melhor que ninguém. Eu não quero ser hipócrita e ficar impondo ao outro fardos que eu não resolvi dentro de mim", declarou. 

 

Também na conversa, o padre contou sobre seu contato com arte. “Quando eu ainda era menino, eu já gostava muito de escrever. Tenha um apresso enorme pelos autores. Eu era um menino muito pobre e não tínhamos nem televisão direito em casa. Então, o livro foi o meu primeiro lugar de redenção. Mas paralelo a isso, a minha casa sempre foi muito musical. Tinha uma influência da minha mãe que sempre gostou muito de Música Popular Brasileira e o meu pai com a música sertaneja. Mas eu nunca planejei uma carreira artística, mas ela aconteceu. nunca bati na porta de gravadora. Alguém o fez por mim". 

Urach compara Igreja Universal a prostituição: ‘Me senti um objeto descartável’

  • Redação
  • 30 Out 2020
  • 17:33h

Diagnosticada com o transtorno de personalidade borderline, Andressa descarta voltar a vida de promiscuidade que levava antes de ir para a Igreja | Foto: R7

A influenciadora digital e modelo Andressa Urach retornou as origens e resolveu falar sobre a sua experiência dentro da Igreja Universal. Em um longo desabafo nas redes sociais, a ex-A Fazenda, uma das participantes mais marcantes do reality show, e ex-garota de programa, revelou que pegou ranço da igreja, local que procurou logo após enfrentar dificuldades e se ver perto da morte após ter problemas na aplicação de hidrogel, em 2014.

Andressa retomou a carreira que estava paralisada desde o dia que resolveu se dedicar apenas a igreja por necessidade de fazer dinheiro. “Gente, eu não escondo nada de ninguém. Nos últimos meses passei por uma decepção tão grande, que não consegui nem estudar, vou ter que trancar a faculdade de jornalismo, pois não tenho cabeça para pensar sobre isso. Dediquei meus últimos seis anos da minha vida para Jesus, como todos sabem, mas acabei me sentindo como um objeto descartável, nunca me senti assim, nem no tempo da prostituição”, disse.

Diagnosticada com o transtorno de personalidade borderline, Andressa descarta voltar a vida de promiscuidade que levava antes de ir para a Igreja. A modelo contou que voltou a ter crises depois de deixou de frequentar a Universal. “Enquanto estava na igreja, estava tudo sob controle, mas agora que não estou mais indo na igreja, voltei a tomar uns remédios para me acalmar e controlar minhas crises de ansiedade, que voltaram nessa segunda-feira. E preciso controlar minha impulsividade e, principalmente, a minha raiva! Sei que Jesus não tem nada haver com isso e a obra de Deus é feita por pessoas falhas. Fui excluída de grupos fazendo eu me sentir como se eu tivesse ‘demônios’ por deixar de fazer parte da instituição. Se eu falasse tudo que aconteceu comigo nesses últimos anos, vocês se escandalizariam e eu teria virado ateia. Amo a igreja, mas não consigo mais ir à igreja, peguei ranço”.

A modelo tentou reaver o dinheiro investido na Igreja por meio de doações, mas não conseguiu receber nada. “Conversei amigavelmente com a igreja para eles me devolverem as doações que fiz nos últimos anos, mas infelizmente não tive retorno ainda, não queria entrar na justiça.”

René Kivitz fala em “atualizar a Bíblia” para acolher homossexualidade

  • Gospel Prime
  • 27 Out 2020
  • 10:50h

Pastor da Igreja Batista de Água Branca rejeitou inerrância bíblica | (Foto: Reprodução/YouTube

Em uma pregação na Igreja Batista de Água Branca no último domingo (25), Ed René Kivitz, que se apresenta como teólogo e pastor, negou a doutrina na inerrância da Bíblia e afirmou que ela precisa ser “atualizada” para que gays deixem de ser condenados ao inferno.

Falando em uma série chamada “Cartas para um novo mundo”, Kivitz profere diversas críticas a respeito dos textos bíblicos, afirmando que a Palavra de Deus é “insuficiente”. Partindo do minuto 41 do vídeo, ele diz que este é o grande desafio da igreja contemporânea, “olhar a Bíblia como um livro insuficiente”.

“Vou repetir: olhar a Bíblia como um Livro insuficiente, um Livro que precisa ser relido, ressignificado, para que os princípios de vida que este Livro encerra, e que essa revelação encerra, que estes princípios de vida, eles saltem destas páginas promovendo libertação e justiça”, disse.

Ed René Kivitz começa então a defender uma atualização das Escrituras, afirmando que isso é necessário para enfrentar até mesmo os “pecados de gênero” da sociedade. Sugerindo então que a homossexualidade precisa ser aceita.

“Se queremos ser cartas para o novo mundo, se a Igreja quer ser cartas para o novo mundo, nós vamos precisar atualizar a Escritura e vamos ter de fazer essa atualização e ter essa coragem de enfrentar os pecados de gênero”, disse.

O “teólogo” também sugeriu que os gays não deveriam mais ser condenados ao inferno por causa de “dois ou três textos bíblicos que não foram atualizados”. “Nós vamos ter de ter coragem de enfrentar isso”, disse.

Assista:

Silas Malafaia passa a chamar governo de ‘vergonhoso’ após ser escanteado por Bolsonaro

  • Redação
  • 06 Out 2020
  • 09:30h

Presidente tem ignorado sugestões do pastor, que se irritou após escolha de um católico ao invés de um evangélico para cargo no STF | Foto: Reprodução/YouTube

Com suas sugestões sendo frequentemente ignoradas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o pastor Silas Malafaia passou a criticar fortemente o governo. Sua última indignação foi referente à indicação para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Malafaia enviou uma lista tríplice de candidatos para Bolsonaro, todos “terrivelmente evangélicos”. Entretanto, o presidente optou por um católico, o desembargador Kassio Marques. O pastor tem sido escanteado desde o início do governo. Chegou a indicar o procurador-geral da República Guilherme Shelb para chefiar o Ministério da Educação (MEC), mas não teve sua sugestão considerada. Apesar das investidas sem sucesso, Malafaia continuava defensor fiel de Bolsonaro. Entretanto, desde a indicação de Kassio, mudou a postura e vem postando vídeos nas redes sociais criticando o governo e chamando o ato do presidente de “vergonhoso”. As informações são da coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Liberdade religiosa retorna ao Supremo com sábado sagrado

  • Informações da Folha
  • 05 Out 2020
  • 06:48h

(Foto: Reprodução)

A liberdade religiosa voltará à agenda do STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 14 de outubro. São dois casos inseridos na pauta pelo novo presidente da corte, Luiz Fux, e ambos decidem se o Estado deve oferecer uma alternativa a quem, por causa de sua fé, não pode exercer atividades aos sábados. Um deles, que está no tribunal desde 2017 e sob relatoria de Edson Fachin, trata de uma servidora que “cometeu 90 faltas injustificadas durante o período de estágio probatório, em razão de suas convicções religiosas”. É uma professora adventista dispensada, segundo o processo, dentro dos três anos em que a pessoa que passou no concurso público está em fase de teste. A docente foi reprovada por não aceitar dar aulas entre o pôr do sol das sextas-feiras e dos sábados.

 

Para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, atividades seculares (extrarreligiosas) devem ser interrompidas nesse horário, já que a denominação “reconhece o sábado como sinal distintivo de lealdade a Deus”.

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou o mandado de segurança que a professora pleiteou, sustentando que: 1) o servidor não tem direito de estabilidade no estágio probatório; 2) o Estado não pode conceder privilégios “que indiquem preferência dos responsáveis pela condução dos negócios públicos em favor desta ou daquela orientação religiosa”.

A defesa afirma que a docente não pediu para deixar de trabalhar, e sim para cumprir horários alternativos, e que exonerá-la por professar sua fé afronta a Constituição.

O segundo caso, que tem Dias Toffoli como relator, discute se é possível realizar uma etapa de concurso público “em horário diverso daquele determinado pela comissão organizadora do certame por força de crença religiosa”.

A história, aqui, aconteceu em Manaus, com um candidato a cargo público que pediu para fazer uma prova de capacidade física num domingo, e não no sábado programado para os concorrentes.

Em 2011, Toffoli disse sobre a discussão: “Tem o potencial de repetir-se em inúmeros processos, visto ser provável que sejam realizadas etapas de concursos públicos em dias considerados sagrados para determinados credos religiosos, o que impediria, em tese, os seus seguidores a efetuar a prova na data estipulada”.

Há dez anos no STF, o processo propõe dilema judicial semelhante: o que vem primeiro, o princípio de igualdade (todos os cidadãos receberem tratamento isonômico no serviço público) ou a “inviolável liberdade de crença” citada na Constituição (o respeito ao sábado sagrado, para adventistas)?

“A conquista por horários alternativos está relativamente consolidada na prática nacional. Vejamos, por exemplo, o que acontecia com os participantes do Enem que requeriam essa providência. Cremos que o STF caminhará nesta direção”, diz à Folha o advogado Antonio Carlos Junior, autor de “Manual Prático do Direito Religioso”.

“Qualquer indivíduo que queira ingressar no serviço público em função que, pelo horário, viole suas crenças deve optar entre o sustento próprio e de sua família e o exercício da crença”, afirma Antonio Carlos. “Absurdamente ilógico, ainda mais em tempos em que o Estado tem se adaptado às novas roupagens laborativas, incluindo jornadas integrais em home office.”

É dele um artigo sobre o tema publicado pelo Gospel Prime, um dos maiores portais evangélicos do Brasil. São temas que abrangem várias religiões e vêm sendo seguidos com lupa por evangélicos.

Estão na fila do Supremo, por exemplo, ações contra leis estaduais (Mato Grosso do Sul e Amazonas) que obrigam o poder público a manter uma Bíblia nas bibliotecas e escolas estaduais. Outra: o debate sobre eventual “proibição de uso de hábito religioso que cubra a cabeça ou parte do rosto em fotografia de documento de habilitação e identificação civil”.

A advogada constitucionalista Vera Chemin lembra de outro recurso que está na sala de espera do STF: se alguém pode recusar transfusão sanguínea por motivos religiosos. O caso concreto é o de uma testemunha de Jeová que solicitou tratamento alternativo que não era realizado pela rede pública.

A religião proíbe o procedimento por levar ao pé da letra passagens bíblicas nas quais Deus nos ordena a se abster de sangue.

É um tema “extremamente controvertido, ao contrapor a liberdade religiosa e o dever do Estado de assegurar a prestação de saúde universal e igualitária”, diz Chemin. “Ou seja, saber se o exercício da liberdade religiosa justifica o custeio de tratamento de saúde pelo Estado.”

Um bom termômetro de como a corte costuma enxergar o assunto, segundo a advogada: em 2017, por 6 votos a 5, os ministros decidiram que os professores de escolas públicas podem pregar suas crenças na sala de aula.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pleiteava que o ensino religioso na rede pública não fosse vinculado a uma religião específica, vedando a admissão de professores que representassem algum credo —como um padre ou pastor.

“Privilegiou-se o binômio laicidade/liberdade religiosa, ratificando o modelo religioso confessional em caráter facultativo para os alunos”, afirma Chemin.

A liberdade religiosa entrou no rol de julgamentos que o STF reconhece como históricos. No epicentro, um bispo excomungado em 1945, dom Carlos Duarte Costa, que acusou o papa da época, Pio 12, de ser omisso ante os crimes do nazismo.

Quatro anos depois, dom Carlos e sua Igreja Católica Apostólica Brasileira, que fundou como dissidência da matriz romana, foram à corte. “Por ato ilegal e violento da polícia”, diziam que não conseguiam realizar missas. O Supremo ficou ao lado do Estado, alegando que os ritos da versão brasileira se confundiam com os da Santa Sé.

Um único ministro, Hahnemann Guimarães, viu ali um atentado contra a liberdade religiosa. Disse em seu voto: “É este princípio fundamental da política republicana, este princípio da liberdade de crença, que reclama a separação da Igreja do Estado e que importa, necessariamente, na liberdade do exercício do culto”.

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Pai de Santo consegue primeira vitória contra Netflix

  • MF Press Global
  • 29 Set 2020
  • 08:10h

Babalorixa Alexandre Montecerrath conquistou a primeira vitória contra o Netflix na 26ª Vara Cível do Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

O processo que o pai de santo Babalorixa Alexandre Montecerrath move contra a produtora do programa Porta dos Fundos e o Netflix teve a primeira decisão nesta semana. A juíza Rosana Simen Rangel, da 26ª Vara Cível do Rio de Janeiro, determinou a isenção de custas processuais para o centro de umbanda Ilê Asé Ofá de Prata em favor do seu representante no processo. Segundo o advogado Anselmo Ferreira Melo Costa, que representa juridicamente o pai de santo do centro de umbanda no processo, a isenção das custas processuais garante o livre acesso à justiça num estado democrático de direito eis que foi comprovado sua hipossuficiencia no processo. A ação foi impetrada após a exibição do especial de Natal que o Porta dos Fundos fez para a Netflix. De acordo com o pai de santo, o programa trouxe aos espectadores religiosos “um enredo totalmente desrespeitoso, haja vista que, adultera totalmente a história de Jesus perante a todas religiões que o cultuam, eis que traz uma roupagem sexual, palavras de baixo calão, apologia às drogas e, dentre outras coisas que ironizam e debocham com a fé alheia”. O referido filme traz uma imagem de Jesus Cristo homossexual, que faz uso de chás alucinógenos e que, ainda, tem dúvida quanto ao seu dever como filho de Deus. O pai de santo Babalorixa Alexandre Montecerrath, que representa o centro de umbanda Ilê Asé Ofá de Prata, pede indenização de R$ 1 bilhão não para ele, mas sim para todas instituições religiosas comprovadamentes carentes contra a produtora do programa e contra a plataforma de streaming alegando que a atração é uma “afronta aos valores religiosos” e, por se sentir ofendido, quer ver prevalecer  o valor por danos morais e também exige que o título seja retirado do ar.

A tradição de Cosme e Damião

  • Redação
  • 26 Set 2020
  • 11:44h

(Foto: Reprodução)

Nos dias 26 (para os católicos) e 27 de setembro (para o Candomblé e a Umbanda), comemora-se o Dia de Cosme e Damião. Eles eram dois irmãos gêmeos que eram médicos e viveram na Ásia Menor. Ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro.

Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Na religião católica, o dia 26 de setembro lembra os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo.

Eles são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina. “Não são as mesmas figuras, mas em ambas são irmãos com histórias de vida muito parecidas”, explica Pai Nino D Osumarê, da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e do Entorno.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis.São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Na Igreja Ortodoxa, os santos são celebrados no dia 1º de novembro. Já os ortodoxos gregos comemoram em 1º de julho.

São Cosme e Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.

Evangélicos se queixam de ministro da Educação por falta de compromisso com o segmento

  • Redação
  • 25 Set 2020
  • 08:01h

Foto: Isac Nóbrega/PR

A bancada evangélica está insatisfeita com a atuação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, e decidiram reportar o incomodo para outro ministro, André Mendonça, que é chefe do Ministério da Justiça. Considerado padrinho do ex-reitor do Mackenzie no governo, André ouviu dos evangélicos que eles não gostaram da entrevista que Ribeiro concedeu ao portal UOL. O que causou irritação foi o ministro da Educação ter dito não representar nenhum grupo, “nem mesmo o evangélico”. Ribeiro e Mendonça são presbiterianos. As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Bolsonaro veta perdão a dívidas de igrejas, mas defende que Congresso derrube veto

  • Redação
  • 14 Set 2020
  • 08:17h

Foto: Reprodução Twitter Igreja Universal

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atendeu à recomendação do ministro Paulo Guedes e vetou parte do dispositivo que concedia anistia em tributos a serem pagos por igrejas no país, medida que poderia ter impacto de R$ 1 bilhão, informa o jornal Folha de S. Paulo. Para não desagradar o segmento religioso, um dos pilares de sustentação de seu governo, o presidente defendeu a derrubada do veto pelo Congresso e anunciou que enviará uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para atender à demanda do grupo. Também sancionou dispositivo que anula autuações da Receita anteriores a uma lei de 2015 que determinou que os valores pagos, em dinheiro ou como ajuda de custo, a ministros ou membros de ordem religiosa não configuram remuneração direta ou indireta. O artigo sancionado por Bolsonaro anula autuações anteriores a junho de 2015, data de publicação da regra. “Confesso. Caso fosse deputado ou senador, por ocasião da análise do veto que deve ocorrer até outubro, votaria pela derrubada do mesmo”, escreveu o presidente nas redes sociais. “No mais, via PEC a ser apresentada nessa semana, manifestaremos uma possível solução para estabelecer o alcance adequado para a imunidade das igrejas nas questões tributárias.”, acrescentou. O veto, que pode ser derrubado pelo Congresso, foi assinado na sexta-feira (11), data-limite para sanção da proposta, e será publicado no “Diário Oficial da União” desta segunda-feira (14). Nos últimos dias, a bancada evangélica na Câmara vinha pressionando para evitar o veto. No anúncio da decisão de Bolsonaro, o Palácio do Planalto fez questão de ressaltar que o presidente “irá propor instrumentos normativos a fim de atender a justa demanda das entidades religiosas”.

Procuradoria da Fazenda recomenda que Bolsonaro vete proposta de perdão a dívidas de igrejas

  • Redação
  • 08 Set 2020
  • 17:38h

Presidente tem até sexta-feira (11) para barrar ou sancionar projeto aprovado no Congresso | Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão ligado ao Ministério da Economia, recomendou ao governo do presidente Jair Bolsonaro (em partido) o veto a uma proposta aprovada no Congresso que perdoa dívidas tributárias de igrejas e as isenta de pagamento de contribuições previdenciárias. Segundo informações do portal G1 e do Jornal Hoje (TV Globo), a orientação consta de um parecer do órgão. De acordo com a reportagem, as medidas de isenção foram incluídas num projeto que tramitou no Senado e na Câmara por meio de ma emenda. O tema original do projeto nada tem a ver com igrejas, diz a publicação, já que determina a União a usar o dinheiro economizado em negociações de precatórios no combate à pandemia. A emenda ao projeto foi apresentada pelo deputado David Soares (DEM-SP), filho do religioso RR Soares. O parlamentar justificou que o pagamento de tributos penaliza os templos. O presidente Jair Bolsonaro tem até sexta-feira (11) para vetar ou sancionar o projeto, em trechos ou na íntegra. Procurado, o Ministério da Economia não informou de quanto seria o impacto fiscal da proposta. Segundo a emenda, dentre outras concessões, as igrejas ficariam isentas do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e seriam anistiadas das multas recebidas por não pagar a CSLL.

Para o papa Francisco, fofoca é pior do que o coronavírus

  • Redação
  • 07 Set 2020
  • 09:20h

(Foto: Reprodução)

Durante celebração neste domingo (6) o papa Francisco pediu aos fiéis que evitem fazer fofocar. Em comparação à doença pandêmica, Francisco chegou afirmar que o ato calunioso é pior que o coronavírus e que poderia dividir a Igreja Católica Romana. "Por favor, irmãos e irmãs, vamos fazer um esforço para não fofocar. A fofoca é uma praga pior do que a Covid”, disse, em sua missa semanal de um balcão na praça de São Pedro. "O diabo é um grande fofoqueiro. Ele está sempre falando coisas ruins sobre os outros porque ele é o mentiroso que tenta dividir a Igreja”, acrescentou. O papa tem feito alertas frequentes sobre os riscos das fofocas e tem também condenado trolls da internet.