BUSCA PELA CATEGORIA "Artigos"

Jornalismo de Centavos, Sensacionalismo e Cidadania

  • Por Luiz Martins da Silva e Fernando Oliveira Paulino | OI
  • 04 Mai 2014
  • 17:00h

Este trabalho consiste em tentativa de compreender o florescimento de tabloides brasileiros como uma nova, grande e sustentável onda do que atualmente se tem denominado de “jornalismo popular”, mas que seria, de fato, o reaparecimento – com algumas variações em torno da fórmula original –, do jornalismo sensacionalista que remonta aos anos de 1830 e que foi chamado pelos estudiosos ora comopenny press ora como yellow press e, no Brasil, de imprensa marrom. A análise está dividida em duas partes: a primeira, detendo-se na evolução dessa modalidade de “popularização” dos acontecimentos midiáticos. A segunda, um exercício de projeção teórico-deontológica: a penny press de hoje pode oferecer aos seus leitores mais do que os ingredientes tradicionais – crimes, fofocas e esportes –, pois entre as inovações já se encontra uma significativa dose de matérias de serviço. Porém, a principal indagação é: da mesma forma como esses jornais retratam a violência e se servem dela como um valor mercadológico, poderiam igualmente prestar um serviço à sociedade também difundindo valores de cultura de paz? Nesse caso, conclui-se que estariam, por força de um novo valor agregado, ultrapassando o seu papel de ser tão somente uma nova versão da rebatida fórmula do jornalismo de centavos.

O fenômeno na sua origem

Iremos considerar para o início desta reflexão os conceitos de penny pressyellow press, yellow journalismimprensa marrom para, em seguida, fazermos uma aferição de como um fenômeno histórico está presente no atual mercado de notícias e, por fim, verificarmos – em termos de uma projeção teórico-deontológica –, as possibilidades de utilização do seu potencial para fins de difusão de valores, especialmente os de cultura de paz.

O que estamos designando de “jornalismo de centavos” corresponderia a uma tradução livre, para os dias de hoje, do que um dia foi a penny press, ou seja, uma modalidade de jornalismo que surgiu nos Estados Unidos na década de 1830 para atender a demanda, o gosto e o poder aquisitivo da classe trabalhadora (working class) e imigrantes, por iniciativa de empresários que viam nessa prática um achado mercadológico e auto-sustentável, isto é, de forma a não depender, financeira e editorialmente – como o fazia a “grande imprensa” da época –, de partidos políticos (party press).

Penny é a menor divisão da moeda inglesa, a libra esterlina. A expressão que se criaria no imaginário anglo-saxão, penny press, corresponderia a uma imprensa de centavo, tão acessível e tão popular, a ponto de ao custo de dois centavos ser possível remeter-se um jornal para a leitura de alguém. Não se tratava, porém, de uma imprensa de assinatura, mas de um filão cuja fórmula consistia exatamente em difundir notícias curtas e de interesse geral, em contraste com as notícias de caráter ideológico e analíticas, típicas da imprensa criada para difundir ideais político-partidários. A penny press surgia para a venda imediata, direta e prática ao consumidor, por meio dos jornaleiros, cujo ícone, no sentido iconográfico mesmo, veio a ser o de uma criança com a boca escancarada, apregoando: “Extra, extra!” [Jornaleiros, ou seja, ‘pagos à jorna’ (jornada); ardina (étimo português)].

penny press é um fenômeno bem datado, referenciado em dicionários de comunicação e constantemente citado pelos que têm pesquisado as teorias do jornalismo, como o professor Jorge Pedro Sousa [Construindo uma teoria do jornalismo. Em: www.bocc.ubi.pt, p. 9], autor de várias obras nesse campo. E é ele que vai fazer sobre essa modalidade de imprensa o seguinte registro:

A imprensa noticiosa tem raízes na primeira geração da imprensa popular que desponta nos Estados Unidos nos anos vinte e trinta do século XIX e na imprensa de negócios que floresce a partir do século XVIII. Essa primeira vaga de jornalismo predominantemente noticioso (penny press) vai-se impor ao jornalismo predominantemente opinativo (party press) até ao final do século XIX, motivada, entre outros factores, pelo aumento da informação circulante devido à generalização do telégrafo e à melhoria dos transportes e das vias de comunicação. Em Portugal, a fundação do Diário de Notícias, no fim de 1864, assinala precisamente essa viragem noticiosa do jornalismo.

Penny press:literalmente, imprensa de centavos [TRAQUINA, N. Teorias do jornalismo. Florianó­polis: Insular, 2005, p. 50, “O novo conceito de produção jornalística pode ser exemplificado com o New York Sun, primeiro jornal de massa que surge em 1833, o New York Herald, criado em 1835, e o La Presse, lançado em Paris em 1836]. No plural, porque, enquanto os jornais tradicionais eram vendidos por seis centavos, os ‘novos’ jornais eram vendidos pela metade, ou seja, três centavos, nos EUA. A designação penny press foi, portanto, pejorativa, preconceituosa, conotação para ‘imprensa barata’, jornalismo sem qualidade. Teria, já àquela altura, despontado a distinção entre ‘cultura de massa’ e ‘cultura de elite’, mais tarde presente nas análises dos pesquisadores que vieram mapear as características de um fenômeno mais amplo que veio a ser designado por indústria cultural, denominação preferida pelos pensadores da chamada “Escola de Frankfurt” em relação à expressão “cultura de massa”, por entenderem que a massa – amorfa e desprovida de subjetividade própria –, não era capaz de produzir cultura. E a própria cultura que lhe era atribuída era, na verdade, uma produção estruturada por um sistema dominante e capaz de impor umethos já pronto para ser consumido de forma acrítica, algo totalmente inverso à ideia de uma sociedade auto-reflexiva e, consequentemente, autônoma e esclarecida.

De forma mais ampla, a reprodutibilidade técnica que assiste em quantidade e velocidade ao novo paradigma de produção, circulação e consumo de jornais viria a ser designada de yellow press, em analogia às ‘páginas amarelas’ dos anúncios comerciais em catálogos e listas, gênese das atuais listas telefônicas, cujo miolo ainda é impresso em papel barato, aliás, chamado de papel-jornal. O barateamento da produção e o próprio barateamento qualitativo dos conteúdos viriam, no entanto, ser fundamentais para o estabelecimento de uma ‘economia política’ capaz de assegurar a grande escala sem a qual não haveria sustentabilidade para um dos princípios mais elevados da democracia que é a liberdade de imprensa, conceito polêmico, pois ao mesmo tempo de dupla interpretação: liberdade de imprimir (print) e liberdade de publicar (press). O princípio da liberdade (freedom) de imprensa foi colocado por Thomas Jefferson (1743-1826) acima do valor dos próprios governos e, por si, constitutivo da democracia: “Se eu tivesse de decidir entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, eu não hesitaria um momento em escolher a segunda alternativa” (1787).

O fenômeno em sua expansão

A concorrência entre os jornais e, com ela, as estratégias para a conquista de fatias cada vez mais expressivas de leitores, têm levado a imprensa de massa desde os seus primórdios até os dias presentes a fazer uso intensivo da principal característica do sensacionalismo, que é o exagero. Como se a preferência por fatos dramáticos já não fosse por si uma tendência agonística do jornalismo, exponenciar os acontecimentos e as ações no que eles possam oferecer de dantesco e de grotesco tem sido uma prática constante, por vezes temperada com pitadas de erotismo e de outros apelos sensoriais, emotivos e psicológicos. Haveria (RABAÇA e BARBOSA: 424) duas categorias de sensacionalismo: o positivo e o negativo. O primeiro, referente ao exagero no tratamento jornalístico, por exemplo, com as “manchetes garrafais”; e o segundo, contendo “apelos e emoções destrutivos, geralmente de cunho sadomasoquista” [Cf. RABAÇA, Carlos Alberto e BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro, Codecri, 1978, p. 424, verbete “Sensacionalismo”, por sua vez, remissivo a “Imprensa marrom” (p. 226), verbete vazio, pois remete a “Imprensa amarela”], procedimento característico do que propriamente se denominou, no Brasil, de imprensa marrom, por sua vez sinônimo de imprensa amarela (segue, na íntegra, o verbete correspondente” [Idem, p. 256]:

IMPRENSA AMARELA (jn): Imprensa sensacionalista. Expressão surgida nos Estados Unidos, em fins do século 19, no auge da competição entre o jornal New York World (de Pulitzer) e o Morning Journal (comprado em 1895 por Randolph Hearst), pela conquista dos leitores novaiorquinos. Surgiram nessa fase alguns dos elementos que lançaram as bases do jornalismo moderno: manchetes garrafais, artigos sensacionalistas, seçõesesportivas, numerosas ilustrações etc. O jornal World, concentrando esforços sobre osuplemento dominical, passou a estampar desenhos de Outcault (Yellow Kid) impressos em cor amarela, para atrair atenção do público. Os primórdios das Histórias em Quadrinhosestão, assim, vinculados também às origens do jornalismo sensacionalista. A competição entre esses dois jornais refletiu-se em inúmeros outros órgãos de imprensa, que levaram o sensacionalismo às últimas conseqüências, apelando para o escândalo, a intriga política, o achaque, a chantagem etc. No Brasil, diz-se mais freqüentemente imprensa marrom. Segundo Alberto Dines, esta expressão “foi cunhada pelo então chefe de reportagem do Diário da Noite, Francisco Calazans Fernandes, que sugeriu usar uma cor mais forte – o marrom – para designar ‘imprensa amarela’ (yellow press), expressão comum no jargão jornalístico ocidental. O DN passou a adotá-la, sendo logo seguido pelos demais jornais e jornalistas que deram cobertura à campanha e permitiram o seu êxito”.

A receita básica ainda está em pleno uso, se bem que sobrecarregada ainda mais em alguns dos seus elementos, como, por exemplo, as cores. Com o advento da impressão em off set e, mais recentemente, com o contributo de máquinas velocíssimas e digitais, muitas delas dispensando o antigo e demorado processo de revelação química de fotolitos e a retocagem dos mesmos, o colorido das páginas representa um atrativo a mais. A cor amarela, no entanto, ainda exerce uma predominância, ao lado do verde do alaranjado, por coincidência, as cores prediletas no planejamento de uma série de produtos industrializados, entre eles, refrigerantes. [O tabloide Aqui DF, de Brasília (R$ 0,50 – 28 páginas), apresenta com frequência em sua primeira página um terço da mesma em fundo amarelo, sobre o qual recai a principal manchete, geralmente dedicada a um crime. O amarelo é também a cor predominante na capa do Jornal na Hora H!(R$ 0,25)]

Em termos de conteúdos, as variações são poucas. Conforme ressalta Nelson Traquina (2005, p. 50) o surgimento da penny press implicou não só o aumento da circulação dos jornais, mas também a homogeneização de alguns fatores: a) conteúdos: notícias sobre fatos locais do cotidiano, processos de justiça, crimes, execuções, catástrofes e eventos extraordinários; b) rebaixamento de preços; c) público amplo e generalizado, ou seja, massivo; d) linguagem simples e acessível a pessoas de instrução escolar fundamental. Exemplifica como parâmetros desse então novo conceito de produção jornalística, o New York Sun, primeiro jornal de massa que surge em 1833, o New York Herald, criado em 1835, e o La Presse, lançado em Paris em 1836.

Há autores de várias épocas, como Frank Fraser Bond (1962) e Luiz Gonzaga Motta (2006), que enxergam na forma como o jornalismo sensacionalista narra os fatos um parentesco com as tramas teleológicas da literatura popular e do “fantástico” (na acepção do “conto maravilhoso”). [O “conto maravilhoso” é a categoria criada pelos formalistas russos para designar o trânsito dos personagens pelos mundos natural e sobrenatural, bem como pelas metaformas que assumem na prática de suas ações e respectivas consequências, boas ou más. Tal como é próprio dos atores das narrativas fantásticas, recebem dos seus criadores um destino conforme as suas ações, os jornalistas, no trato dos seus atores, também tenderiam a ser ou não justiceiros dos personagens envolvidos nas tramas ‘reais’. Em Brasília há um apresentador de um telejornal policialesco, que vibra e se exalta com o insucesso dos criminosos, fazendo uso da sentença “Como eu gosto de bandido burro”. Muito comum é também o uso de manchetes punitivas nas notícias de crimes publicadas pelos tabloides: “Mala levou bala”; ou, “Mala se deu mal”.] Bond se refere a uma certa “psicologia do público leitor” a ser atendida em seus “impulsos reprimidos ou frustrados” por relatos compensadores. O público estaria dividido em três categorias básicas: os intelectuais (grupo pequeno que tende para a crítica), os práticos (grupo envolvido com negócios e que não tem interesse em crítica ou arte) e os não-intelectuais (o maior de todos os grupos), que “lêem as revistas mais baratas, apreciam os espetáculos baratos e emocionam-se vivamente com os filmes de perseguição e aventuras”. Comparando os papeis do escritor e do jornalista perante os anseios dos públicos, Bond afirma: “Embora o novelista e o escritor tenham explorado esses princípios [o impulso de ação, o impulso de sexual e o impulso para o mundo do sonho], mais extensamente do que o jornalista, este nunca deve esquecer que seu público é o mesmo. Sua incumbência, como a do novelista, é interessar o leitor” [Opus cit., p. 80].

“Como pode o escritor satisfazer as necessidades desses grupos que, unidos, compõem a população nacional de leitores de jornais?”, indaga Fraser Bond, para em seguida, ele próprio comparecer com esta resposta: “Pode fazê-lo analisando seus gostos e necessidades e lembrando-se deles quando se aventura mesmo pelo mais simples noticiário”.

Motta, por sua vez, tem analisado ao longo de seus vários livros sobre teoria do jornalismo a presença do mito nas narrativas de fatos insólitos, cujo enredo se passa numa fronteira de encantamento em que o real parece inacreditável e o inverossímil se demonstra empírico. Essa comutação entre o real que parece fictício e a ficção com foros de realidade também encontra explicação nas reflexões de Adriano Duarte Rodrigues, no seu texto sobre “O acontecimento” [Trata-se do capítulo “O acontecimento”, texto de abertura do livro TRAQUINA, N. (Org.) Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias”. Lisboa: Vega, 1993]. Ao propor uma equação segundo a qual os acontecimentos quanto mais improváveis mais midiáticos, Rodrigues conclui que a mídia cumpre uma função remitificadora do cotidiano. Estudioso dos faits divers [Faits divers: fatos diversos, em francês; features, em inglês. Expressão para histórias “leves” ou que não se enquadram, ordinariamente, em editorias específicas: política, economia...], Motta tem analisado uma boa quantidade de matérias jornalísticas em que a singularidade fica por conta do que a razão consideraria impossível de acontecer, mas que se apresenta no cotidiano das manchetes, como na seguinte: “Presente de Natal: filha ‘enterrada’ volta ao lar” [Opus cit., p. 114].

O estranho-insólito é o eixo a partir do qual o resto da história é narrado. Ele é colocado pelo jornalista logo na primeira frase do lide da matéria (um presente de Natal de arrepiar os cabelos), estimulando desde o início o efeito do espanto em relação ao episódio. O relato pode ser identificado com o que T. Todorov chama de fantástico-estranho [...].

A morbidez foi e permanece como um dos cacoetes mais presentes no processo de seleção e hierarquização (newsmaking) dos fatos e histórias que compõem a pauta (agenda) dos conteúdos dapenny press. E um dos lugares-comuns na edição desse tipo de ‘notícia’ é a montagem de uma charada que convida à leitura, mediante a curiosidade instaurada no título e subtítulo e a decifração do enigma à medida que o leitor percorre a estrutura da narrativa, sob a forma da pirâmide invertida [Na verdade, a moça, supostamente morta, estava desaparecida por seis meses, sofrera um acidente, esteve em coma e, um dia, para surpresa natalina, apareceu, de táxi, para espanto de sua mãe].

O fenômeno, hoje, no Brasil

Transportando no tempo esse fenômeno para a Brasília das décadas de 2000 a 2010, pode-se dizer que a fórmula básica se mantém, mas com alguns acréscimos. No ‘país do futebol’, uma visível ênfase nas matérias sobre jogos, campeonatos e vida de jogadores [No Aqui DF, seis das 28 páginas são dedicadas exclusivamente a esportes (futebol, em maior parte)]. No país das telenovelas, páginas de serviço com informações sobre a grade de programação e, evidentemente, muitas notas sobre a vida das celebridades do mundo da TV: um olho nas tramas ficcionais e outro nos detalhes da vida particular dos atores e atrizes. Um ingrediente, no entanto, sobressaiu nesse contexto de cultura tropical, não-puritana e permeada pela nudez típica das passarelas de carnaval [Uma nova tatuagem da pop-staré pretexto para uma foto sensual da mesma, mesmo que a tatuagem tenha sido no pulso (Aqui DF, p. 16, metade da página, em 18/02/13)]. Alguns desses tabloides apresentam invariavelmente uma chamada de primeira página com uma “modelo” nua ou seminua, remetendo para um “ensaio” fotográfico nas páginas interiores e sempre que possível apontando um detalhe picante sobre a intimidade da retratada, por exemplo, a revelação de que ela usa um piercing íntimo. [No Distrito Federal, onde situamos a nossa amostra empírica, oJornal na Hora H!(R$ 0,25 – 24 páginas) é o veículo que oferece como atrativo diário uma stripper. E há até uma chamada-lugar-comum. Com uma ou outra alteração no texto, ela é aquele tipo de mulher que de “santinha” só tem a cara ou que de “anjinho” só tem o rosto. Tais apelos terminam com imperativos do tipo “Confira a gata” (na página 17).] É claro que esse tipo de permissividade erótica não é admissível na sociedade norte-americana. Com todo o seu liberalismo, um nu em primeira página só com a edição dentro de um plástico.

No Brasil, o tipo-ideal de penny press pode ser expresso pelo diário Super Notícia, de Belo Horizonte (R$ 0,25), o jornal de maior tiragem no país em 2010 e 2011. Uma simples visita ao portal do Super Notícia[Disponível em http://www.otempo.com.br/super-noticia/. Acesso em: 12 jan. 2014] permitirá ao leitor abrir uma enorme variedade de links que compõem o cardápio das retrancas e respectivos conteúdos. A principal manchete é dedicada predominantemente ao principal crime do dia. Crimes predominam nos links, especialmente os da editoria de Cidades.

É importante verificar que o jornalismo de centavos hoje presente nas capitais brasileiras ultrapassou em muito – tanto em variedade de conteúdos quanto em qualidade gráfica –, os jornais que outrora se enquadravam no gênero “jornalismo policial”. Embora os fatos da “crônica policial” continuem sendo a peça de resistência do “jornalismo popular”, os tabloides atuais proporcionam aos seus leitores (e internautas) um leque muito amplo de “variedades”, incluindo colunas (sete no caso do Super Notícia), palavras cruzadas, jogo de sete erros, horóscopo, seções dedicadas a novelas e matérias de serviço (dinheiro, empregos, concursos). O Super Notícia tem um link para notas de “Utilidade pública”.

É preciso ressaltar a existência de numerosos jornais gratuitos, mas que, a despeito da sua gratuidade e de serem tabloides, não se enquadram no gênero “jornalismo popular”, como é o caso do principal tabloide gratuito de Brasília, o Jornal da Comunidade (semanário do Grupo Comunidade, 130 mil exemplares) e dos diários Metro (16 páginas) e Destak (16 páginas), o primeiro (JC) marcado por matérias mais amplas e analíticas (política, economia, saúde, comportamento, mercado imobiliário) e por um significativo número de páginas dedicadas à alta sociedade da Capital brasileira. Com diversificada oferta de notícias curtas, o Destak também não traz conteúdos típicos do chamado “jornalismo popular”, em suas editorias de: BrasíliaBrasilMundoSeu Valor (economia), Vitrine Destak (mercado publicitário), Esportes,Diversão & ArtePassatempo (cruzadas, horóscopo, frases, sudoku etc) e Seu Destak (notas de serviço).

Já o tabloide gratuito Coletivo (16 páginas, do Grupo Comunidade), possivelmente por ter como público focal passageiros do metrô e dos transportes coletivos, concorre claramente com o Jornal Na hora H! e com o Aqui DF (do grupo Diários Associados), mas sem a ênfase apelativas daqueles dois com relação a conteúdos policiais e eróticos. Enquanto o jornal Metro orienta a sua diferença para matérias informativas e de serviço, o Coletivo também difere dos jornais de R$ 0,25 e 0,50, mas sem deixar de ser “popular” na embalagem da leitura rápida e fácil dos conteúdos e mesmo sem ser tão apelativo quanto aos conteúdos policiais e eróticos não deixa de explorar as ‘fofocas’ do show business (retranca “Variedades”), coisas do tipo: “Melancia assume namoro com pagodeiro. A informação foi confirmada pela assessoria da dançarina”.

Brasília, cidade marcada pela rotina administrativa e consequente presença de grande número de usuários de repartições públicas, viu incorporar-se ao seu cotidiano a oferta de publicações gratuitas, que tornam menos aborrecida a espera pelo atendimento em órgãos como: Departamento de Trânsito, Procon, Receita Federal e outros. Evidentemente, que jornais com mulheres nuas e manchetes escabrosas não combinam com o decoro desses ambientes, mais formais e mais protocolares [Fotos de ‘modelos’ exibindo pronunciadas nádegas são rotineiras em boa parte dos tabloides de baixo preço, bem como manchetes redigidas de forma irônica e popularesca: “Mala levou bala”. Mala é gíria para bandido]. Um dos tabloides gratuitos mais antigos de Brasília, o jornal Lotus, dedica-se integralmente a temas e serviços ligados a saúde, terapias alternativas e esoterismo. Ou seja, nem tudo que é gratuito é apelativo, mas quase tudo que é barato é barato também na acepção de grotesco. Pode-se afirmar, no entanto, que os aspectos grotescos de diários como Jornal Na hora H! e Aqui DF, tampouco se alinham com os representantes do gênero em décadas anteriores. Estamos nos referindo especificamente ao prosaico Notícias Populares, bem caracterizado como imprensa marrom, e daquela associada ao comentário “se espremer sai sangue”.

O fenômeno na sua projeção teórico-deontológica

A imprensa com traços remanescentes do que foi numa era caracterizada como yellow press não permanece pura nas características dos seus primórdios, tendo passado a incorporar – conforme verificado neste trabalho –, novos valores e novos compromissos, para além dos valores-notícia estruturantes do processo de noticiabilidade e do paradigma da “teoria do espelho”, segundo a qual o jornalismo retrata a realidade e a ela se atém. A atividade jornalística conserva com zelo, pelo menos hipotético, o princípio basilar de que a imprensa livre faz parte da própria configuração de uma sociedade democrática, desempenhando mesmo o papel de um dos poderes republicanos, o quarto, ao lado do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Porém, nesse contexto democrático, a imprensa livre e plural também avocou a si um nível antes não concebível de envolvimento com os fatos, pela via do serviço ao público que ela presta, como instituição auxiliar do cidadão e da cidadania.

Mesmo em veículos que não explicitem ter abraçado como missão o seu compromisso com o cidadão e com a cidadania, a inserção constante de matérias de serviço e de utilidade pública funciona como uma forma de legitimação de um novo paradigma, aquele que se edificou como um movimento (e não propriamente um gênero) por parte de organizações jornalísticas do mundo inteiro, ou seja, o civic journalism (ou public journalism). E no Brasil, embora a ideia do “jornalismo público” não esteja associada a projetos específicos e financiados, como ocorreu e ainda ocorre nos Estados Unidos, também existe uma consciência cívica quanto ao vínculo dos veículos de imprensa com o cidadão e com o público. Emissoras de rádio e TV ligadas direta ou indiretamente ao Estado fazem questão de se identificarem como praticantes da “comunicação pública” e do “jornalismo público” como traço distintivo de outras qualificações: privado e governamental. Por sua vez, as redes que fazem parte do sistema privado de radiodifusão demonstram permanentemente em suas chamadas e vinhetas a convicção de que estão a serviço do público, como o faz a Rede Globo, com slogans do tipo: “Cidadania você vê aqui” e “Solidariedade você vê aqui”. Registra-se, assim, um movimento cruzado: os veículos de comunicação direta ou indiretamente ligados aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário lembrando que são públicos (e não propriamente estatais ou governamentais) e os veículos privados lembrando que são privados, porém públicos (na sua missão e na utilidade pública dos seus serviços).

Com relação à amostra que recolhemos e que orienta o presente texto [Por cerca de 90 dias – entre dezembro de 2012 e fevereiro de 2013 –, observamos edições dos jornais Aqui DFJornal na Hora H!Metro,DestakColetivo, especialmente os dois primeiros, por serem eles os que mais se aproximam do modelopenny presse que, hoje, pareceu-nos como prática do que estamos denominando de “jornalismo de centavos”], a dedução é de que mesmo o que é hoje equivalente à penny press de outrora adquiriu outros contornos e outras tentativas de aceitação social e do que poderia ser chamado de “justificativa ética do mundo”. O que poderia ainda ser chamado de imprensa marrom já não cabe dentro do antigo rótulo (que vem da década de 1950), pois embora ainda explore a fórmula antiga – principalmente o exagero dos aspectos emocionais dos fatos –, já não faz mais o estilo “se espremer sai sangue” e ainda procura oferecer seções e colunas de “serviço” e de “utilidade pública”.

Imprensa marrom e imprensa amarela são, portanto, valores semânticos diacrônicos, mais adequados à rotulagem de produtos que já não estão nas bancas e que fazem parte do mercado de outrora, da iconografia de outrora e de um contexto social de outrora. “Jornalismo popular” parece, no entanto, um eufemismo-substituto para “jornalismo policial”, expressão em desuso. De qualquer maneira, é inegável que, mesmo com alterações e inovações (acesso online), o fenômeno da penny press permaneceu e se fortaleceu. E o fator preço permanece como um traço marcante de identificação.

A indagação metodológica, no entanto, é a seguinte: se o “jornalismo de centavos” foi capaz de se ultrapassar e em alguns casos até de encontrar formas de sustentabilidade que não a venda em bancas (alguns tabloides são gratuitos) seria também competente para oferecer contrapontos, por exemplo, com relação aos conteúdos de violência? Poderia a yellow press de hoje assumir compromissos coerentes com as advocacias e mobilizações atuantes na sociedade civil e nas campanhas públicas? Entre os serviços e as iniciativas de utilidade pública que entraram para as suas páginas, haveria lugar para que o cidadão encontre nesses veículos algum valor-agregado, por exemplo, voltados para a difusão de uma cultura de paz?

Por enquanto, podemos encontrar não respostas claras, mas já alguns indícios, como as instruções que são passadas aos leitores sobre as melhores condutas a serem adotadas pelas pessoas ao serem surpreendidas pela violência. Um tipo de crime muito difundido nas capitais brasileiras é hoje o sequestro-relâmpago, cujo êxito (para os bandidos) depende em grande parte da falta de precaução das vítimas. Ir além da notícia estaria a requerer dos narradores dos fatos algo mais que o exagero típico do sensacionalismo jornalístico. Quando os cidadãos se encontram à mercê de criminosos, a atitude que se espera, de quem quer que seja, é, no mínimo, de solidariedade e de prescrição de cuidados preventivos. Estaria o “jornalismo de centavos” envergonhado de continuar simplesmente explorando a violência como matéria-prima mercadológica?

Há indicadores de que os jornais que claramente se enquadram na categoria da penny press de hoje começam a incorporar outros valores para além dos valores-notícia, de duas formas: à primeira estamos denominando de “valor agregado”. Ao fato jornalístico selecionado com base nos critérios tradicionais de noticiabilidade, agregam-se informações adicionais de contexto e de orientação e foco na cidadania, de modo que a notícia adquira elementos de utilidade pública e, com isso, transforme-se numa matéria de serviço. O segundo procedimento seria propriamente uma atitude deontológica e coerente com a clássica “Teoria da Responsabilidade Social da Imprensa” [A evolução da teoria da responsabilidade social culminou no relatório da Comissão para a Liberdade de Imprensa de 1947, apelidada de Comissão Hutchins, referência ao presidente da mesma. Inicialmente, as propostas dessa Comissão – e que estão no cerne dos pressupostos docivic journalism–, não foram bem recebidas pela imprensa em geral (PAULINO, 2009)], ou seja, aquela que pressupõe por parte dos veículos de comunicação um compromisso social, no caso da violência, não se limitando aos fatos no que eles têm de atrativo emocional e mercadológico, mas, sobretudo, no que deles pode ser tirado como aprendizado e prevenção.

Um paralelo dessa possível responsabilidade social da imprensa no trato dos fatos jornalísticos relacionados com violência pode ser traçado, comparativamente aos procedimentos da justiça restaurativa, cujo foco recai prioritariamente na vítima e não no agressor; nos ganhos pedagógicos por parte dos atores envolvidos (infrator, vítima, famílias, comunidade, segurança pública e políticas públicas e sociais) em lugar da simples realização do desejo de punição ou, na falta deste, no realce da frustração do cidadão e da sociedade quando prevalece a impunidade e o sentimento de insegurança.

Conclusões

Há pelo menos três séculos que se estabelece uma correlação entre democracia e liberdade de imprensa, princípio apregoado por todos os próceres libertários e presente em todas as constituições. No entanto, a partir do início do século XX desenvolveu-se a consciência de que a liberdade de expressão (speech), de imprensa (print) e de publicidade de ideias (press) exigia uma contrapartida de responsabilidade, surgindo daí a Teoria da Responsabilidade Social. [Em contraponto às “teorias libertárias”. E enquanto o louvor recaía ao “distanciamento” do narrador em relação aos fatos, com o advento do civic journalismo paradigma mudou para: “o jornalismo público recomenda uma tarefa diferente: operar bem as ligações, especialmente a ligação fundamental entre o jornalista e os cidadãos”. Cf. ROSEN, Jay. “Tornar a vida pública mais pública: sobre a responsabilidade política dos intelectuais dos media”. Em: TRAQUINA, Nelson e MESQUITA, Mário. Jornalismo cívico. Lisboa: Livros Horizonte, 2003, p. 55. Outra mudança de paradigma fundamental exige levar-se em conta que o surgimento do conceito de “democracia participativa” em contraponto à clássica (porém sujeita ao descolamento entre eleitor e eleitos) “democracia representativa”.] A partir do final da década de 1980, surgiu nos Estados Unidos e se difundiu por vários países um movimento intitulado civic journalism (também identificado como public journalism), tendo como principal proposta o engajamento das redações com os desafios das comunidades. A motivação para votar e as mobilizações em torno do voto consciente estão no âmago da ideia do “jornalismo público”.

Não existe, contudo, um consenso fechado em torno da ideia de que a imprensa deva ir além dos fatos, comprometendo-se com as soluções dos problemas sociais por ela tematizados. Ainda prevalece por parte dos mais expressivos jornais do mundo – The New York Times, Washington Post, The Times Le Monde,entre outros –, a firme convicção de que reportar os fatos com precisão e densidade já é uma tarefa digna de um dos mais árduos trabalhos de Hércules. [Em dado momento, o movimento intitulado civic journalismfoi considerado pela “grande imprensa” norte-americana, como se fosse uma “cruzada”, o que, por si, gerou uma reação no sentido de que a imprensa livre e independente deve se manter fora de “cruzadas”.] A noção seguida por esse bloco é a de que a imprensa deve parar no limite de onde entram os políticos e governantes, não sendo nem papel nem dever do jornalismo arvorar-se à gestão pública da vida pública.

Uma outra corrente, no entanto, tem buscado se afirmar, com uma pregação quase apostólica, em favor de uma imprensa que não separe o seu trabalho da “vida pública”, um corolário que em muito se assemelha à concepção de vita activa [O exercício da cidadania não pode ser passivo, sinônimo de omissão. Para Hannah Arendt, cidadania e vida ativa, ou seja, participante, são uma coisa só], de Hannah Arendt. Marco delimitador de uma polaridade de pensamentos quanto a papel e dever da imprensa foi a famosa polêmica entre Walter Lippman (1889-1974), que defendia um “governo das elites” (certamente, com apoio da imprensa) e John Dewey (1859-1952), que defendia a democracia como um sistema participativo, nele atuando de forma integrada e como protagonistas as comunidades e os veículos de comunicação. As ideias de Dewey foram matriciais para o surgimento do civic journalism e seus numerosos pensadores, entre eles, James Carey, Jay Rosen, Edmund Lambeth e Davis Merritt, este último um dos mais profícuos autores e militantes do movimento, para quem jornalismo e democracia são “simbióticos” (TRAQUINA; MESQUITA, 2003, p. 12)

Tendo em vista os comentários de Merritt, ou o yellow journalism e sua correspondente yellow pressencontram meios de agregar valor (serviço ao público) ao seu ‘trabalho’, ou permanecerão estáticos, se servindo da sociedade e da vida pública literalmente pelo seu lado negativo (numa analogia para com o processo fotográfico), quando o seu melhor desempenho poderia se dar pelo lado luminoso, literalmente pelas luzes do Esclarecimento. Alguns indícios de que já ocorre uma reversão de expectativas foi o que pudemos observar numa verificação empírica de como se dá em pleno século XXI um modo de produção jornalística que remonta os primórdios do século XIX e que, em matéria de preço por exemplar, permanece na escala dos centavos ou até faz parte de outro fenômeno, que é o da mídia gratuita, mas no que se refere à sua função social tem um potencial imenso por se cumprir, tanto pela sua expressão, num momento em que o restante da imprensa é recessivo, quanto pela própria expansão das classes populares no Brasil. [Desde a década de 1990 que os governos federais que se sucedem no Brasil gostam de ostentar estatísticas segundo as quais houve sucessivo ingresso das classes D e C na aquisição de moradias e consumo. Não por acaso, o ingresso dos imigrantes e da classe operária no mundo da leitura foi um dos motivos do surgimento do fenômeno da penny press.]

CONTINUE LENDO

Bicho-Preguiça

  • Crônica do Villas
  • 01 Mai 2014
  • 14:36h

A primeira vez que vi um bicho-preguiça foi na Floresta Amazônica. Ele estava no colo de uma indiazinha, meio abraçado a sua barriga nua, sem arranhar. Ele tinha mesmo um ar preguiçoso, de quem não está nem ai. Com um olho meio aberto, o outro meio fechado, me encarou assim meio blasé. Gosto do bicho-preguiça. De tempos em tempos, a gente tem notícia de que um apareceu numa árvore e que foi preciso um batalhão do Corpo de Bombeiros pra tirá-lo lá de cima. Acho engraçado o bicho-preguiça ter esse nome. Na França ele chama  preguiçoso. Com razão. O bicho tem um ar de quem não quer nada com a dureza. Quer sombra, água fresca e brotos de planta. Fiquei sabendo outro dia que ele costuma dormir 14 horas por dia, e é assim que ele vai levando a vida, deixando a vida levar, devagar, devagarinho. Sei lá, fiquei pensando esses dias como a gente também anda preguiçoso. Não que durmamos 14 horas por dia ou que vivamos de sombra, água fresca e brotos de plantas. Pelo contrário, o homem dá um duro danado e tem trabalhado cada vez mais. Mas, para outras coisas, ficamos tipo bicho-preguiça. Quer ver só? Se você entra numa concessionária pra comprar um carro e o vendedor diz que aquele modelo não tem vidro elétrico, nada feito. Como viver virando e desvirando aquela manivela pra abrir ou fechar os vidros do carro? E o controle remoto? Nem existe mais televisão sem controle remoto. Se fabricarem, não vendem uma sequer. Só de pensar que tem de levantar cada vez pra mudar de canal ou aumentar o som, a gente desiste da compra. Já percebeu, num shopping, quantas pessoas sobem pela escada? Uma em cada mil. Novecentos e noventa e nove vão pela escada rolante e se ela estiver parada, preferem sair andando à procura de uma que esteja funcionando a subir degrau por degrau. Dá uma olhada só no aeroporto ou na rodoviária, quantas pessoas estão carregando uma mala, daquelas malas pesadas que todo mundo carregava. Ninguém! Está todo mundo empurrando sua mala de rodinhas. Antes eram duas, agora são quatro pra cada mala. E assim vamos ficando preguiçosos. É o manobrista que estaciona o seu carro. É o garoto que coloca suas compras de supermercado na sacola, é o lava-jato que lava o seu automóvel, é o porteiro que abre o portão do seu prédio para você entrar, é o elevador que te leva pro primeiro andar. Ninguém mais faz força engraxando sapatos, passando escovão no chão ou fazendo força pra estacionar o carro porque o volante tem de ser hidráulico. Tenho amigas que só compram abacaxi descascado no supermercado. Pra que fazer força pra descascar um abacaxi? E não é só o abacaxi. Compram também o melão em pedaços, a melancia cortada e a mexerica em gomos. Uma outra amiga só compra bolo pronto, desses Pullman, só pra não ficar lá fazendo força, transformando a clara em neve.Outro dia um amigo meu, cansado de tanto sedentarismo, resolveu comprar um livro chamado  Walkscapes – o caminhar como prática estética, do Francesco Careri. Comprou pela Internet porque ir caminhando até a livraria, nem pensar.

A migração das emissoras de AM para FM

  • Por ‘Tela Viva’
  • 29 Mar 2014
  • 14:39h

O processo de migração das 1800 rádios que ainda operam em ondas médias (AM), no Brasil, para o sistema de frequência modulada (FM), uma antiga reivindicação do setor de radiodifusão, deve concluir sua primeira fase até o final de agosto, quando será realizado o Congresso da Set, integrado ao Set Expo, em São Paulo. Rodrigo Neves, presidente da Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo (AESP), disse esperar que, até a data de realização do evento, a maioria das emissoras AM já tenha concluído de forma voluntária a migração. A previsão coincide com a do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo da Silva, durante a assinatura no dia 12 de março da Portaria Nº 127, publicada em 13 de março, que definiu como os radiodifusores devem proceder para pedir a mudança da frequência e a forma como os processos vão ser analisados pelo MiniCom e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na ocasião, ele disse ter a expectativa de poder anunciar as primeiras rádios migradas durante o congresso promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão. Autorizada em novembro do ano passado com a assinatura do Decreto Nº 8.139, pela presidenta Dilma Rousseff, a migração dos canais poderá avançar a partir de agora, devendo passar por sessões públicas em cada estado brasileiro, nas quais os radiodifusores poderão fazer a solicitação formal de migração por meio de um formulário. Rio, São Paulo, Minas e Santa Catarina já possuem sessões marcadas para o próximo dia 24. Após o dia 9 de abril, em que está previsto o término das sessões públicas, caberá à Anatel, que é responsável pela administração e atualização do Plano Básico de Canais na faixa FM, a realização de estudos de viabilidade técnica em cada unidade da federação para determinar se há espaço para a migração de todas as emissoras interessadas em cada município. Mudar de AM para FM representa um investimento de em média R$ 140 mil, na avaliação de Neves, considerando que a maioria das emissoras opera em uma potência de classe C, de até 1 KW. O valor cobre o pagamento da adaptação da outorga e os custos de modificação de estúdio, transmissor, de antena e torre. Contudo, de acordo com o presidente da AESP, a migração tornará as rádios mais competitivas. Como forma de tornar a migração viável a todas as emissoras, a AESP está desenvolvendo gestões junto às instâncias governamentais para conseguir que o BNDES ou algum de seus parceiros libere uma linha de financiamento aos interessados na mudança. As emissoras de rádio AM representam atualmente 40% do total das 4,5 mil emissoras de rádio legalmente instituídas no Brasil.

Artigo Opinião: Política do Pão e Circo - Mera coincidência

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 07 Mar 2014
  • 09:04h

(Foto: Laércio de Morais / Brumado Urgente)

“Panis et circenses”, ou no bom e simples português “pão e circo”. Tratava-se da política adotada pelo império romano, a mais de 2 mil anos com o objetivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes, ou seja, manipulava o povo através da alimentação e diversão.


Com uma roupagem modernizada, tal política ainda é descaradamente utilizada, principalmente sob a névoa da coincidência.


Recentemente, em uma dessas coincidências, às vésperas dos festejos carnavalescos, uma de nossas festas mais populares e que provoca maior distração, a mais alta corte, o Supremo Tribunal Federal marcou sessão de julgamento dos tão falados Embargos Infringentes, que popularmente pode ser chamado de “novo julgamento” e, coincidentemente o resultado, ou a sentença final em sendo contraria e desfavorável aos interesses e anseios da população passaria sem grande impacto devido os holofotes estarem virados para os festejos.


Mas o interessante foram os acontecimentos preliminares, os falados ajustes. Iniciando pela surpresa apresentado já no primeiro julgamento, onde um dos ministros, que tinha sido advogado do partido a qual pertenciam os acusados, participado do governo a qual pertenciam e assessorado um dos réus, portando, em tese impedido de participar como julgador de quem em passado recente havia defendido e mantido estrita relação que impulsionou sua carreira não suscitou sua suspeição mantendo-se como magistrado.


Após o primeiro julgamento, tivemos o afastamento de dois ministros por aposentadoria compulsória, tendo sido indicado novos ministros. Relembramos que a indicação é política e feita pela presidência da república, apesar de requerer aprovação no senado onde a bancada governista detém a maioria , ou seja, apenas ratifica a indicação.


Curiosamente ambos “os ministros” recém indicados, passaram a ser os fiéis da balança votando pela absolvição e alterando a própria sentença daquela corte. Podemos assim dizer que a mais alta corte se autorrevogou, contradizendo sua própria decisão, e não por existirem novos fatos ou argumentos que culminem em entendimento diverso, ou uma nova visão sobre a matéria, mas apenas pela simples mudança de componentes.


O mais estranho é o entendimento de que não houve formação de quadrilha. Ora respeitando o livre convencimento do magistrado e o direito subjetivo de interpretação da norma, tudo tem seu limite. Neste ponto, convido a todos, juristas leigos, após saber que o esquema do mensalão foi devidamente comprovado a interpretar a seguinte norma: “LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013. -CAPÍTULO I- DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA -Art. 1o  Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado.§ 1o  Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.


Tal lei regula o disposto no artigo 288 do Código Penal que define a formação de quadrilha e passou ter a seguinte redação: Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes:”


Assim, peço Vênia aos Excelentíssimos Ministros do STF que julgaram improcedente a acusação de formação de quadrilha, absolvendo os acusados, e pertencentes ao alto escalão do partido que os conduziu a esta corte, para fazer a seguinte pergunta: Tendo sido comprovado a materialidade (existência) do crime, tendo sido comprovado a autoria (participação dos acusados), assim como desvendado a composição, organização e função de cada um deles, inclusive com acusações e condenações distintas, como não existir a formação de quadrilha?


Ou seja, falando simploriamente, existiu o crime, se identificou os culpados, determinou a participação de cada um, condenou, prendeu, mas não tem formação de quadrilha. Ora, o que então seria necessário para se formar uma quadrilha?


Vejo-me compelido a coadunar com o desabafo do presidente do Supremo Tribunal Federal, pois apesar de saber ser esta uma corte política, tudo tem limite.

É tudo uma questão de percepção

  • Por Izidy Ramel
  • 22 Fev 2014
  • 10:28h

(Foto: Reprodução)

Conforme a vida vai passando, as experiências passeando por entre as esquinas do nosso cotidiano, e as nossas habilidades se desenvolvendo para detectar com facilidade as ciladas e vantagens que nos são apresentadas, simultaneamente vamos descobrindo que:


Viver de passado é frustrante


Sonhar com o futuro é incerto


E viver o presente é a nossa única chance de fazer tudo valer a pena

Só tem um detalhe: é preciso que as ações a serem realizadas no presente, realmente váliam a pena... Nem tudo que parece realmente é, nem tudo que aparentemente pode fazer bem é bom para a nossa alma!


Valorizar as intenções dos outros para conosco demonstra maturidade, respeito e consciência, afinal, não é todo dia que se encontra pessoas dispostas a nos fazerem felizes, seja no trabalho, em um projeto e vida, ou em um amor...


Tem uma frase que diz assim: “A língua não tem ossos, mas é forte o suficiente para cortar um coração. Por isso tenha cuidado com o que diz”. Bem, essa é a verdade em sua íntegra, tudo o que maltratamos por bel prazer, ego, satisfação pessoal egoísta, é nos devolvido com o gosto amargo da perda... a perda da oportunidade que passou a cavalo em nossa frente, a passos lentos, pronta para oferecer a sua garupa e a gente desdenhou, não soube tratar, brincou ou simplesmente ignorou...


A vida passa de pressa demais para vivermos a maior parte dela nos apegando ao que na verdade um dia vai acabar e jamais voltará – beleza exterior, juventude, força física, e coisas do gênero. Viver momentos é muito bacana, claro, mas é preciso criar algo sólido, verdadeiro, puro, pois um dia, quando só restarem as lembranças do lindo corpo, do belo rosto e das excelentes habilidades, vamos nos deparar com o que plantamos durante a nossa caminhada, e isso realmente não tem a ver com “momentos vazios de prazer ilusório”, tanto na vida profissional quanto na pessoal.

 

Ironias da História

  • Por Dr. Cléio Diniz
  • 14 Fev 2014
  • 11:35h

(Foto: Laércio de Morais / Brumado Urgente)

Não querendo defender este ou aquele, não querendo posicionar entre este ou o outro, mas sim apenas um comparativo para que passemos a questionar a condição intelectual e administrativa de nossos governantes, quiçá suas intenções.


Prega-se, dando até razão a intenções de guerra que o sistema de governo adotado pela Ditadura subtrai, entre outros o direito de pensamento e questionamento, direito este defendido pelo sistema Democrático como um dos pilares da evolução, equilíbrio e bem estar da humanidade.


Diante deste quadro comparativo, especificamente em nosso País chamado Brasil nos deparamos com algo estranho e incoerente, ou seja, durante o o regime militar, apesar da intensa e dura repressão, nas escolas tínhamos na grade curricular, inclusive nas escolas públicas e já no ensino fundamental disciplinas como OSPB – Organização Social e Política Brasileira e EMC – Educação Moral e Cívica. O curioso que tais disciplinas se tornaram obrigatória por determinação legal, ou seja, com o advento do Decreto-Lei nº 869, de 12 de setembro de 1969.


Muitos defendem o ponto de vista de que tais disciplinas apenas serviam para catequizar os estudantes e impor a forma de governo pretendida pela Ditadura, o que particularmente concordo, todavia a simples abertura para o estudo sobre a matéria, ao transmitir conhecimento sobre o tema consequentemente atiça o dom da curiosidade intrínseco no ser humano, e aviva as perguntas que por sua vez o questionamento e o debate.


A Ditadura pode sim ter tido a intenção de doutrinar o povo, mas para isto forneceu a matéria prima para o debate, ou seja, o saber, o conhecimento e o entendimento.


Em conduta diversa e contrária, o nosso sistema democrático de governo editou a lei nº 8.663, de 14 de junho de 1993, que revogou o Decreto lei anterior que instituiu a obrigatoriedade de tais matérias, eliminando-as da grade curricular. Com tal atitude foi suprimida da formação educacional escolar todo e qualquer conhecimento sobre sistema de governo, sociedade e sua convivência, educação, moral e civismo, ou seja, nossos jovens chegam a idade de 16 anos, ganham o direito de votar em seus representantes, mas não tem i mínimo conhecimento e entendimento, quiçá discernimento para efetuar uma votação coerente e certa.


Com tal atitude, os governantes do sistema democrático inverteram a ordem de valores e estão praticando um sistema que melhor se enquadraria em uma Ditadura, ou seja, a manutenção de um povo leigo e desinformado. 

Caos, A Origem

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 30 Jan 2014
  • 17:33h

(Foto: Laércio de Morais / Brumado Urgente)

Em regra geral, as decisões focadas e com interesses imediatos, sem uma análise ampla e global, culminam em desastres futuros e a longo prazo. A diferença básica entre um mero político e um estadista é o conhecimento concreto, a visão de futuro de seus atos. Infelizmente estes são raros, pois os políticos normalmente são eleitos pela simpatia e não pela competência.


Neste campo, temos a exemplo a política adotada pela ditadura militar, a qual no ato de repressão passou a prender presos políticos como presos comuns. Não pela discriminação, mas por colocar a disposição da criminalidade e de bandidos de alta periculosidade todo saber de intelectuais que, para sobreviver em nossas masmorras tinham como moeda de troca apenas seu conhecimento catedrático, criando assim uma verdadeira faculdade jurídica dentro dos presídios, com professores excepcionais e alunos bandidos.


Como resultado desta irresponsabilidade e inconsequência recebemos as facções criminosas. Atualmente um bandido com vivencia em prisões profere aulas espetaculares de Direito Penal.


Tais atos nos permite afirmar que um momento de desvarios e mazelas pode custar décadas de transtornos. A história por testemunha.


Nesta linha, contribuindo para o avanço e especialização da criminalidade, atiçando a fogueira do caos, foi lançado pelo sistema o Estatuto da Criança e do Adolescente. Um Código pertinente e maravilhoso, todavia que deveria ser aplicado para a proteção da criança. Criança no sentido de definição e conceito literário, ou seja, o ser humano que encontra-se em fase de carência de conhecimento e entendimento e por isso faz jus a tutela jurisdicional do estado no que tange a seus direitos.


Contudo, ao copiar o Estatuto da Criança e Adolescente, nosso legislador, demonstrando sua hipossuficiência como estadista e administrador, esquecendo-se de também editar o Estatuto do Menos Delinquente.


Por razões de facilidade e comodidade, optou por atribuir a idade como único requisito para qualificação de responsabilidade criminal, ou seja, até aos 17, anos, 11 meses, 30 dias, 23 horas e 59 minutos o ser humano é considerado desprovido de conhecimento e entendimento de seus atos, portanto não responsáveis pelo mesmo e assim isento de punibilidade adequada.


Ora, o correto como prevê o Estatuto do Menor Delinquente é o entendimento do menor infrator de seus atos e da gravidade do mesmo, e assim separar o joio do trigo, ou seja, a criança do delinquente.


Qualquer pai, qualquer mãe tem consciência de que as crianças de hoje já nascem mais evoluídas, aprendem mais rápido e mais cedo. Com isto, a regra da idade é fixa é rígida não acompanhando esta evolução. Uma criança de 12, 14 ou até mesmo 16 anos de idade, a pouco mais de duas décadas atrás não se portava como as de sua mesma idade atualmente. Recentemente um amigo recordou que, quando criança tinha respeito e até mesmo de um adulto, e hoje ao serem reprendidas nossas crianças estão enfrentando os adultos. Uma prova clara da evolução de entendimento não acompanhada pela idade.


Mas esta discussão é complexa, sendo mais fácil defender a questão da idade, onde as partes, neste contexto isolado tem razão, e o debate atende aos interesses políticos de muitos.


Em suma, com uma criminalidade intelectualizada e a norma fornecendo material em abundancia, o caos bate a nossa porta.

Um caminho, uma escolha, a sua

  • Por Izidy Ramel
  • 15 Jan 2014
  • 08:12h

(Foto: Divulgação)

O improvável não precisa de endereço nem de convicções... a direção de uma certeza é tão certa quanto a retidão de uma ventania, ou seja, nenhuma... ser quem se quer dá um trabalho absurdo, atravessar um rio é uma coisa, mas chegar ao outro lado dele e encontrar o que se pensava.. é outra coisa totalmente diferente... complexa, perigosa... Decepção, mágoa, chateação e demais gêneros dessa família, são inevitáveis na maior parte de nossas vidas, o que difere a distância deles é a capacidade criada para se saber enxergar uma estrela no alto da colina, porque ela existe, só precisamos saber enxergá-la... O inesperado que causa medo é compreensível, até perdoável, mas o premeditado que traz sofrimento é inaceitável... não existe receita de sucesso para a felicidade plena, mas existe uma linha de caráter a seguir para não atropelar os sentimentos das pessoas, sejam eles quais forem.. se não se quer de todo o coração uma coisa, então simplesmente não comece, mude, troque, vá atrás do que ama de verdade pra si, pois, uma decisão errada pode ser a responsável pela perda do que há de mais importante nessa vida: confiança e carinho puro dos outros para conosco, em todas as áreas de nossa vida. Um feliz 2014 a todos, que seja um ano próspero e cheio de alegrias!

Artigo Opinião: Futebol de Segunda

  • Joilson Bergher*
  • 23 Dez 2013
  • 15:17h

(Foto Ilustrativa)

Segundo HOBSBAWN, Eric, J. As palavras são testemunhas que muitas vezes falam mais alto que os documentos. E palavras na acepção do que apregoa Ludwig Wittgenstein, é fundamental para entender o que de fato a humanidade produz ou deixará de produzir. Tal filósofo discute fatos complexos a partir da linguagem, no caso do futebol, tal linguagem, em 2013, termina de forma negativa, acéfala, um quadro extremamente nefasto que envergonha inclusive a minha sobrinha de apenas oito anos de Idade. Procura-se explicações aqui e ali para a dêbaclé, ou seja, desordem, derrota, desastre, ruína, ruptura, maus resultados, derrocada, ruína, colapso, falência, deficiência técnica,- do principal esporte praticado aqui em Esquizópolis; (re)inventar a roda, não daria certo, até porque o futebol nem aqui nasce, até poderia, pois os Pretos, por exemplo, se tivessem sido dados a estes a possibilidade da prática de tal esporte, por certo, não teria essa cara e futebol  hermético que é praticado na Europa, por exemplo, onde o peso capitalista tem feito para uns a diferença, para outros, nada mais do que a destruição da arte do drible, do gol e até mesmo do impedimento. O futebol retrocedeu, não evoluiu! O que fazer? 

Transparência, lealdade, honestidade, decência e honestidade de horários nas grade da TV. Como pode por exemplo, o cidadão que torce por esse ou aquele time de futebol, esperar essa determinada novela das 20 horas, na verdade 21 horas, para enfim, se deslocar para um estádio de futebol. Ou seja, a pessoa sai numa quarta-feira e só volta numa quinta-feira, feliz ou retado com o time que torce, defende, tem paixão,- isso se de forma coincidente,  no caminho não for encontrado pelos amigos do alheio, (Alheio?) afim, de surrupiar alguns bens. Pois sim! É oportuno eu afirmar que a despeito de gostar desse esporte, afinal, até pratico, não sou especialista e nem me proponho, apenas observador da linguagem que é o futebol e demais esportes afins. Fico a imaginar: em pleno mundo moderno (?) convive-se com um conceito de esporte extremamente desumano, degenerado. Nesse momento de virada de mesa, já se discute em se desvirar a mesa: ao invés de cair os 4 últimos penduricalhos do atual campeonato brasileiro de 2013, subiria mais 4, indo para 24 o número de participantes do certame 2014. Como medir tal transformação? Discutir com quem? Quem são os dirigentes desse esporte? Quem vota nessa rapaziada? E os jogadores, não se movimenta? E esse tal de Futebol de bom senso ou senso de futebol baseado no Sul e Sudeste do Brasil?. E o deputado Aldo Rebelo no Ministério do Esporte? A despeito de entender da história do futebol e bom de conversa e de fino trato, tem dado mostra dos limites do Estado no controle da sanha extremamente predatória tanto da Instituição que controla com mãos de fogo o futebol no Brasil, como a que controla o futebol no mundo, em conluio com a dita principal emissora de Televisão do País. Vergonha, decepção, desonestidade, malandragem. Deputado Aldo Rebelo, são esses os sentimentos que tenho tido ao dialogar, conversar com quem de fato vive o sonho que é o futebol. O massacre ocorrido no jogo envolvendo Vasco e Atlético, é o mais puro exercício da ausência do Estado no controle desse esporte que é o futebol. O que esperar de um futebol onde um time que consegue aos trancos, barrancos, pedras, paus continuar numa divisão considerada de primeira divisão, por não ter representação política junto a essas entidades que controla o nosso futebol ir pra segunda divisão no dia seguinte? Ah, é porque colocou jogador irregular em campo! É isso mesmo? E se fosse com o time que é considerado o maior do Brasil, o que aconteceria? A TV que detêm o poder de transmissão do Futebol no país, permitiria esse time ser rebaixado? Será o povo brasileiro retardado por não conseguir visualizar o que acontece no cotidiano futebolístico? Pois sim! É incrível e lamentável o cinismo e a maldade como essas autoridades e agentes públicos de segurança pública, vem de público postergar a inteligência ou seria ignorância (?) da sociedade brasileira ao jogar atribuições para esse ou aquele setor do Estado. Imaginamos então se naquele massacre incontrolável,- existissem, por exemplo, metade daquelas pessoas com armas de fogo? E se houvessem mortes? Quem responderia por tais ações? Aliás, são cenas que fazem parte do cotidiano: desastres com chuvas, desmandos na política, desvio de tanques de água do semi-árido que estão indo pra quem não precisa, homofobismo, intolerância racial inclusive no futebol. Entre 1789 e 1848, eclodiu o que constitui  a maior transformação da história humana desde os tempos remotos quando o homem  inventou a agricultura e a metalurgia, a escrita, a cidade e o Estado. Tais períodos da história,- são importantes referenciais de datas e fatos que se referem a importantes movimentos revolucionários, que marcaram a expansão das idéias liberais iluministas. Em 1789 se iniciou a Revolução Francesa que aboliu o "antigo regime" do país e, em 1848, um conjunto de movimentos revolucionários abalou a Europa, conhecido como "Primavera dos Povos" que, no caso da França, promoveu o avanço do liberalismo com a adoção do regime republicano e a ampliação dos direitos sociais e políticos. Nesse movimento, cabeças rolaram literalmente, foram decapitados. Isso está registrado na história, afinal, essa, é a nossa grande aliada. Revolução no esporte é o que se preconiza em todo o país. Precisamos de política e políticos propositivos nesse país. Chega de tanta inapetência no gerenciar o esporte no Brasil. Chega de tanto político manso no Brasil. Não brinquem com a emoção subjetiva de quem por exemplo, veste a camisa desse ou daquele esporte. A partir do momento em que haja a mistura de ufanismo, entretenimento, patriotismo, paixão, sentimentos desvairados,- o que esperar dessa mistura explosiva? Do ponto de vista psicológico, considerando aqui, obviamente, a filosofia analítica, se esse ou aquele time vencesse já seria frustrante, porque, evidentemente, as condições de vida das pessoas de nenhuma sociedade melhora apenas porque seu time venceu um campeonato de futebol. Perdendo, frustra mais rapidamente, entristece-se, chega-se a depressão e a destruição do outro, literalmente. Sem dúvida, o que importa nesse cenário degenerado esportivo é a receita e o lucro. Empresários, cartolas, técnicos, jogadores, todos faturam alto. Afinal, até os jogadores são produtos, criados desde pequenos para poderem valer algo no futuro do mercado esportivo. Uma boa piada, não aquela de salão: na final desse campeonato mundial, onde o time Atleticano, fora defenestrado por um time que nem sei pronunciar o nome direito, o presidente da Fifa, reverberou a sua chateação por essa competição não repercutir no mercado europeu, na verdade, corporações de tal mercado certamente, não deve ter adquirido ou comprado cotas de alto valor capitalista de uma competição sem apelo competitivo de verdade. Paciência senhor presidente. Aliás, De forma sintética, Chris Bambery explica como se dá a relação entre o esporte (entre eles, o futebol, principalmente) e o capitalismo: “Portanto, o esporte está totalmente integrado em uma interação entre rivalidade interestatal, produção capitalista e relações de classe. Como uma ideologia, difundida pela mídia em uma enorme escala, o esporte é parte e parcela da ideologia burguesa dominante. A estrutura hierárquica do esporte reflete a estrutura social do capitalismo e seu sistema de seleção competitiva, promoção, hierarquia e ascensão social. A competitividade e os recordes, forças que movimentam o esporte, são reflexos das forças que movimentam a produção capitalista”. É isso querido leitor(a), se você ainda tiver esperança, quem sabe em 2014, o seu time venha com novo técnico, novos dirigentes, um novo campo, um novo estádio, novos jogadores, até podendo ser convocado para a seleção do Brasil,- mas também tenha esperança na construção de novos leitos de hospitais, aumento salarial, mais educação...E essa Seleção do Brasil? 

CONTINUE LENDO

UMA INVERSÃO SUBLIMINAR DE VALORES

  • Dr. Cleio Diniz
  • 14 Nov 2013
  • 18:03h

Dr. Cleio Diniz é articulista do Brumado Urgente (Foto: Laércio de Morais)

O maior risco é aquele a princípio imperceptível a sensibilidade mediana do cotidiano. A muito se tem falado na questão da insegurança, impunidade, ou seja, na insatisfação da sociedade com o sistema atual vivido por todos. Diga-se de passagem, todos os cidadãos que encontram-se no lado licito da sociedade, cumpridores de seus direitos. A percepção da real situação, para onde ela caminha e qual a perspectiva de futuro, se torna complexa dificultando a adoção de medidas coerentes e precisas para que a sociedade volte aos trilhos dos princípios e valores do Estado Democrático de Direito com equilíbrio e valoração do trabalho, honestidade, princípios de família e conduta ilibada. Onde se ressalta o homem de bem. As lacunas do sistema, das leis, das normas de conduta daqueles que tem por obrigação preservar pela lisura e separar o joio do trigo, permitem a justificativa e explicação legal de conduta que nem sempre coadunam com os princípios basilares de uma sociedade justa, honesta e equilibrada.

O maior risco é aquele a princípio imperceptível a sensibilidade mediana do cotidiano. A muito se tem falado na questão da insegurança, impunidade, ou seja, na insatisfação da sociedade com o sistema atual vivido por todos. Diga-se de passagem, todos os cidadãos que encontram-se no lado licito da sociedade, cumpridores de seus direitos. A percepção da real situação, para onde ela caminha e qual a perspectiva de futuro, se torna complexa dificultando a adoção de medidas coerentes e precisas para que a sociedade volte aos trilhos dos princípios e valores do Estado democrático de Direito com equilíbrio e valoração do trabalho, honestidade, princípios de família e conduta ilibada. Onde se ressalta o homem de bem. As lacunas do sistema, das leis, das normas de conduta daqueles que tem por obrigação preservar pela lisura e separar o joio do trigo, permitem a justificativa e explicação legal de conduta que nem sempre coadunam com os princípios basilares de uma sociedade justa, honesta e equilibrada. Recentemente dois casos ilustram esta situação. Em um deles, após o bárbaro assalto ocorrido na cidade de Mucugê, Ba, largamente notificado na imprensa, um departamento da polícia imediatamente passou a atuar com determinação e mesmo sabendo do alto potencial bélico dos criminosos não se intimidou. Neste caso não houve manifestação conhecida quanto as imagens exibidas da barbárie cometida durante o assalto, nem das vítimas ensanguentas e jogada no chão, assim como não se teve qualquer iniciativa de apoio a estas vítimas nem a família de quem veio a falecer em resultado da ação criminosa, todavia, contrario sensu ao ser divulgado a foto de um criminoso morto, e diga-se de passagem, morto por resistir a prisão enfrentando a policia com armamento pesado  e proibido em nosso País, já se abriu sindicância, criticas e apareceu o instituto dos direitos humanos. Afinal, quem é o mocinho e quem é o bandido? quem é a vítima, o bandido ou os cidadãos que foram feridos ou faleceram? Outro caso mostra a conduta do sistema, onde um cidadão foi procurado por um indivíduo em sua residência, que após não ter satisfeito suas vontades se dirigiu a uma delegacia de policia, onde registrou uma ocorrência vazia acusando o cidadão de ameaça-lo. Surpreendentemente, mesmo não havendo qualquer prova, motivo plausível, ou até mesmo um enredo coerente que desse sustentabilidade ao fato alegado na denuncia onde mostra a inexistência, mesmo que superficialmente da possível existência de indícios do fato denunciado. O cidadão sim foi intimado para prestar esclarecimentos e demonstrar a inexistência do feito, ou seja, sua inocência, (não se exige a prova da culpa, mas a prova da inocência) vindo a ser lavrado o TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência, passando o cidadão, que foi incomodado em sua residência a figurar como autor de um crime, vindo a ser processado, onde terá que dispor de vulto financeiro, contratar advogado e provar que não cometeu o crime que lhe é atribuído, contrariando o dispositivo legal (art 156 Código Penal). Mais uma vez é o cidadão cumpridor de suas obrigações que é posto na berlinda. Tais situações me remetem às aulas de história, mais precisamente sobre a época conhecida como “Contra Reforma”, ocorrida na Europa, quando por uma denuncia anônima, sem qualquer prova um cidadão era preso e torturado, tendo ele que provar sua inocência de uma acusação vazia. Onde aquele que zelava por uma sociedade correta muitas vezes era subjugado. Francamente luto para não concordar com o mestre Rui Barbosa, em sua afirmativa premonitiva de que chegara o dia em que o homem terá vergonha de ser honesto.

CONTINUE LENDO

Brumado Urgente: Retrospectiva da Semana

  • Daniel Simurro / Brumado Urgente
  • 02 Nov 2013
  • 10:47h

A semana que trouxe a fusão entre os meses de outubro e novembro também trouxe alguns fatos que merecem ser destacados na retrospectiva da semana, já que os mesmos chamaram a atenção da opinião pública brumadense. O primeiro destaque ficou então com a desclassificação da Seleção Brumadense de Futebol do Intermunicipal 2013 e o posterior desabafo do presidente da Liga Brumadense de Futebol, Emanoel Araújo, que fez duras críticas à gestão da área esportiva da administração municipal. Tendo como alvo a secretária de Educação Acácia Gondim, Araújo fez afirmações sérias de que o esporte não estaria recebendo a atenção devida, atribuindo a inércia do setor ao fato de que ainda não foi criada uma Secretaria de Esportes, já que a pasta ainda está vinculada à Secretaria de Educação.

A semana que trouxe a fusão entre os meses de outubro e novembro também trouxe alguns fatos que merecem ser destacados na retrospectiva da semana, já que os mesmos chamaram a atenção da opinião pública brumadense. O primeiro destaque ficou então com a desclassificação da Seleção Brumadense de Futebol do Intermunicipal 2013 e o posterior desabafo do presidente da Liga Brumadense de Futebol, Emanoel Araújo, que fez duras críticas à gestão da área esportiva da administração municipal. Tendo como alvo a secretária de Educação Acácia Gondim, Araújo fez afirmações sérias de que o esporte não estaria recebendo a atenção devida, atribuindo a inércia do setor ao fato de que ainda não foi criada uma Secretaria de Esportes, já que a pasta ainda está vinculada à Secretaria de Educação; Sem esconder de ninguém que ele é postulante ao cargo, o presidente da LBF colocou pressão na sua entrevista logo após a vitória de 2X0 sobre a seleção de Itamaraju (que não foi o suficiente para Brumado se classificar) para que seja criada com urgência a Secretaria Municipal de Esportes. As críticas acabaram ganhando forças no Legislativo, onde, por meio de um requerimento, se convocou o presidente da LBF para dar explicações sobre sua postura de insatisfação. Ato contínuo, o prefeito Aguiberto Lima Dias, por meio da mídia, deixou bem claro que não irá ceder a pressões e, por causa desse fato, deverá adiar a reforma do seu secretariado, onde a saída da secretária Acácia Gondim era dada como certa, mas, após esse incidente, ela se fortaleceu e, ao que tudo indica, permanecerá no cargo. Em meio a essa queda de braços entre o presidente da LBF e a secretária de educação, fica o Esporte, que vem sendo muito esquecido nos últimos anos, em detrimento de outras prioridades elencadas pelas recentes administrações municipais. O prefeito Aguiberto fez um compromisso de campanha de desmembrar a Secretaria de Educação e criar a Secretaria de Esportes, mais isso ainda não foi totalmente confirmado, apesar de vereadores situacionistas garantirem a criação. Os desportistas de Brumado dizem que já existem melhoras, que investimentos estão sendo feitos no setor, mas que é necessário muito mais, já que existe uma vocação esportiva muito forte no município, que é considerado um celeiro de atletas, tanto que, nesses dias, o atleta Jossimar Novaes se sagrou campeão baiano de Ciclismo. Então, nessa briga entre o “rochedo” e o “mar”, fica o “siri” que espera que a maré baixe e o sol da racionalidade brilhe intensamente. Outro fato que não pode deixar de ser mencionado foi a liberação de dois envolvidos na “Operação BR-030”, os quais deixaram a prisão por meio de um “habeas corpus” obtido no Tribunal de Justiça da Bahia. Com muita festa e até aplausos, os dois envolvidos vão responder ao processo em liberdade. Considerado o maior caso de corrupção da história de Brumado, a referida operação está tendo continuidade em suas investigações e a sociedade aguarda os resultados, já que se fez um grande alarde midiático sobre ela. O escândalo, que segundo a Polícia, envolve falsificação de documentos, roubos, furtos, entre outros crimes, acabou revelando a fragilidade administrativa que existia na 18ª Ciretran de Brumado, que há muitos anos vem sendo alvo de denúncias, mas que, somente agora, acabou se tornando um caso de polícia. Falando em Polícia, os assaltos estão de volta com maior intensidade, comprovando que essa atividade é cíclica e que, com a chegada do final do ano, a Polícia irá ter muito trabalho para conter essa nova onda criminosa. Com o mesmo “modus operandi” os bandidos, sempre em motocicletas, apavoram as suas vítimas e, de forma destemida, praticam o seu ato delituoso muitas vezes em plena luz do dia, principalmente contra farmácias e correspondentes bancários, que parecem ser os alvos principais. Nesse panorama tem que ser ressaltada a atuação dos bravos heróis da 34ª CIPM e da 20ª Coorpin, que, mesmo com o baixo contingente, vem fazendo um trabalho digno de todos os aplausos, mesmo em meia a inanição do Estado, que se faz de “João sem braço”, não aumentando o contingente policial da capital do minério.  Por fim ficam as “pimentas” políticas, que, nesta semana, foram, mais uma vez, protagonizadas pela vereadora Liu Vasconcelos e pelo líder do prefeito, vereador José Carlos dos Reis, que voltaram a trocar farpas ácidas, tendo como pivô o deputado federal Arthur Maia. Segundo a vereadora o líder do prefeito, após fazer críticas severas ao parlamentar federal, teve que “engolir a seco” o fato do gestor municipal ingressar no Solidariedade, já que o partido, a âmbito local, será comandado pelo seu esposo, o ex-vereador Leonardo Vasconcelos, que é pupilo de Maia e um grande desafeto do atual prefeito. O “Imbróglio II” traz de volta à cena política a velha rivalidade de 2009, onde, após 10 meses de briga judicial, o então presidente da época, Leonardo Vasconcelos, teve que entregar o cargo para Aguiberto Lima Dias, que assumiu o comando do Legislativo, fazendo com que a “cabeleira grisalha” do “juramento” fosse cortada. O prefeito que, agora, foi acusado de querer tomar o partido na “calada da noite”, teve a sua defesa feita por meio do seu líder, que foi veemente em suas afirmações garantindo que, em momento algum, o prefeito Aguiberto Lima Dias entrou em contato com o deputado Arthur Maia e sim com o deputado Marcos Medrado, que teria sido o interlocutor para o ingresso do alcaide e de mais dois vereadores no SDD. A situação ainda parece indefinida, já que é muito complicado o prefeito e o presidente da legenda falarem a mesma língua, o que gera fortes especulações de bastidores sobre novos capítulos desta nova versão da novela imbrogliana. Agora é esperar para ver o desenrolar dos fatos, já que, com a proximidade do período eleitoral, os termômetros políticos da capital do minério devem entrar em elevação. 

CONTINUE LENDO