BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"

Juiz condena promotora por litigância de má-fé: 'Espalhou azedume'

  • Bahia Notícias
  • 06 Nov 2020
  • 14:24h

Foto: Rafaela Felicciano / Metrópoles

Uma promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) foi condenada por litigância de má-fé, quando há atuação de forma desleal no processo.

Marilda dos Reis Fontineli, lotada na 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), entrou com uma ação civil pública para anular o acordo de regularização do Shopping JK, localizado em Taguatinga, alegando vícios insanáveis.

Segundo o site Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o juiz titular da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal, Carlos Frederico Maroja de Medeiros, negou o pedido e ainda condenou a promotora a pagar as custas processuais, honorários advocatícios e multa por litigância de má-fé, equivalente a 5% sobre o valor da causa.

Maroja citou que “os atos de falsear a verdade, proceder de modo temerário e provocar incidentes manifestamente infundados são tipificados como litigância de má-fé”. “E impõem a incidência da sanção processual, absolutamente necessária à repressão da conduta altamente reprovável exibida pela autora.”

Na avaliação do juiz, o processo judicial nasceu pela “nítida e hoje notória sanha persecutória pessoal da promotora contra o empresário réu, em clara utilização do processo para realização de motivações pessoais”.

Crise econômica na pandemia reacende debate sobre legalização de jogos no país

  • Redação
  • 05 Nov 2020
  • 17:27h

(Foto: Reprodução)

O abismo fiscal que espera o Brasil em 2021, com uma dívida pública que chegou a 90% do produto interno bruto (PIB) e um cenário de crise econômica agravado pela pandemia de covid-19, reacendeu no Congresso o debate sobre um tema polêmico: a legalização das apostas no país, com a construção de cassinos em hotéis-resorts, e a liberação de jogos de azar em geral, como o do bicho, caça-níqueis e bingos.

A regularização dos jogos é discutida há quase três décadas no Congresso, considerando-se o PL 442/1991, uma das propostas mais antigas em andamento na Câmara dos Deputados e que pretendia inicialmente legalizar o jogo do bicho. Nesse tempo todo, nunca se chegou a um consenso sobre as vantagens e desvantagens da legalização.

O principal argumento dos parlamentares favoráveis é a receita a ser gerada com o pagamento dos impostos do jogo legal, que reforçaria os cofres públicos num momento de escassez de recursos e poderia ser direcionado para o Bolsa Família, ou para efetivação da proposta do Renda Cidadã. Além disso, seriam criados milhares de empregos diretos e indiretos nos estados e municípios que receberiam empreendimentos semelhantes aos cassinos de Las Vegas (Estados Unidos) ou Punta del Este (Uruguai).

O senador Angelo Coronel (PSD-BA) é um dos defensores da legalização.

— A geração de recursos da tributação de jogos poderia ampliar o alcance do Bolsa Família de 14 milhões de famílias para 22 milhões, ainda aumentando o valor médio recebido de R$ 200 para R$ 300. Isso equivale a mais ou menos R$ 50 bilhões em recursos para custear o incremento do programa. Acredito que os recursos arrecadados devem ser usados na área social, em programa de renda básica, porém isso cabe à gestão orçamentária do governo. Para o Brasil, o que importa é ter a capacidade financeira para custear tal programa — disse Angelo Coronel à Agência Senado.

Problemas
Já os contrários advertem que a liberação dos jogos de azar pode agravar os problemas na saúde, com o alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição e piorar a segurança pública. Também acreditam que a atividade prejudicaria as ações de combate à corrupção, já que, na avaliação deles, os jogos podem se tornar ferramentas para lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas.

“Sabemos quais os interesses que estão na sombra disso tudo. Defender a liberação dos jogos de azar para financiar programas sociais é um erro terrível. ‘A cada dólar arrecadado com os jogos de azar, três são gastos com custos sociais’ (Earl Grinols)”, argumentou o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), via Twitter.

Girão é um dos maiores críticos da legalização nesta legislatura. Foi dele a ideia de fazer um ciclo de audiências públicas para discutir a instalação de cassinos em resorts pelo país, adiado por causa da pandemia. Na opinião do senador, os debates são uma forma de chamar a atenção da sociedade para o perigo da liberação.

Segundo o parlamentar, a legalização dos jogos de azar, o tráfico de drogas e armas, a prostituição, incluindo a infantil, e outros problemas que ajudam a “devastar as famílias” passam a fazer parte do dia a dia das localidades onde esses espaços são abertos ao público. A medida também abre a porta para a lavagem de dinheiro, a corrupção e a sonegação fiscal, alertou em um discurso feito em junho.

Angelo Coronel não acredita nesse cenário.

— Essa é uma impressão de quem pensa que o jogo vai ser legalizado e não será fortemente regulado, um equívoco. Com forte regulação dos órgãos competentes, com restrição de quem pode prestar a atividade e com o monitoramento do dinheiro, o risco de atividades ilegais é igual ou menor do que em outras atividades econômicas sem tais controles. A autorização para explorar jogos será feita pelo governo federal, com limitações sobre quem pode explorar essas atividades, como regularidade fiscal, idoneidade e ausência de condenações por lavagem de dinheiro, por organização criminosa e por crimes contra o sistema financeiro — defendeu.

Resorts
Somente no Senado Federal há quatro propostas sobre o tema. A mais adiantada na Casa, pronta para a pauta do Plenário, é o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que autoriza a exploração de “jogos de fortuna”, on-line ou presenciais, em todo o território nacional, incluindo cassinos em complexos de lazer.

O texto, que foi desarquivado em 2019 e sofreu alterações nas comissões, prevê a regulamentação para jogo do bicho, videobingo e videojogo, bingos, cassinos em complexos integrados de lazer, cassinos on-line e apostas esportivas e não esportivas. O credenciamento para exploração do jogo de bingo e videobingo terá prazo de 20 anos, renovável por igual período, e será de responsabilidade dos estados. Já o dos cassinos terá validade de 30 anos, podendo ser renovado por sucessivos períodos.

Lazer
Na mesma linha está o PL 2.648/2019, do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), que autoriza a abertura e exploração de cassinos em resorts ou complexos integrados de lazer. Pelo texto, os cassinos poderão funcionar em hotéis de alto padrão, que ofertem serviços como spas, áreas para prática de esporte ou lazer, casas noturnas, museus, galerias de arte, parques temáticos ou aquáticos, locais para a realização de reuniões e eventos sociais, culturais ou artísticos de grande porte, restaurantes, bares e centros de compras.

Para receberem autorização de funcionamento (concedida pelo Poder Executivo federal), segundo o projeto, serão priorizadas as áreas que apresentam os piores indicadores socioeconômicos de municípios ou região, como PIB, renda per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Coeficiente de Gini (que mede a desigualdade de renda) ou índice de desemprego.

O relator na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), Angelo Coronel, prometeu apresentar sua análise em breve, mas anunciou em entrevista à Rádio Senado no fim de outubro que defende a liberação de todos os tipos de jogos de azar (jogo do bicho, caça-níquel, bingo), não apenas as apostas em cassinos.

— Proponho em meu relatório ao PL 2.648/2019 a legalização de todos os jogos, possibilitando mais de 600 mil empregos formais entre cassinos, jogo do bicho, bingos, caça-níqueis etc.; arrecadação de mais de R$ 50 bilhões, uma fonte de recursos para beneficiar mais de 22 milhões de famílias com benefício mensal de R$ 300; uma forte fiscalização operacional e financeira aos exploradores desses jogos; e o incentivo a políticas públicas para o jogo responsável, impedindo o jogo por pessoas com ludopatia [compulsão pelo jogo] — explicou.

Ainda para liberar os jogos em resorts, há o PL 4.495/2020, do senador Irajá (PSD-TO), que permite a implantação de resorts com cassinos para ajudar a expandir o turismo, especialmente o de negócios, no país.

A exemplo do projeto de Roberto Rocha, a ideia é fomentar o turismo com a construção de uma nova infraestrutura turística, para ampliar e melhorar a visitação internacional ao Brasil e a participação no mercado de feiras e eventos internacionais.

Ecoturismo
Também pensando no turismo, mas com viés ecológico, o PLS 595/2015, do ex-senador Donizetti Nogueira, pretende usar a liberação dos jogos para promover o ecoturismo e a proteção ambiental nas unidades de conservação da natureza do Brasil, por meio da gestão compartilhada com hotéis-cassino autorizados a explorar apostas. De acordo com o projeto, essa autorização será concedida ao empreendimento que investir em desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, conservação da biodiversidade e incentivo ao ecoturismo.

O projeto também cria a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a operação de hotéis-cassino (Cide Verde), com alíquota de 18% sobre a diferença entre a aposta bruta e os prêmios pagos ao final no exercício. O relator do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) é o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que propôs a junção dessa proposta com a de Ciro Nogueira.

CONTINUE LENDO

O FM é o novo AM?

  • Maurício Tavares | Professor de Rádio da Facom/Ufba
  • 02 Nov 2020
  • 15:27h

(Foto: Divulgação)

Durante muito tempo, e acho que até hoje, as pessoas confundiam AM e FM como diferentes estilos de rádio, diferentes programações. Essa confusão tem origem na chegada do rádio FM no Brasil na década de 70. As primeiras emissoras eram voltadas pra jovens e basicamente musicais. Na época a Zona Franca de Manaus produziu os primeiros sistemas de som Três-em-um que substituiria as antigas radiolas com o acréscimo de um Tape Deck. Nesse tempo também as fitas Cassetes (K-7) era a forma mais popular para se gravar alguma coisa. Essas fitas duravam 60 minutos (30 de cada lado) e só depois surgiriam as fitas de 90 minutos. Aproveita essa nova tecnologia as rádios FM tinham programas musicais que tocavam sem parar músicas por trinta minutos pra permitir que o ouvinte mudasse o lado da fita no intervalo em que o locutor fazia sua participação. Por causa desse início ficou gravado na população que rádio FM era uma rádio voltada pra jovens, que só tocava músicas e que tinha uma linguagem mais “moderna”. Na verdade a diferença entre o rádio AM e o FM é apenas no modo de transmissão. A transmissão em AM é dirigida pra o espaço por isso tem um alcance maior mas sofria de mais interferências. A transmissão em FM é a chamada transmissão em farol, ela é direta como a luz de um farol mas só atinge até 100 km de distância e é sujeita a acidentes geográficos no percurso.

Muita água rolou desde desse início do FM no Brasil e o quadro atual é bem diferente. Com o tempo as FM passaram a ter outro tipo de programação e foram se aproximando lentamente do modelo AM e o renovando em alguns aspectos. Nos últimos anos o governo federal decretou o fim das AM dando um prazo pra todas se transformem em FM. Existe uma série de razões técnicas e econômicas pra essa mudança que não vou falar aqui. O que me interessa nessa mudança é o fim de uma era no rádio, principalmente no rádio do interior. Quem como eu nasceu e viveu um bom período da vida em cidades interioranas, sou de Crato, tem no rádio AM local uma espécie de conexão afetiva. O jornal do meio dia, na minha cidade, era ouvido por todos. E a voz grave e a locução urgente do apresentador ficou gravada na nossa memória.

De uma certa forma isso vai acabar. Os locutores de FM acabaram repetindo um padrão de locução por todo o país. E para as pessoas de cidades pequenas eles representam o novo, como o asfalto, os viadutos e a chegada do MacDonald’s.. Com essa mudança novas questões aparecem. As rádios de Ondas Curtas (OC) de alcance mais longo, a rádio Sociedade da Bahia atinge todo o estado devido a potência de sua antena. Nessa nova era ela vai ter que usar outros meios de transmissão e retransmissão pra continuar atingindo território tão vasto. Mas já era um fim anunciado, ouço sempre rádio em táxis e Ubers e percebi que os únicos que ouviam a Rádio Sociedade eram os motoristas mais velhos ou os que ouviam exclusivamente os programas de futebol. De tudo isso só espero que o rádio do interior não perca sua identidade e continue sendo o mais importante veículo de comunicação local.
 

Senado pode votar mudança na concessão de transporte interestadual

  • BNews
  • 02 Nov 2020
  • 12:40h

(Foto: Brumado Urgente Conteúdo)

O Senado deverá votar esta semana projeto de Lei que propõe a obrigatoriedade de licitação para o transporte rodoviário interestadual. A proposta, de autoria do senador Marcos Rogério (DEM-RO) e relatada por Acir Gurgacz (PDT-RO), tem apoio de outros senadores e pode ser incluída na pauta de votação da semana, que será definida na reunião de líderes.

Atualmente, o poder público concede a outorga do transporte interestadual para empresas privadas por meio de uma autorização simples, que não requer licitação e depende da vontade do gestor. O projeto considera que uma escolha pode ser feita por licitação, com transparência e definição clara de prazos dessa concessão. “O transporte rodoviário de passageiros, seja este urbano, semiurbano ou interestadual, cumpre uma importantíssima função social […] Nesse sentido, precisamos garantir a disponibilidade do serviço por meio de contratos sólidos e duradouros [...]”, afirmou Gurgacz em seu relatório.

Para o relator, “a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres], em plena pandemia, tem emitido autorizações sem qualquer critério técnico ou estudo de viabilidade operacional”. Segundo ele, em um período em que o setor enfrenta uma redução de 70% no número de passageiros transportados, “esse tipo de atitude levará o sistema de transporte interestadual e internacional de passageiros ao colapso”.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) apoia o projeto. Para ela, o sistema atual pode ser prejudicial à concorrência no setor, já que se trata de “uma carta branca para o governo escolher os autorizados”. Já o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) considera que o sistema de autorização simples pode prejudicar a oferta de transporte nas cidades mais distantes, que não atraem investidores.

Anatel abre consulta para finalizar migração de emissoras AM para FM

  • Redação
  • 01 Nov 2020
  • 14:41h

(Foto: Reprodução)

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou em consulta pública a abertura de novos 360 canais de rádio em frequência modulada, conhecida popularmente como FM. O objetivo é abrir espaço para que emissoras que atualmente transmitem em ondas moduladas (AM) migrem para a nova faixa.

De acordo coma Agência Brasil, serão atendidas 17,4% emissoras AM. Já, quando considerado o total de estações FM, a ampliação será de cerca de 5%. De acordo com a Anatel, com essa medida, a demanda por novos canais será regularizada, concluindo o processo de transição.

A transferência entre as faixas foi uma política elaborada a partir da demanda das emissoras. A Anatel recebeu 1.659 solicitações e, até agora, 1.256 foram atendidas. Com a consulta pública, os 365 pedidos restantes serão resolvidos.

A migração desses canais era impossível, pois a quantidade de estações já havia chegado ao limite do que o espectro de radiofrequências comporta nas cidades. Contudo, uma nova norma permitiu o uso de uma faixa maior do FM, quem em vez de começar no 88, terá início no 76.

Segundo o superintendente de Outorgas e Recursos à Prestação da Anatel, Vinícius Caram, há emissoras que reclamaram da inserção na faixa do FM estendido. “Todos querem ficar na faixa convencional, de 88 a 108. É natural ter receio de não estar na faixa convencional, mas temos portaria do Ministério da Economia incentivando equipamentos de FM a terem o dial do 76 a 108”, afirmou.

No site da Anatel, é possível acessar a consulta.

Aposta online leva prêmio de R$ 53 milhões da Mega-Sena

  • 01 Nov 2020
  • 10:47h

Sorteio foi realizado no sábado (31) em São Paulo | Foto: Divulgação

O prêmio de R$ 53.047.796,53 do concurso 2314 da Mega-Sena irá para uma aposta feita por meio do internet banking da Caixa. As dezenas premiadas são: 06-07-28-42-45-49. O sorteio foi feito na noite deste sábado (30), em São Paulo. O concurso também teve 105 apostas vencedoras na quina. Cada uma delas ganhará R$ 41.171,63. A quadra, por sua vez, teve 7.551 apostas certeiras, sendo que cada um dos sortudos embolsará R$ 817,87. O próximo concurso (2.315) será na quarta-feira (4). O prêmio é estimado em R$ 22 milhões.

Seca: por falta de dinheiro, fornecimento de água a cidades no Nordeste deve ser interrompido

  • Gustavo Uribe e Daniel Carvalho | Folhapress
  • 31 Out 2020
  • 10:30h

(Foto: Brumado Urgente Conteúdo)

Por falta de dinheiro, famílias que dependem de carros-pipa no Nordeste devem deixar de receber água potável a partir deste domingo (1º), em meio ao período de seca na região. Segundo relatos feitos à reportagem, a interrupção do serviço, por meio da Operação Carro-Pipa, foi informada por integrantes do governo federal a autoridades estaduais e municipais de estados como Bahia e Pernambuco. A iniciativa, que atende cerca de 850 municípios, prevê que o Exército fiscalize e coordene a distribuição da água em áreas atingidas pela seca.

A reportagem teve acesso a um aviso de um batalhão baiano a motoristas de caminhões-pipa, enviado na quinta-feira (29), especificando que o serviço será interrompido "por falta de recursos para pagamentos diversos".

Procurado pela reportagem, o Exército não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O governo federal tinha conhecimento de que não haveria dinheiro suficiente e pediu a realocação de recursos para que o Exército contratasse carros-pipa. O projeto que autoriza a medida, porém, ainda não foi votado pelo Congresso.

Documento com data de 30 de setembro anexado ao PLN (projeto de lei do Congresso Nacional) nº 30 informa que o crédito em pauta visa possibilitar o atendimento de despesas no Ministério do Desenvolvimento Regional, entre outros.

Ele detalha que os recursos são para o "custeio da Operação Carro-Pipa entre os meses de setembro a dezembro visando garantir o atendimento com água potável à população vitimada pela seca no semiárido brasileiro, entre outras". O texto é assinado pelo ministro Paulo Guedes (Economia).

Nesta sexta-feira (30), o senador Jaques Wagner (PT-BA) ingressou com requerimento pedindo esclarecimentos ao ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) sobre o fornecimento de água no Norte e no Nordeste.

O documento aponta que a iniciativa envolve cerca de 7.000 veículos, que levam água para 79 mil pontos de abastecimento e cisternas coletivas.

Em São Bento do Una (PE), a 210 km do Recife, a prefeitura disse que há 144 pontos abastecidos pelo Exército.

Com a interrupção do serviço, a prefeita Débora Almeida (PSB) afirmou que entre 30 e 40 famílias ficarão sem água.

"É muito ruim. Estamos na seca. A prefeitura não consegue abastecer todo mundo. É impossível", afirmou Almeida à reportagem. "Eu nem tenho carro-pipa suficiente. Só tenho três caminhões e temos de abastecer hospital, posto de saúde, e as escolas, mesmo sem estarem funcionando. Não conseguimos chegar no número de pessoas que eles chegam", afirmou.

A prefeita disse que um de seus secretários recebeu de integrante do Exército mensagem que dizia "informo que na semana que vem a operação vai estar parada até recebermos os créditos do MDR [Ministério do Desenvolvimento Regional]. Estávamos com as OS [ordens de serviço] feitas, porém não chegaram os créditos".

O presidente da Amupe (Associação Municipalista de Pernambuco), José Patriota, disse que os prefeitos foram informados do corte apenas nesta sexta, dois dias antes da interrupção do serviço.

No fim da tarde, ele ainda tomava pé da situação e articulava com a bancada nordestina do Congresso uma solução para o problema.

A região passou por sete anos de seca, de 2012 a 2019. Em 2020, voltou a chover, mas agora o momento é de estiagem. "Isso vai dar um rebuliço grande. É o pico da seca de todo o semiárido nordestino", disse Patriota.

O Ministério do Desenvolvimento Regional informou que solicitou a suplementação de recursos do orçamento para manter as ações da operação carro-pipa, bem como a continuidade de obras essenciais na áreas de saneamento e segurança hídrica, evitando paralisações.

O remanejamento de recursos está previsto no PLN 30, que aguarda apreciação pelo Congresso Nacional. De acordo com a pasta, para a manutenção da operação carro-pipa até o final do ano são necessários R$ 142 milhões.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse à reportagem que o Congresso fará sessão na quarta-feira (4) para votar todos os 29 PLNs, matérias que abrem espaço no Orçamento, que estão parados sobre sua mesa.

CONTINUE LENDO

PRF deflagra Operação Finados e restringe tráfego de caminhões

  • PRF
  • 30 Out 2020
  • 17:50h

(Foto: Divulgação PRF)

Veículos de grandes dimensões ou que estejam transportando carga excedente não poderão transitar em trechos de pista simples de rodovias federais entre as 16 horas e as 22 horas de nesta sexta-feira (30). A proibição também é válida para o período entre as 6 horas as 12 horas de sábado (31), e para a tarde da próxima segunda-feira (2), das 16 horas às 22 horas.

A restrição ao trânsito de veículos e combinações excedentes em peso e ou dimensões já tinha sido detalhada em junho deste ano, por meio da publicação da Portaria nº 61. A medida visa prevenir e reduzir a gravidade de acidentes e garantir a fluidez do trânsito durante o feriado, fazendo parte da Operação Finados 2020, deflagrada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) esta madrugada.

De acordo com a Agência Brasil, até as 23h59 de segunda-feira, policiais rodoviários federais reforçarão o policiamento ostensivo em locais e horários identificados como de maior incidência de acidentes graves e de crimes, como furtos e roubos. As equipes também estarão atentas a casos de embriaguez ao volante, ultrapassagens proibidas, excesso de velocidade e ao cumprimento das normas de segurança para o transporte de crianças – lembrando que, por lei, crianças com menos de dez anos de idade devem ser transportadas no banco traseiro, em dispositivo veicular de retenção infantil (cadeirinha) apropriado para o caso da criança não ter atingido 1,45m de altura. Além disso, é proibido transportar crianças com menos de sete anos de idade em motos.

A PRF prevê que o maior movimento de veículos transitando nas rodovias federais ocorra no fim da tarde e início da noite de hoje, na manhã de sábado e durante a tarde e a noite de segunda-feira – motivo para a restrição ao tráfego de veículos de carga com dimensões ou pesos excedentes nas rodovias federais.

A orientação é que os proprietários de veículos em geral os levem para uma revisão preventiva que inclua a checagem dos pneus, sistema de iluminação, nível do óleo e do radiador, entre outros itens, mesmo se forem fazer viagens curtas.

Em caso de restrição de visibilidade, o motorista deve diminuir a velocidade, sem freadas bruscas; manter o farol baixo ligado (nunca usar farol alto) e uma distância segura em relação ao veículo a sua frente, sinalizando antes de qualquer mudança de direção. A PRF recomenda que os motoristas evitem parar no acostamento, e que se isto for absolutamente necessário, procure se afastar o máximo possível da pista de rodagem, deixando o pisca-alerta ligado.

‘Virei boiola, igual maranhense’, diz Bolsonaro em visita ao Maranhão

  • Redação
  • 29 Out 2020
  • 16:21h

Presidente fez a piada preconceituosa enquanto bebia o Guaraná Jesus, refrigerante típico do Maranhão e que possui embalagem cor-de-rosa | Foto: Reprodução

 presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a causar polêmica após fazer uma piada preconceituosa, nesta quinta-feira (29), em São Luís. Essa é a primeira viagem de Bolsonaro ao Maranhão.

Enquanto bebia o Guaraná Jesus, refrigerante típico do Maranhão e que possui embalagem cor-de-rosa, o presidente disse que “virou boiola”.

“Agora eu virei boiola. Igual maranhense, é isso?”, disse o presidente entre risos. “Guaraná cor-de-rosa do Maranhão aí, quem toma esse guaraná aqui vira maranhense”, emendou.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro aparece nas imagens descumprindo os protocolos de segurança contra a Covid-19, como o uso de máscara e o distanciamento social, ao lado de seus apoiadores, a maioria também sem máscara, no meio de uma enorme aglomeração.

Maioria das mulheres negras não exerce trabalho remunerado, aponta estudo

  • Thais Carrança | Folhapress
  • 28 Out 2020
  • 18:19h

(Foto: Reprodução)

Menos da metade das mulheres negras brasileiras exerce trabalho remunerado e apenas 8% das que trabalham no mercado formal ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária de empresas, aponta pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box1824. Segundo as responsáveis pelo levantamento, os dados mostram a importância de as empresas estarem atentas à diversidade, não apenas nos processos de seleção, mas também na evolução da carreira das profissionais negras dentro das corporações. Prevista para ser lançada nesta quarta-feira (28), a pesquisa "Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho" ouviu 1 mil mulheres negras, com idades entre 18 e 65 anos, entre março e setembro deste ano. Das entrevistadas, 54% não exerciam trabalho remunerado e, destas, 39% estavam em busca por emprego.

"Apesar de a população negra ser a maioria da população, ela é ao mesmo tempo a mais subutilizada e mais desocupada. É uma força de trabalho ativa que não consegue entrar no mercado de trabalho e acaba exercendo suas habilidades aquém do que poderia", observa Malu Rodrigues, pesquisadora cultural e estrategista de conteúdo da Box1824

Na fatia de 46% que estava trabalhando, 20% estavam ocupadas como autônomas. Das empregadas no mercado de trabalho formal, apenas 2% ocupavam cargos de diretora, 3% de sócia proprietária e outros 3% de gerente. Presidentes e vice-presidentes eram tão poucas que, na pesquisa, o percentual arredondado é de 0%, embora haja casos isolados, principalmente no Nordeste, segundo Rodrigues.

A maioria das empregadas no setor formal eram assistentes ou auxiliares (23%), profissionais de administrativo ou operacional (18%), analistas (8%) e estagiárias ou trainees (5%). Cerca de 72% das entrevistadas relatou também não ter sido liderada por uma mulher negra nos últimos cinco anos de trabalho. "A baixa presença das mulheres negras em cargos de liderança reflete o quanto a diversidade e inclusão não é pensada dentro dessas estruturas", avalia Verônica Dudiman, sócia e cofundadora da consultoria Indique Uma Preta.

"Não é só sobre contratar essas mulheres, elas precisam se manter e ser reconhecidas. Para além de abrir processos de trainee, é necessário olhar para as mulheres que já estão na empresa e avaliar quais políticas estão acordadas ali para que o desenvolvimento dessas profissionais aconteça."

Entras as mulheres negras ouvidas, 51% afirmaram que receber promoções foi difícil ou muito difícil nos últimos anos e 37% se disseram insatisfeitas ou muito insatisfeita com a falta de oportunidades para crescimento. O ambiente de trabalho também perpetua relações racistas, segundo a pesquisa.

Das entrevistadas, 51% relataram já ter escutado piadas relacionadas a cor, cabelo ou aparência no ambiente de trabalho; 49% disseram já terem se sentido desqualificadas profissionalmente, mesmo tendo a formação necessária para ocupar tal espaço; e 37% contaram que tiveram uma opinião, posicionamento ou ideia silenciada, enquanto a opinião de pessoas brancas eram ouvidas ou valorizadas.

A pesquisa identificou quatro principais barreiras que impedem o avanço das mulheres negras no mercado de trabalho. A primeira delas seria o mito de que essas profissionais não teriam a qualificação necessária. As pesquisadoras observam que os negros são hoje maioria nas universidades públicas (50,3%, segundo dados do IBGE de 2019) e que as profissionais negras estão constantemente em busca de melhorar sua formação.

Segundo a pesquisa, 43% delas pretendem voltar ou continuar a estudar e 31% desejam fazer cursos específicos de capacitação em sua área de atuação. Conforme Rodrigues, da Box1824, as exigências de capacitação são muitas vezes usadas como barreiras no processo seletivo e medidas como flexibilizar a exigência de inglês fluente e ampliar o leque de universidades consideradas na seleção contribuem para melhorar a diversidade na escolha de profissionais.

"O mercado exclui diferentes tipos de experiência e invalida trajetórias profissionais", diz Rodrigues. "Não basta as mulheres negras estarem nas universidades, elas ainda assim são inferiorizadas, por mais que tenham a formação." Outra barreira identificada pelas pesquisadoras é o fato de que boa parte das contratações no país são feitas por indicação, e não por processo seletivo.

Segundo a pesquisa, 46% das mulheres negras ingressaram no seu trabalho atual através de processo seletivo, contra 26% que entraram por indicação e 27% que entraram de outras maneiras. Isso acontece porque os brancos são hoje maioria no mercado de trabalho formal e pessoas brancas tendem a ter mais outras pessoas brancas entre seus conhecidos. Dessa maneira, o mecanismo de indicação acaba perpetuando a desigualdade.

As outras duas barreiras identificadas pelas pesquisadoras são políticas de diversidade genéricas adotadas pelas empresas e o medo das corporações de errar ao adotar ações de inclusão, que leva a uma paralisia. "As empresas estabelecem metas de diversidade pelo que é mais fácil: equidade de gênero, paridade salarial. Mas isso acaba favorecendo as mulheres brancas. As empresas visam incluir, mas não olham para as mulheres negras considerando suas particularidades. Todas as diversidades são colocadas dentro de uma mesma meta", observa Rodrigues.

Para as pesquisadoras, a diversidade só traz vantagens às empresas. Entre elas, o ganho de reputação entre consumidores, melhora de performance e ganhos de inovação, a partir das perspectivas plurais de um time de funcionários mais variado.

"Nunca vimos tanto quanto agora a empresa ser definida pelas suas ações feitas da porta para dentro", observa Rodrigues. "Essa pressão social fez com que essa pauta deixasse de ser apenas uma premissa, para se tornar um diferencial."

Assim, as pesquisadoras veem com bons olhos iniciativas como as da Magazine Luiza e da Bayer, de processos para seleção de trainees com vagas exclusivas para pessoas negras. "Isso é importantíssimo. Os processos seletivos sempre foram exclusivos para pessoas brancas. Essa oportunidade é uma reparação histórica que tem que acontecer e não gera nada de negativo para as pessoas brancas", diz Dudiman, da Indique Uma Preta.

"As empresas que estão se posicionando nesse momento têm em seu propósito pensar o futuro. É urgente ultrapassar a visão de que se trata de favor ou caridade, é uma questão de enxergar o potencial dessas mulheres."

CONTINUE LENDO

Bolsonaro bate recorde e é o que mais libera verba em emenda parlamentar desde 2015

  • por Fábio Pupo e Ranier Bragon | Folhapress
  • 26 Out 2020
  • 07:19h

Foto: Alan Santos / PR

No centro das investigações que levaram à apreensão de dinheiro na cueca de um dos líderes do governo, as emendas parlamentares registram uma execução recorde na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). Foram R$ 17,2 bilhões pagos até meados de outubro, o que já representa um crescimento de 67% em relação a todo o ano de 2019. O valor é o mais alto na série compilada pelo Senado com início em 2015 (e atualizada pela inflação).

Alvo de interesse dos congressistas, as emendas possibilitam aos deputados e senadores decidirem o destino de recursos do Orçamento federal e, assim, enviar dinheiro a redutos políticos.Ao mesmo tempo, elas reduzem o poder do Executivo sobre o Orçamento. As emendas são divididas em individuais, de bancada estadual, de comissão ou do relator. Se até 2019 as emendas executadas representavam uma média de 5% das despesas discricionárias (não-obrigatórias) do Tesouro Nacional, em 2020 esse percentual foi praticamente triplicado e representa 15% dos gastos opcionais previstos para o ano.

 

 

O percentual cresce para 26% caso a comparação seja feita com os gastos discricionários até setembro, último dado disponível.

O alto volume de execução das emendas parlamentares neste ano se dá, principalmente, por quatro motivos.

O primeiro foi que em abril o governo permitiu excepcionalmente que os parlamentares realocassem para o combate à Covid-19 emendas que tinham apresentado para outras áreas, o que garantiu uma rápida execução em virtude da necessidade do gasto emergencial na pandemia.

Em segundo lugar, há em anos eleitorais uma natural corrida para execução das emendas nos primeiros meses com o objetivo de aumentar o capital político dos parlamentares em seus redutos, além de escapar da vedação de realização de transferência voluntária de recursos da União nos três meses que antecedem a disputa.

Terceiro, há uma dinâmica da relação entre Bolsonaro e o Congresso que se caracterizou pela fragilidade política do governo em um primeiro momento, quando tentou governar sem interlocução e até em oposição aos partidos, e a migração, a partir do momento em que se sentiu ameaçado de impeachment, para uma aliança com o chamado centrão, o grupo de partidos médios de centro e de direita que agora lhe dá sustentação no Congresso.

Por fim, e não menos importante, o Congresso vem se aproveitando do enfraquecimento político dos últimos governos --Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Bolsonaro-- para ampliar a fatia das emendas impositivas, ou seja, aquelas de execução obrigatória.

Até 2015, os 594 congressistas apresentavam as suas emendas ao Orçamento, mas a decisão sobre a execução ou não era do Executivo, o que resultava em um jogo de pressão entre as duas partes --o Palácio do Planalto só liberava verbas para as emendas se obtivesse apoio para suas pautas no Congresso e os parlamentares só votavam com o governo mediante liberação das verbas.

No ano em que teve início a derrocada política que levou ao impeachment de Dilma, o Congresso (em iniciativa capitaneada inicialmente pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha) começou a, paulatinamente, tornar obrigatória a execução das emendas. Primeiro, as individuais, apresentadas isoladamente por cada congressista, e que hoje estão em R$ 15,9 milhões por parlamentar. Depois, as de bancada.

Em 2019 o Congresso ampliou a fatia das emendas impositivas, tornando obrigatórias também as das comissões permanentes e as feitas pelo relator-geral do Orçamento. Bolsonaro vetou a medida e o Congresso só não reverteu a decisão após acordo que, na prática, deixou deputados e senadores com uma fatia mais gorda de recursos.

Com isso, o próprio governo intensificou a negociação com parlamentares ao longo dos últimos anos para captar recursos das emendas.

O Ministério da Justiça, por exemplo, formula uma cartilha anual para sugerir parlamentares a destinarem valores a ações que vão de compra de caminhonetes para transportar presos (R$ 160 mil) à implantação de sistema de rádio para a polícia em fronteiras (R$ 9,6 milhões).

Sérgio Praça, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirma que o cenário das emendas impositivas, somado às restrições orçamentárias, gera necessidade de mais diálogo entre Executivo e Legislativo. "A negociação com o Congresso sempre foi importante. Mas quanto mais escassos os recursos, a importância disso aumenta", afirma.

A possibilidade de barganha pode ser feita dos dois lados, já que o Executivo não é obrigado a executar emendas de comissão de Câmara e Senado, além das apresentadas pelo relator-geral do Orçamento.

Só o Ministério do Turismo, por exemplo, tem neste ano R$ 13,5 milhões em emendas apresentadas pelas comissões do Congresso para diversas ações no país.

Ricardo Volpe, consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, afirma que as emendas dão força política aos parlamentares. Obras com recursos de emendas podem não ser sentidas em grandes cidades, mas fazem diferença significativa em pequenos municípios (mais da metade deles têm menos de 50 mil habitantes). "É assim que eles [parlamentares] conseguem se reeleger", diz.

Para Volpe, as regras atuais deveriam ser rediscutidas porque favorecem o descumprimento dos princípios da impessoalidade e da isonomia, ao conferir uma vantagem para os já eleitos.

O aumento do poder dos congressistas é um dos motivos apontados pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) para explicar a redução no número de deputados e senadores que, neste ano, disputam prefeituras pelo país.

De acordo com o Diap, o incremento das emendas tornou mais interessante, politicamente, a permanência no Congresso em vez da disputa por prefeituras, boa parte delas com dificuldades de caixa.

As emendas também têm histórico de corrupção. No episódio mais recente, a PF apreendeu neste mês dinheiro vivo dentro da cueca de Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo Bolsonaro no Senado. Os valores suspeitos teriam vindo de desvio de emendas parlamentares do senador apresentadas para o combate à Covid-19 em Roraima.

Paralelamente ao aumento da execução das emendas parlamentares, há uma disputa ainda não resolvida entre o grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o centrão pelo controle da comissão de Orçamento e da própria Câmara, que terá eleições para seu comando em fevereiro.

A Comissão de Orçamento, formada por deputados e senadores, é responsável pela discussão da proposta Orçamentária do governo e pela organização das emendas apresentadas pelos parlamentares ao texto.

A divergência impediu não só a instalação da comissão, como a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que deveria ter sido votada no primeiro semestre para servir como base para a análise do Orçamento-2021.

Maia quer emplacar no comando da comissão de Orçamento o correligionário Elmar Nascimento (DEM-BA). O centrão, que tem como pré-candidato à Presidência da Câmara o deputado Arthur Lira (PP-AL), trabalha para colocar na função a deputada Flávia Arruda (PL-DF).

CONTINUE LENDO

Falta de insumos e fornecedores atinge 30% das empresas brasileiras

  • por Folhapress
  • 25 Out 2020
  • 11:25h

Foto: Reprodução / Agência Brasil

Cerca de 30% das empresas brasileiras registra falta de produtos ou dificuldade de entrega por parte de fornecedores, segundo uma sondagem especial realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O percentual chega a 47% no varejo e a cerca de 40% na indústria e na construção civil. A média geral é puxada para baixo pelos serviços (10%), setor com nível de atividade ainda baixo e que, em alguns segmentos, depende menos de insumos.

O problema afeta quase 90% das indústrias de vestuário e petróleo e biocombustíveis e fica próximo de 70% na indús- tria de máquinas e materiais elé- tricos e no comércio de material para construção. Está acima de 50% nas indústrias de plásticos, têxtil, limpeza e perfumaria e também no comércio de veículos, motos e peças e nos hiper e supermercados.
Destacam-se ainda os comércios de móveis e eletrodomésticos e tecidos, vestuário e calçados, além dos serviços de alimentação, todos com mais de 40% das empresas registrando falta de produtos.

O setor de motopeças foi um que se aqueceu durante a pandemia por conta da demanda por entregas de aplicativos ter crescido, fruto do distanciamento social. Porém, a falta de matérias-primas para manter as linhas de produção virou um problema para o segmento, com alta considerável nos produtos que acabou repassada ao consumidor.
Carlos Alberto Fiorotti, diretor da Plasmoto, especialista em motopeças, relata dificuldades com preços de insumos.
"Tem um termoplástico que em fevereiro custava R$ 8, em setembro foi para R$ 12 e agora a última compra chegou a R$ 19,50", diz.

 

Outro problema enfrentado foi na obtenção de caixas de papelão para embalagem. A alta nos preços foi em torno de 70% e muitas empresas só podem atender em dezembro e janeiro. A solução encontrada foi repassar os reajustes aos consumidores.

A Associação Nacional dos Fabricantes e Atacadistas de Motopeças apontou que a alta nas matérias-primas alcança 40%, o que levou as empresas a não fazerem estoques durante a pandemia. Assim, a retomada do aquecimento econômico gerou descompasso na produção de insumos.
"As empresas já encontram dificuldade em comprar principalmente alumínio, aço, resinas e plásticos. As empresas não fizeram estoques, até para enfrentar a queda no faturamento, por isso não tem como suprir a demanda", disse Orlando Cesar Leone, presidente da Anfamoto."‹

Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens do FGV Ibre, diz que muitos desses segmentos têm em comum a dependência de insumos importados e enfrentam tanto problemas de disponibilidade como de preços, por causa do câmbio depreciado.
Há também aqueles que viram as vendas aumentarem durante a pandemia e citam a falta de produtos nacionais.
"A gente está vendo uma dificuldade bem grande no setor de vestuário, pois há muitos produtos importados. Limpeza e perfumaria é a mesma questão. Muitos segmentos que estão com alguma dificuldade estão ligados à questão do câmbio. Há uma dificuldade adicional não só de entrega, mas de preço", afirma.

O comércio de material de construção e os hiper e supermercados, que tiveram uma demanda maior nesse período de pandemia, também vêm reportando dificuldade de entrega dos fornecedores.
Os dados do Ibre são semelhantes aos de um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), no qual 44% das indústrias afirmam estar com problemas para atender seus clientes.

A falta de estoques é citada por 47% delas. Demanda maior que a capacidade de produção aparece com 41%, enquanto 38% citam incapacidade de aumentar a produção.
Mais da metade, 55% das empresas, avalia que sua capacidade de atender clientes se normalizará apenas em 2021.
A percepção sobre o mercado de insumos é menos otimista. Entre os entrevistados, 73% acreditam que só deve melhorar em 2021, diz a CNI. O segmento de vestuário, mais uma vez, se destaca entre os que têm os maiores gargalos.

Para o presidente do Sintex (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem e do Vestuário de Blumenau), José Altino Comper, a demanda em alta ainda é muito puxada por uma combinação de fatores relacionados à pandemia, como auxílio emergencial, seguro-desemprego e rescisões de contrato pelas demissões.
"Temos a preocupação disso ser uma bolha. Precisamos discutir como vai ser quando os estoques estiverem restabelecidos. Temos uma situação definida por no máximo seis meses", diz.

O desarranjo vivido pela cadeia de roupas reflete o período de dois a três meses em que as fábricas e facções (confecções terceirizadas) ficaram praticamente paradas.
Em abril e maio, quando estariam produzindo as coleções de verão, muitos contratos foram cancelados ou reduzidos. A partir de julho, o comércio reabriu, a demanda esquentou e todo mundo voltou a produzir.

Em outubro, tradicionalmente, começariam a preparar as peças do outono/inverno de 2021, mas muitas ainda estão entregando as peças de verão devido ao adiamento da escala de produção.
O preço do algodão é outro fator de estresse. Ele já está 50% mais caro do que custava em março. Por enquanto, avalia Comper, a cadeia, em suas muitas etapas, vem amortecendo o preço, mas a situação não é sustentável.

Tito Bessa, da TNG, diz que o algodão está "a preço de ouro", mais caro e mais difícil de ser encontrado a pronta entrega. A produção, porém, não parou, só vem seguindo em ritmo mais lento.
A Wondersize, marca de roupas esportivas para pessoas com sobrepeso, chegou a ficar 15 dias com o estoque defasado e a grade de tamanhos "furada". A dificuldade em comprar tecidos e outros insumos --elásticos estão com prazo de entrega para fevereiro de 2021-- levou a marca a uma inversão no processo de produção.

O planejamento para o trimestre do ano, que incluía o lançamento de uma coleção de roupas casuais, precisou ser refeito. Amanda Momente, sócia da Wondersize, diz que a equipe criativa sempre define a coleção primeiro e depois sai em busca de materiais que atendam essas necessidades de produção.
Com o desarranjo da indústria, ela inverteu o esquema: foi ao mercado, identificou o que tinha a pronta entrega e definiu a produção a partir do que havia disponível. Com isso, algumas peças tiveram de ser cortadas da linha, como as produzidas em dry fit.

A preocupação de José Vidal Boareto, da Village Construções, de Curitiba (PR), é com a duração do cenário de escassez de insumos e preço elevado. A falta de prazo para entrega e os preços maiores, até 80% no caso dos cabos, já vêm sendo um desafio para o cronograma de obras iniciadas e torna mais difícil a prospecção de novo negócio.

"Vamos executando outras etapas enquanto aguardamos as chegadas de materiais, mudamos os cronogramas."
Um desses atrasos é o de uma compra de aço fechada em junho para entrega em outubro. Já foi adiada.
"Precisamos de uma previsibilidade maior. A indústria está retomando, mas vai conseguir entregar? Eu preciso saber se daqui cinco meses as coisas ainda estarão assim", diz.

CONTINUE LENDO

Pesquisa investiga transmissão de covid-19 entre homens e animais

  • 25 Out 2020
  • 10:09h

Estudo é feito pela UFPR | Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) quer saber qual o risco de transmissão da covid-19 entre humanos e animais de estimação. Para obter a resposta, a instituição coordena uma pesquisa nacional que vai avaliar cerca de mil animais, cujos donos tiveram diagnóstico positivo para o novo coronavírus, confirmado por exame laboratorial.

Sob coordenação do professor Alexander Welker Biondo, os pesquisadores farão testes gratuitos, por swab (coleta de amostra viral de orofaringe e nasofaringe) e sorológico, em cães e gatos em cinco capitais brasileiras: Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Recife (PE) e São Paulo (SP).

De acordo com a Agência Brasil, serão dois momentos de avaliação, com amostras biológicas coletadas com intervalo médio de sete dias, entre animais cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico confirmado.

 

 

VOLUNTÁRIOS
Para ter mais informações sobre participação na pesquisa, o interessado pode enviar um e-mail para [email protected] Além de cumprir cumprir todos os requisitos, deve informar seu número de celular, e-mail, nome do tutor e do animal e especificar se é cão ou gato. A equipe do projeto entrará em contato o mais rapidamente possível. Os selecionados serão orientados sobre procedimento para a coleta de amostras.

Eles também serão informados sobre os aspectos envolvidos no estudo e, caso concordem com o protocolo da pesquisa, devem assinar o termo de consentimento livre e esclarecido e responder a um questionário para determinar as características ambientais e outros fatores associados à infecção nos animais.

RESULTADOS

Os resultados dos testes serão informados aos tutores ou familiares através de contato telefônico e pela emissão de laudo eletrônico, que será enviado por e-mail ou aplicativo de comunicação. Em caso positivo, os demais animais da residência também serão testados . Além disso, os familiares serão orientados a estabelecer o acompanhamento veterinário por 14 dias, intensificando medidas de higiene e proteção individual e coletiva.

ITÁLIA

O estudo brasileiro será o primeiro do gênero em um país tropical, já que algo semelhante só foi desenvolvido na Itália, segundo a UFPR. Segundo o professor Biondo, aquele país trabalhou com uma amostra de 817 animais. Nenhum foi positivo no PCR, mas 3.4% dos cães e 3.9% dos gatos apresentaram anticorpos contra o SARS-CoV-2. “Até o final de 2020, esperamos ter [no Brasil] em torno de mil amostras nas cinco capitais estaduais”, afirmou o pesquisador.

A definição do número amostral levará em conta o total de indivíduos positivos no trimestre anterior à coleta, considerando aproximadamente 10% do total de casos em humanos.

MINA

A pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Saúde tem, em Belo Horizonte, a colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Laboratório de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Departamento de Parasitologia.

Na avaliação do professor David Soeiro, coordenador do estudo em MG, considerando os recentes relatos sobre a detecção do novo coronavírus em animais de estimação e a grande proximidade entre eles e seus tutores, é importante elucidar aspectos da história natural da doença, como o possível ciclo zooantroponótico em estudo multicêntrico para a vigilância de Sars-CoV-2 em pets. As amostras obtidas no projeto serão preservadas de modo a também estabelecer um banco para estudos posteriores.

PRIMEIRO CASO

Neste mês foi diagnosticado, em uma gata, de Cuiabá (MT), o primeiro caso de covid-19 em animal no país . Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Mato Grosso (CRMV-MT) emitiu nota na qual destaca que não há evidências científicas de que animais de companhia são fonte de infecção para humanos.

No documento, o CRMV-MT, lembrou que a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram pareceres afirmando que não há evidências e estudos significativos comprovando que animais possam transmitir a covid-19.

Assim, segundo o Conselho, como não há evidência científica de que animais sejam vetores mecânicos ou possam carregar o vírus, ou que o vírus possa se replicar nos animais. “O que observa-se, desde o surgimento da pandemia, é que os poucos animais com a infecção podem ter sido infectados por humanos, por meio do contato direto, e não o inverso”, acrescenta a nota.

CONTINUE LENDO

Candidato a vereador de Sergipe é detido com R$ 15 mil na cueca, diz jornal

  • Redação
  • 24 Out 2020
  • 08:09h

Foto: divulgação/PM-SE

Após o caso do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que teria sido flagrado com R$ 33.150 escondidos na cueca, a história se repetiu. O candidato a vereador da cidade de Carira, no interior de Sergipe, Edilvan Messias dos Santos (PSD), o Vanzinho de Altos Verdes, teria sido detido com R$ 15.300 também na cueca. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. Conforme a publicação, os policiais pararam um carro que continha material de campanha eleitoral. O veículo estava ocupado por um casal e o homem foi revistado. Segundo o jornal, cédulas as estariam em uma sacola plástica e escondidas dentro da roupa íntima de Vanzinho. De acordo com a Polícia Militar, o candidato contou em depoimento que o dinheiro era referente a um pagamento e seria utilizado para comprar um carro. Ele foi liberado. O candidato não foi encontrado para comentar o caso.

Empresas funcionam como Concierge para idosos, oferecendo agendamento de transportes e consultas e até mediação de conflitos com familiares

  • AD Comunicação
  • 23 Out 2020
  • 10:55h

A população acima de 60 anos movimenta R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil | Foto: Divulgação

De acordo com o IBGE, em 2019 havia 28 milhões de idosos no Brasil, o equivalente a 13% da população. E um estudo feito também no ano passado pelas áreas de Inteligência e Pesquisa da TV Globo mostrou que o consumo desta faixa da população – maiores de 60 anos – movimenta aproximadamente R$ 1,8 trilhão por ano.

Atenta a este mercado, a empresa Chronossomos desenvolveu uma consultoria que contempla uma série de serviços para este público, que vão de Concierge para agendamento de transportes, consultas e exames e indicações de casas de repouso até mediações de conflitos com familiares ou assistência para gestão de finanças e bens. A empresa começou a funcionar em março, dias antes do início da pandemia no Brasil. 

Além disso, para integração dos clientes são promovidos fóruns, encontros, atividades de lazer, cursos e programas de revitalização cognitiva e emocional, sempre de acordo com afinidades e interesses. As opções ainda abrangem coordenação de atendimentos em casos de emergência, orientações sobre cuidados com a saúde ou direitos a benefícios e acompanhamento da agenda de medicamentos.

“Fazemos de tudo. Quando aconteceu o lockdown, por exemplo, e durante algumas semanas ninguém podia sair de casa, quem dependia de cuidadores até para as refeições foi prejudicado. Daí intercedemos e passamos a gerenciar inclusive entregas de comidas de supermercados ou restaurantes, coordenando o esquema com as portarias para chegar até a porta de nossos clientes”, explica Mauro Schweizer Leite, CEO da Chronossomos. Segundo ele, outro ponto de atenção foi com a tecnologia. “Em geral os idosos não fazem bom uso ou precisam de um tempo maior para assimilá-la. Nem todos sabem chamar Uber ou táxi porque nem todos conseguem acompanhar as constantes inovações e atualizações de funcionalidades ou regras. Também atuamos nisso.”

A Chronossomos também montou uma rede de profissionais qualificados e treinados para atendimento, que contempla motoristas, médicos e fisioterapeutas. Para completar, lançou o Selo Amiga do Idoso, em parceria com a ProprietàBBG, que visa promover a inclusão dos idosos e chamar a atenção do mercado para a relevância crescente deste público.