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A importância de se fazer uma avaliação física

  • Vitor Cotrim
  • 07 Mai 2015
  • 07:44h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

A avaliação física é uma importante etapa na prescrição de exercícios físicos, seja para a saúde ou estética, quanto mais informações o professor tiver sobre seu aluno, mais eficiente e personalizado será o seu treino. Através da avaliação, o profissional de Educação Física poderá identificar possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de doenças e assim estabelecer metas de segurança para o treino do aluno avaliado.

Assim por meio da avaliação, o profissional terá parâmetros para identificar a melhor atividade para o aluno e a intensidade e frequência desses exercícios para que se trabalhe dentro da zona de treinamento individual.


Para que uma avaliação física seja bem feita é necessário utilizar critérios e protocolos bem selecionados, fornecendo dados quantitativos e qualitativos, que indiquem através de análises e comparações, a real situação em que se encontra o avaliado.


Procure sempre um profissional de Educação Física!

Maioridade penal

  • Por Dr. Cléio Diniz
  • 27 Abr 2015
  • 14:55h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

A muito tem-se criado uma celeuma em torno do assunto. Certo é que no fundo todas as vozes têm o seu “Q” de razão. Quão bom seria se pudéssemos ampliar a questão a um nível de amplitude que pudesse abarcar todos os pontos necessários para promover uma solução adequada e plenamente eficaz.

 

Todavia, em razão dos entraves da administração pública aliado a jogo de interesse e falta de comprometimento e visão daqueles que foram eleitos para buscar soluções no intuito de promover uma sociedade mais justa e harmônica, esperar a produção de uma obra completa tornou-se utopia. Hilário, mas verdade, ou seja, o que deveria ser regra passou a ser uma raríssima exceção a beira da fantasia.

 

Diante deste quadro melancólico da administração e pressionado pelo anseio popular, não sendo possível a totalidade que se faça por parcelamento, ou seja, aos poucos se adotem medidas a dirimir a questão e dar o pontapé inicial.

 

No caso em tela, esta sendo abordado tão somente o limite de idade para imposição da responsabilidade criminal. Este ponto tem por princípio a evolução social, ou seja, um adolescente de hoje detém conhecimento, esclarecimento e atitudes de um adulto, as quais não faziam parte do cotidiano de um adolescente com a mesma idade a época em que se instituiu o limite de 18 anos para responsabilidade criminal.

 

Não se trata de reduzir meramente por se reduzir, mas se trata de adequar a lei a realidade atual. Certo que apenas esta medida não irá solucionar o problema por completo, mas é um ponto de partida onde pelo menos nesta esfera se obtenha um adiantamento de tudo que precisa ser feito. Resta aguardar que não pare neste ponto e que a discussão continue.

 

Apenas lembrando, hoje um adolescente tem restrições de trabalho, mas a sociedade cobra que ele tenha recursos financeiros, concidentemente a décadas atrás, quando se implantou o limite de idade em 18 anos, e um adolescente podia trabalhar, e o fazia a criminalidade era proporcionalmente menor. O excesso é tão prejudicial quanto a falta. Nas últimas décadas se preocupou em preservar os direitos do adolescente, com muito louvor, todavia não se preocuparam com os deveres. O resultado esta em nossa porta.

Uma Reflexão Poderosa: O suicídio do jornalismo

  • Por Sylvia Debossan Moretzsoh
  • 26 Abr 2015
  • 14:24h

(Imagem Ilustrativa)

No início dos anos 1990, a internet ainda engatinhava no Brasil mas já começavam os debates sobre o futuro do jornal impresso e do próprio jornalismo diante da nova tecnologia. Em 1993, aFolha de S.Paulo promoveu seu primeiro fórum internacional para tratar desse tema. Um dos convidados, Warren Hoge, então chefe de redação adjunto do New York Times, sintetizou a crítica aos que exaltavam a hipótese de dispensar essa mediação essencial: os jornais, disse, dão ao público “aquilo que ele não sabe que precisa”. Falava-se, então, em “informação personalizada”, ainda oferecida pelos jornais de sempre – o que hoje chamamos de “mídia tradicional” –, a partir da qual o público seria incentivado a montar seu próprio jornal. Seria uma expressão da liberdade de escolha. Na época, escrevi que esta seria “uma fórmula que expande o velho princípio do ‘direito de saber’: o público não apenas tem esse direito como já sabe o que quer e sabe onde encontrar. A consequência lógica é, por um lado, a segmentação da audiência e a formação de um círculo vicioso que termina por se revelar o contrário da diversidade prometida: a constituição de guetos fechados em torno de seus próprios interesses” (Jornalismo em ‘tempo real’. O fetiche da velocidade, ed. Revan, 2002, p. 170). Rapidamente a hipótese de o público montar seu próprio jornal por esse método foi substituída pela exaltação do protagonismo desse mesmo público na produção de notícias. Sem qualquer base para argumentação, porque deveria ser evidente que esse público, de modo geral, não tem acesso às fontes que poderiam fornecer informações nem competência ou tempo para apurar o que quer que seja. Porém, com a ajuda de teóricos afamados que surfam a onda do momento e só produzem espuma, mas têm grande audiência inclusive e sobretudo no meio acadêmico, essa ideia libertária do jornalismo-cidadão se disseminou. E ajudou a minar o terreno em que se pratica o jornalismo profissional, dentro ou fora das grandes empresas de mídia.

Jornalismo caça-cliques

Ao mesmo tempo, as grandes empresas, no Brasil e no exterior, não parecem ter clareza do que devem fazer diante do campo aberto pela internet e, em vez de priorizarem o jornalismo, que exige distanciamento e rigor, cedem progressivamente ao imediatismo e à cacofonia das redes. A justificativa corrente é a de que a alteração no hábito de leitura e consumo de notícias provocada ou favorecida pela disseminação da tecnologia digital jogou o jornalismo num ambiente inédito e imprevisto, que retirou das empresas o sustento da publicidade tradicional. O resultado seria a caça ao clique, como forma de contabilizar uma massa de leitores atraente para o mercado publicitário, ainda que seja difícil estabelecer preferências de consumo – e, portanto, definir o “público-alvo” – num meio tão dispersivo e volátil como o virtual.


Ocorre que a caça ao clique é a morte anunciada do jornalismo, porque o que costuma excitar o público é a surpresa, o escândalo, o bizarro, o curioso, o grotesco. Em síntese, o fait-divers, que sempre foi elemento periférico para os jornais de referência.


O caminho da decadência

A gravidade da situação pode ser medida pela pesquisa publicada pela Quartz, site de notícias de negócios ligado à revista The Atlantic, que põe o Brasil na liderança de consumo de notícias no Facebook: dos 80% que dizem frequentar essa mídia, 67% afirmam utilizá-la para consumir notícias. Restaria indagar o que se classifica como “notícia”: há muitos anos, uma pesquisa sobre a audiência de programas radiofônicos populares indicou que boa parte daquele público considerava “notícia” a publicidade de promoções de supermercado, feita pelos animadores durante os programas.


Ao compartilhar o gráfico, a jornalista Lúcia Guimarães comentou:

“Assim como queimamos a etapa da leitura nos anos 60, passamos do vasto analfabetismo para um sistema sofisticado de TV que uniu o país (…), não vamos migrar para plataformas de jornalismo digital abrangente. Jornalismo, não importa se de papel, ou digital, é um pilar da democracia. Vamos passar direto ao desmonte da experiência da informação consequente.


“No momento em que a mídia no Brasil e nos EUA (New York Times a vários outros a bordo) considera ceder grande parte de sua independência à plataforma do Facebook (saem os links, Facebook vira o anfitrião do conteúdo jornalístico, controla o tráfego), as consequências, no caso do Brasil, são especialmente assustadoras. Já temos uma geração pouco educada e não leitora chegando à idade adulta convencida de que se informar é circular por aqui [pelo Facebook]”.


É a mesma geração que se “forma” nas escolas fazendo pesquisa pela internet sem a devida orientação, com resultados previsivelmente catastróficos.


Varal digital

Lúcia recorda que “a informação jornalística, para o Facebook, é apenas um arranjo para compor o cenário de outras plataformas mais lucrativas” e lembra um comentário de Mark Zuckerberg, definidor de seu conceito de notícia: “Um esquilo morrendo no seu jardim deve ser mais relevante para o seu interesse do que pessoas morrendo na África”. “A relevância a que se refere Zuckerberg”, diz Lúcia, “é a decidida pelo seu orwelliano algoritmo. Uma fórmula matemática decide o que é notícia neste varal digital.”


Daí a sua conclusão sobre o fim do jornalismo – não o jornalismo impresso, mas o jornalismo como o conhecemos e valorizamos –, como quem marcha “de olhos vendados na prancha do navio em direção ao mar”. Lúcia conclui:


“Informar não é agradar. Quem sabe, uma nova geração vai imaginar alternativas para esta alienação que já é claramente refletida no debate político brasileiro, contaminado por polarização e desprezo por fatos.


“Mas, a médio prazo, não posso me sentir otimista sobre este dilema no Brasil.


“Os novos destituídos não serão necessariamente os explorados num mercado de trabalho injusto. Serão os que não sabem, não querem saber ou não sabem o que mais há para saber”.


“Não sabem o que mais há para saber” porque estarão num tempo em que não haverá mais jornais para “dar ao público aquilo que ele não sabe que precisa”.


Assim se deformam os cidadãos involuntariamente alienados, como observou Janio de Freitas em sua coluna de domingo (19/4) na Folha de S.Paulo, ao criticar a falta de divulgação de informações relativas às discussões a respeito da reforma política, de óbvio interesse público: “Informação e ação pública andam a reboque. (…) Nem sempre quem cala consente. Depende de estar ou não informado”.


Reinventar o jornalismo?

Pensemos agora no quadro que vivemos atualmente: a onda de demissões nos principais jornais do país, parcialmente resultante da conjuntura econômica brasileira, que leva as empresas a recorrer ao mecanismo de sempre e reduzir custos cortando profissionais, justamente aqueles que poderiam garantir qualidade ao seu “produto”. Nessas horas retornam com força os apelos em torno da “reinvenção” não só do jornalismo mas do próprio jornalista, supostamente não qualificado para atuar nesse novo ambiente que, ao mesmo tempo, ninguém sabe como funciona ou para onde caminha.


Bem a propósito, o estudante de jornalismo Ricardo Faria lembrou de artigo da revista New Yorker de janeiro deste ano, um texto irônico sobre o “rei dos caça-cliques”, um criador de sites desenhados especificamente para viralizarem e lucrarem com cliques de Facebook (ver aqui). “É o retrato do espírito desta web”, comentou, destacando um trecho significativo em que o “empreendedor” explica seu processo de trabalho:


“Se eu fosse responsável por uma empresa de hard news e quisesse informar as pessoas sobre Uganda, em primeiro lugar eu procuraria descobrir exatamente o que está acontecendo por lá. Então buscaria algumas imagens comoventes e histórias que provocam emoção, faria um vídeo – de menos de três minutos – com palavras e estatísticas simples e claras. Frases curtas e declarativas. E, no final, diria às pessoas algo que elas pudessem fazer, algo que as levasse a se sentir esperançosas”.


“Aquela frase de Saramago ressoa na minha cabeça: ‘De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido’”, desabafou o estudante.


Mas trata-se de um estudante crítico. Quantos não verão aí uma saída “criativa” para a crise da profissão?


Não. Mudam as tecnologias, não os fundamentos. O jornalismo não precisa se reinventar: precisa corresponder ao ideal que o justifica e o legitima socialmente. Já se disse inúmeras vezes que o imediatismo e a cacofonia das redes tornam o jornalismo ainda mais necessário para filtrar, em meio à profusão de banalidades, boatos, falsidades e incorreções, o que é informação confiável e relevante. É, além de tudo, uma tarefa que exige compromissos éticos fundamentais, e isto não é retórica vazia: ética diz respeito a princípios e finalidades. Ética pressupõe autonomia e liberdade. Exige, portanto, uma luta permanente, sobretudo quando as empresas escancaram seu desrespeito a esses pressupostos.


Fábrica de produzir infelizes

Mas para fazer jornalismo é preciso contar com profissionais competentes. A recente onda de demissões atingiu muitos dos mais experientes. Alguns saíram a pedido, insatisfeitos com a falta de perspectiva de valorização na empresa. Os baixos salários da maioria e a falta de um plano de carreira são reclamações recorrentes. Entre os jornalistas começa a se difundir o sentimento de que esta é uma profissão para quem tem até 30 anos e não tem filhos, e que as redações são uma fábrica de produzir infelizes: gente mal paga e que não se reconhece no que faz. Considerando que o jornalismo é uma atividade à qual as pessoas se dedicam por prazer, não é difícil calcular o tamanho da frustração.


Reinventar-se e tornar-se empreendedor de si mesmo é o mantra desse mercado que desmantela qualquer perspectiva de estabilidade e joga purpurina sobre a dramática realidade da precarização, da qual as propostas de terceirização, atualmente em discussão e cinicamente vendidas como um benefício aos assalariados, são o exemplo mais acabado.


As mudanças no mundo do trabalho têm levado contingentes inteiros de trabalhadores qualificados a se degradar – perdão, a se “reinventar” –, obrigando-os a abandonar habilidades duramente aprendidas para se transformarem em pau para toda obra. Simplesmente porque é preciso sobreviver, e porque não se vislumbra saída imediata.


A crise que estamos enfrentando, e que não é de hoje, nos impõe uma resposta à altura, e esta resposta não será individual, como sugere a ideia de “reinventar-se”, que ignora a perspectiva coletiva, sem a qual nada muda. Para os jornalistas, em particular, essa resposta não pode dispensar a luta pela recuperação da dignidade e pela exigência do respeito aos princípios que norteiam a profissão.

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O repórter que desistiu da notícia

  • Por Angela Pimenta | OI
  • 26 Abr 2015
  • 09:16h

(Imagem Ilustrativa)

Ao longo da semana, o repórter americano Rob Kuznia virou notícia por um motivo insólito. Na segunda-feira (20/4), a Universidade Columbia, que administra o Prêmio Pulitzer, anunciou que o repórter e mais dois colegas – Rebecca Kimitch e Frank Suraci – do jornal The Daily Breeze, da pequena cidade californiana de Torrance, eram os ganhadores na categoria mídia local da premiação de 2015. Liderado por Kuznia, ao longo de 2014 o time publicou uma série de dez reportagens investigativas sobre um esquema criminoso numa escola pública, a Centinela Valley Union High School, localizada em um dos distritos mais pobres da região de Los Angeles. Graças a conexões políticas, o ex-vereador José Fernandez converteu-se em superintendente da escola, conseguindo fechar um contrato sigiloso que lhe garantia rendimentos anuais de US$ 663 mil, além de benefícios extras que elevavam o pacote a mais de US$ 1 milhão, tudo bancado com dinheiro público. O contrato incluía até um empréstimo subsidiado para a compra da casa própria.

A série de reportagens do Breeze venceu dois mil concorrentes em todo o território americano. Mas o que amplificou a fama de Kuznia não foi o Pulitzer em si, mas o fato de que, para pagar as contas, ele trocou o emprego no jornal, onde ganhava cerca de US$ 40 mil anuais, para virar relações públicas. Há oito meses, por um aumento de 25% no salário, Kuznia trabalha como assessor de imprensa na fundação Shoah. Sediada na Universidade da Califórnia do Sul (USC), a Shoah é uma iniciativa filantrópica bancada pelo diretor Steven Spielberg para homenagear as vítimas do Holocausto.


A história de Kuznia ganhou repercussão mundial depois de uma matéria publicada pelo The New York Times. Ele contou ao jornal que chegou a receber um aumento do Breeze. “Não que eles não ligassem. Mas simplesmente não era suficiente”, disse. Ao site The Daily Beast, Kuznia acrescentou: “Eu conseguia pagar o aluguel, mas de fato não conseguia fazer muito mais do que isso. (…) Não existia poupança e comprar uma casa era um sonho engavetado”.


Ao blog de Erik Wemple, do Washington Post, Kuznia revelou que a migração do jornalismo para a assessoria de imprensa lhe trouxe um certo pesar. “Eu acho que os jornalistas alimentam por muito tempo a crença de que virar assessor de imprensa significa desistir ou se vender, mas, você sabe, quando era repórter, eu precisava do pessoal da assessoria. (…) Eles me forneceram muitas das histórias que acabei apurando.”


Fazer dinheiro


Depois do anúncio do prêmio, Kuznia voltou à redação do Breeze para rever os colegas e estourar uma garrafa de champanhe. Ao Daily Beast, disse que sabia que o editor Frank Suraci havia inscrito as matérias no Pulitzer, mas que considerava a chance de ganhar “muito irrealista”. Segundo a comissão de jurados da premiação, a série do Breeze ganhou “por sua investigação sobre a corrupção disseminada em um distrito pequeno e sem recursos financeiros, incluindo o uso intensivo do website do jornal”. Além da medalha dourada do Pulitzer, o prêmio garante US$ 10 mil ao trio vencedor.


Contando com apenas sete repórteres e uma carteira de 63 mil assinantes, o Breeze pertence à linhagem de publicações mais vulneráveis à revolução digital. São aquelas sediadas em cidades pequenas, onde autoridades públicas e empresas privadas costumam sofrer menos escrutínio da imprensa. Em tempos de queda contínua na circulação e no faturamento, esses pequenos jornais lutam para obter anúncios, aumentar a carteira de assinantes e vender exemplares avulsos. Foi nesse ambiente hostil à investigação jornalística de fôlego – e resultado incerto – que durante seis meses Kuznia vasculhou documentos do Escritório de Educação do Condado de Los Angeles. Além da demissão de José Fernandez, o escândalo causado pela cobertura do Breeze provocou a criação de regras mais rígidas para a remuneração e fiscalização de gestores educacionais no condado.


Conforme os jurados do Pulitzer notaram, o pequeno jornal tem produzido conteúdo digital de qualidade. Para especialistas na indústria da mídia, o fim do jornal de papel é apenas uma questão de tempo – quando, ninguém sabe. Em uma coluna recente, Margaret Sullivan, editora pública (cargo equivalente a ombudsman) do New York Times, dialogou com o pensador Clay Shirky sobre o declínio da mídia impressa. Professor da Universidade de Nova York (NYU), em 2009 Shirky escreveu um artigo de fôlego a respeito. Em sua coluna, Sullivan argumentava que hoje 70% de todo o faturamento do Times vem do jornal impresso, seja na forma de assinaturas ou publicidade. E ela citava dois editores executivos do jornal – Roland Caputo e Dean Baquet – para quem o impresso continuará de pé por pelo menos mais uma década.


Eis parte da réplica de Shirky: “Gostaria de oferecer uma narrativa consideravelmente mais sombria: penso que o padrão de declínio do faturamento do impresso será rápido, lento, rápido”. Para ele, a perda de receita dos jornais se acelerou entre 2007 e 2009, em meio à recessão e à explosão dos smartphones e tablets. Graças, em parte, à recuperação da economia americana, a queda de faturamento se desacelerou. Mas Shirky prevê uma nova fase de forte queda de receita à medida que a circulação impressa continuar a encolher: “O problema da mídia impressa é que os retornos vantajosos obtidos com a distribuição física de jornais tornam-se desvantajosos quando a escala diminui”.


Se a tese de Shirky se confirmar, num futuro não muito distante um grande jornal como o NYTpode deixar de circular em versão impressa, ou fazê-lo apenas em edições dominicais. Os pequenos jornais como o Daily Breeze encontram-se sob pressão econômica ainda maior. Pensando nos desafios já enfrentados por jovens repórteres e profissionais que desejam continuar na carreira, instituições como o centro TowKnight ensinam empreendedorismo e gestão em jornalismo. Sediado na City University of New York (CUNY), o TowKnight prevê que “o futuro do jornalismo será construído pelo empreendedores que desenvolvam novos modelos de negócios e projetos inovadores”.


Parte deste futuro já vem sendo construído em redações sem fins lucrativos. Um relatório recente da Fundação Knight indica que o faturamento de publicações sem fins lucrativos cresceu 73% entre 2011 e 2013, através de várias formas de captação de recursos, de assinaturas e anúncios em websites a doações de leitores no formato crowdfunding. Para evitar que a história de Rob Kuznia se repita maciçamente, a ideia é que, além de produzir notícias, jornalistas aprendam também a fazer algum dinheiro.

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Jornais nem sempre representam o bom jornalismo

  • Por Alberto Dines | OI
  • 19 Abr 2015
  • 10:20h

(Reprodução)

“Alguém imagina o que seria do Brasil sem a presença do jornalismo independente?” A surpreendente pergunta foi veiculada por Carlos Alberto Di Franco no espaço que lhe é reservado nas páginas de opinião do Globo e do Estado de S.Paulo, na segunda (13/4). A proposição nos remete obrigatoriamente à primeira manifestação de jornalismo independente, quando começou a circular num território silenciado por férreos controles o primeiro periódico sem censura, o Correio Braziliense (junho,1808). Apenas 14 anos depois, aquela gente que os colonizadores tratavam como estúpida, inculta, e ao longo de 308 anos mantiveram alheia à busca do conhecimento e desprovida de qualquer consciência autonômica, proclamava a sua independência.


 

No final do texto, empolgado, o autor esquece que tratava de jornalismo independente e proclama: “Os jornais têm futuro. E o Brasil precisa deles”.


Quem disse ao eminente comissário midiático do Opus Dei que jornais e jornalismo independente são noções necessariamente convergentes, associadas e complementares? Jornais e revistas são importantes, têm futuro, especialmente os impressos. Mas quem está abreviando sua existência e solapando sua importância são as doutrinas e a arrogância daqueles que os comandam.


Nos últimos dias tivemos pelos menos três clamorosas evidências do distanciamento entre jornais e jornalismo independente:


Há seis meses Barack Obama era ferozmente atacado, hoje…


Quando deixou de ser apenas uma curiosidade (o primeiro negro a ser levado à Casa Branca) e mostrou-se muito mais do que um líder carismático, pois representava um pensamento político articulado, coerente, começou a declinar a aceitação de Obama pela mídia brasileira.


Com o fortalecimento do Tea Party e do seu fanatismo contra políticas públicas e qualquer ação social do Estado, nossa mídia guardou a fantasia de liberal e Obama transformou-se no saco de pancadas preferido de um time de colunistas vestido com o uniforme das tropas de assalto da extrema-direita. Como nossos leitores não têm acesso à mídia liberal americana, os abusos e manipulações do noticiário foram vergonhosos – o Globo à frente.


A cruzada anti-Obama chegou ao auge em seguida à derrota nas eleições intermediárias do segundo mandato (novembro, 2014), quando os democratas que já haviam perdido o controle da Câmara dos Representantes acabaram sem a pequena maioria do Senado. As manchetes mencionavam “humilhação” e a imagem saxônica do “pato-manco” (lame duck) tornou-se familiar para o leitor brasileiro.


Seis meses depois, eis Barack Obama comandando dois espetaculares triunfos políticos com uma diferença de poucos dias: o acordo nuclear com os iranianos, depois de 36 anos de beligerância, e o acordo com Cuba, encerrando definitivamente o capítulo da Guerra Fria na América Latina. Pouco antes, Washington e Pequim anunciaram um inesperado pacto para diminuir as emissões de gases de efeito-estufa.


Na capa da última edição de Época (13/4) o oba-oba obamista foi representada por um busto do presidente americano é um título fortíssimo: “Um presidente para a posteridade”.


Pesquisas de opinião não devem ser usadas para forçar acontecimentos, mas…


As manifestações de protesto do domingo (12/4) estavam marcadas há algumas semanas. Na realidade, imediatamente depois das passeatas de 15 de março. A nova sondagem do Datafolha sobre a popularidade da presidente da República, apoio ao impeachment e questões correlatas foi realizada nos dias 9 e 10 de abril (quinta e sexta). Os resultados poderiam ser publicados na segunda (13) ou terça (14/4), mas o alto comando do Grupo Folha preferiu soltá-los no domingo. Claro, com a tiragem maior a repercussão seria tremenda.


Mas houve quem achasse que a divulgação de resultados favoráveis ao impeachment na manhã do dia em que o país inteiro preparava-se para ir às ruas e gritar “Fora Dilma” poderia ser tomada como provocação golpista.


A Folha de S.Paulo não tem este tipo de preocupação: publicou em manchete de capa que a reprovação a Dilma estacionou (entre 60% e 62%, um dos piores patamares da última década) enquanto a mesma proporção apoia a abertura de um processo de impeachment. Além das três páginas com análises dos resultados da sondagem, uma terceira (A-8, inteira), em formato de infográfico, com um “tudo sobre” para explicar o que é, como se inicia e como termina um processo de impedimento do chefe do governo.


Os resultados da sondagem foram comentadíssimos nos telejornais, radiojornais e portais de notícias na manhã de domingo, quando se preparavam para cobrir as manifestações daquela tarde.


Coincidência ou jogada ensaiada? A Folha parecia curada da pesquisite crônica, quando costumava usar as sondagens do Datafolha para reforçar suas coberturas e/ou posições. Teve uma recaída.


Zelotes: um vazamento que ninguém pretende explorar


Em 27 e 28 de março, o Estado de S.Paulo revelou os primeiros contornos do megaescândalo do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) – no qual, além de grandes bancos, montadoras e frigoríficos, era citado um dos mais importantes grupos de comunicação do país.


Visivelmente relutantes, Folha e Globo foram atrás sem citar todos os grupos envolvidos nem todos os montantes subtraídos do erário sob a forma propinas ou taxa de sucesso a grandes escritórios de advocacia tributária.


Só no domingo (5/4) a ombudsman da Folha entrou no assunto, assim também o colunista Elio Gaspari (Globo e Folha). O respeitável Valor Econômico, embora cobrado antes nesteObservatório, só se animou a encarar a mãe de todos os escândalos na terça-feira (7/4), isto é,12 dias depois da primeira notícia. O mais importante jornal de economia e negócios do país, que pertence em partes iguais ao Globo e à Folha, preferiu manter-se distante do primeiro escândalo protagonizado apenas por empresas e funcionários corruptos, com participação mínima de políticos e de partidos (a exceção é novamente o PP).


A glorificação dos jornais só é legítima quando se dispõem a compartilhar um compromisso pluralista, diversificado, capaz de evitar abusos e garantir o contraditório. A história dos jornais só pode confundir-se com a história da imprensa quando jornalistas independentes puderem praticar livremente o jornalismo independente.

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Esse merece ser lido e relido: Nada é mais a verdade

  • Por Carlos Brickmann | OI
  • 12 Abr 2015
  • 10:02h

(Foto Ilustrativa)

Este colunista passou boa parte da vida recomendando a estudantes de Jornalismo que lessem muito, lessem de tudo; e que, especialmente, lessem notícias, todas as notícias que pudessem. A primeira recomendação continua valendo: ler bons livros, maus livros, bulas de remédio, histórias em quadrinhos – que ensinam a escrever o necessário com frases curtas e precisas. A segunda continua a ser feita, mas com muito menos convicção: o texto dos jornais anda péssimo, concordância e regência foram praticamente abolidas e, em todos os veículos de informação escrita, a precisão das notícias virou artigo de luxo, raramente localizável. Lendo vários noticiários, de vários veículos, e com cuidado (nada de acreditar nos títulos, por exemplo), ainda é possível informar-se com alguma confiança. Mas nunca se pode ter a certeza de que os fatos ocorreram realmente como foram descritos.

O grande Renato Ribeiro Pompeu, intelectual de bom nível, redator de primeiríssima qualidade, costumava dizer que bastava ler na imprensa o relato de algum fato de que fomos testemunhas para provar que era tudo chutado. Octavio Frias de Oliveira, um mestre do jornalismo, embora negasse ser jornalista, dizia que, quando líamos no jornal informações erradas a respeito de algo que conhecíamos, colocávamos em dúvida todas as demais informações do jornal. Renato Pompeu, sempre ele, reclamou tanto dos absurdos do material que recebia de alguns repórteres que levou Mino Carta a escrever alguns ótimos versos sobre o caso. De memória, a quadra de abertura:


“Renato Pompeu, dos Ribeiros/ senhor do texto conciso/ escreve ao deus dos pauteiros/ e pede um repórter preciso”.


Naquela época, sabia-se que havia erros de informação em quase todas as editorias de um veículo de comunicação, menos em Esporte (já que os repórteres eram altamente especializados no tema) e em Religião (já que noções ao menos de catolicismo todos os repórteres tinham). De lá para cá, enforcaram Jesus Cristo e chamaram o Corinthians de “adversário vermelho” do Internacional de Porto Alegre (sendo que o uniforme vermelho é o do Inter, não o do Corinthians). E escreveram que a melhor volta de um treino de classificação foi a de Nico Rosberg, mas que o primeiro no grid seria Lewis Hamilton.


Já para erros de Português não há limites – o que acaba levando ao descrédito aquela ideia de que quem lê habitualmente escreve com correção, de forma automática. Uma informação sobre determinado automóvel que teve problemas, e que se dizia pertencer à repórter Glória Maria, garantiu que o carro “não a pertence”. No novo modelo de carro apresentado numa exposição, “o estilo de traços fluidos foram abandonados”. “O troféu o foi entregue”. “Não lhe recebi”. “Lady Gaga foi apresentado (…)”


Mas vamos a um exemplo prático de como andam as coisas. Um leitor fiel, Alexandru Solomon, ficou perplexo ao ler o noticiário abaixo.

 


A notícia como ela não é

Primeira página de um grande jornal impresso, de circulação nacional:

** “Investigadores da Polícia Federal atribuem ao atual modelo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a existência de suposta fraude (…)”.

Página interna, complementação da notícia:

** “Investigadores da Operação Zelotes, que desbaratou esquema de corrupção para apagar ou reduzir multas de grandes contribuintes (…)”.

Suposta fraude, como diz a primeira página, ou um confirmado esquema de corrupção, como diz a página interna? Mas vamos em frente:

Título do infográfico: “19 bilhões”.

No texto: “Até agora a PF encontrou irregularidades em processos que somam R$ 6 bi (…)”

Dezenove ou seis? Um é pouco mais que o triplo do outro. Adivinhemos que a verdade esteja no meio. Adivinhemos? Sim: é a saída que o noticiário nos deixa.

 

O local do incêndio

Durante um bom número de horas, o grande incêndio do porto de Santos foi transferido, nos noticiários de TV, para Cubatão. É perto, mas uma cidade é uma cidade, outra cidade é outra cidade. E, já que o incêndio tinha sido transposto para Cubatão, tome matérias sobre problemas de décadas atrás sobre poluição, que Cubatão já superou, ou sobre o incêndio de Vila Socó, que destruiu 1.200 barracos e matou centenas de pessoas. Demorou para cair a ficha: o incêndio foi no distrito industrial da Alemoa, em Santos.

Do noticiário, de prático, dava para inferir que o incêndio atrapalhava o trânsito na estrada e retardava as viagens para as praias bem no início do feriadão.

 

É mentira, e daí?

Um longo artigo de um cavalheiro que se intitula antropólogo, num grande jornal, defende o sacrifício de animais durante as cerimônias religiosas do Batuque, uma religião nascida no Brasil (com maior presença no Rio Grande do Sul) e origem africana. Há os costumeiros protestos contra os sacrifícios e a habitual defesa das tradições vindas da África. Até aí, sem problema. Mas o tal antropólogo diz, e o jornal publica, que o judaísmo também sacrifica animais nas sinagogas, e contra isso não há protestos para não melindrar “a poderosa comunidade judaica”. Só que não há, e nunca houve, sacrifícios em sinagogas. Houve sacrifícios no Templo de Jerusalém, mas cessaram no ano 70, com a destruição pelo Exército romano do templo e da cidade; e nunca mais foram retomados. Seria simples descobrir que o tal sacrifício não existe visitando qualquer sinagoga, perguntando a alguém, mas isso talvez dê muito trabalho. E o jornal, como o papel, aceita acriticamente tudo o que lhe imprimem, por mais imbecil que seja.

 

Cretinismo partidário

Os meios de comunicação serviram principalmente como correias de transmissão da loucura partidária que dominou parte do país. Malucos alucinados festejaram, em redes sociais, a morte do filho do governador Alckmin – uma das alegações dos canalhas radicalizados é que não lamentavam “a morte de reaças”. Mas esse tipo de calhordice ficou restrito às redes sociais. Pior foi a atitude de calhordas disfarçados de políticos que exigiam que todos os que lamentassem a morte de Thomaz Alckmin lamentassem ao mesmo tempo a morte de um garoto de dez anos no Areal, no Complexo do Alemão, Rio, atingido por uma bala disparada, ao que tudo indica, pela polícia. Acontece que:

  1. 1. Cada pessoa que morre é uma perda para todos.
  2. 2. Mas cada um lamenta quem quiser. Todos os dias morrem no Brasil, vítimas de homicídios, cerca de 150 pessoas. É normal que as pessoas que conhecemos, de uma maneira ou de outra, ou que são nossas parentes, ou amigos, sejam lamentadas de forma especial.
  3. 3. E a imprensa deu espaço a calhordas disfarçados de políticos para perguntar qual das mortes era a mais lamentável. Depende: cada uma das famílias atingidas tem sua própria opinião. O círculo de amigos de cada vítima e de sua família também tem opinião formada. E morte não é torneio, para saber quem vale mais.

 

Os idiotas da não objetividade

Um grupo de Facebook que se intitula “Partido Anti-PT” publicou uma charge na qual três pessoas, assim que ouvem a TV anunciar “um pronunciamento da presidente da República”, baixam a roupa, se viram de costas para a TV e ficam de quatro esperando o noticiário (seu cachorro, ao lado do sofá, toma a mesma posição).

Caiu o mundo: muitas críticas e um internauta mais agressivo chamou o chargista de “escumalha, gentalha racista e sem escrúpulos” (por que racista? Talvez porque xingar os adversários de racistas esteja no manual de conduta).

E de que se tratava? De uma charge publicada nos tempos de Fernando Henrique, para criticá-lo, com uma única diferença: em vez de pronunciamento “da presidente”, era “do presidente”. O resto, igualzinho. E quem agora acusou o chargista de escumalha racista e chamou-o de gentalha, na época ficou quietinho.

 

A regulação da mídia

Tudo bem, a imprensa ainda mais controlada do que já é hoje pode reclamar da ausência de certas personalidades públicas no concurso de Miss Universo, pode exigir que os especialistas em receber boladas no Petrolão substituam o goleiro da Seleção, pode dizer que não há filas na Venezuela e que a Coreia do Norte é um exemplo de democracia, sob o comando do Querido Líder (seu título oficial) Kim Jong-un, filho e neto de presidentes de quem herdou o regime democrático (o avô, Kim il-Sung, era o Grande Líder, e seu pai, Kim Jong-il, era o Estimado Líder).

Porque a imprensa, caros leitores, precisa fazer muita força para não ser controlada pelo governo federal. As verbas oficiais de publicidade federal alcançam R$ 1,9 bilhão por ano – sendo R$ 200 milhões destinados à Secretaria de Comunicação, R$ 500 milhões dos ministérios, R$ 1,2 bilhão das empresas estatais. Com esse volume de dinheiro à disposição, só mesmo veículos absolutamente impermeáveis a pressões conseguem resistir.

E esse dinheiro todo está livre de contingenciamentos, cortes, economias. Nesse ninguém mexe. E, entre propaganda e atividades essenciais de governo, adivinhe o caro colega qual o preferido das autoridades.

 

Boa notícia

Não podemos esquecer que os quase R$ 2 bilhões acima citados se referem a verbas federais. Há ainda as estaduais (com suas empresas que anunciam fartamente – no ano passado, por exemplo, a Sabesp, que trabalha com saneamento no estado de São Paulo, fazia publicidade em rede nacional de TV) – e as municipais. Os serviços que aguardem o que sobrar de verbas. Aqui está um caso exemplar:

A Vara da Infância e Juventude de Foz do Iguaçu (PR), bloqueou as verbas de publicidade do município até que sejam resolvidos os problemas dos serviços de pediatria do Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Um dos problemas é inacreditável num serviço de pediatria: não há equipe médica especializada para atendimento na UTI pediátrica.

O problema agora deve ser resolvido. A prefeitura fará o que for possível, até mesmo trabalhar direito, para restabelecer logo suas verbas de propaganda.

 

A coluna do Castello

Foram dois anos de pesquisas, oito mil colunas para ler, o desafio de colocar num livro um dos maiores jornalistas brasileiros, Carlos Castello Branco, por muito tempo o principal colunista político do país. Castelinho escrevia no Jornal do Brasil dirigido por Alberto Dines, ao lado de monstros sagrados do jornalismo, como Fernando Gabeira, Luiz Paulo Horta, Murillo Felisberto, Luiz Orlando Carneiro, o grande Walter Fontoura, Wilson Figueiredo, Carlos Lemos, Nilo Dante, Carlinhos de Oliveira, Bárbara Heliodora – ali, quem não fosse excelente não tinha lugar no plantel. E Castelinho era titular absoluto.

Carlos Marchi, ele também um jornalista de excelentes credenciais, decidiu enfrentar o desafio. E seu livro já está nas livrarias. Para quem gosta de Jornalismo, para quem gosta de Política, para quem gosta de História, um prazer. Para quem gosta do Brasil, essencial.

 

Em pessoa, Lapouge

Um brasileiro que nasceu na França de família francesa, criou-se na França, vive na França. Mas poucos são tão brasileiros quanto ele – até no português fluente. Gilles Lapouge lança na terça-feira (7/4), em São Paulo, o Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil, no Teatro Aliança Francesa, às 17h.

Vale a pena: Lapouge veio ao Brasil em 1951, aqui viveu dois anos. Desde então é correspondente de O Estado de S.Paulo em Paris. Em seu livro, fala de todas as vezes em que esteve no Brasil e de todas as partes do Brasil que conheceu – uma preciosidade.

 

Reserve a data

Este lançamento é para a terça-feira, dia 14/4: no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal, Brasília, a partir das 18h30, com a presença do presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, sai o Anuário da Justiça Brasil 2015, editado pelo Consultor Jurídico, com a colaboração da Fundação Armando Álvares Penteado. Para quem trabalha no meio, imprescindível.

 

Como…

De um grande portal noticioso:

** “De acordo com Daphne Booth, após bater nas antenas, o avião arremetou e, depois, deslizou cerca de 300 metros na pista.”

Arremetou, do verbo “arremetar”. Como diria Pelé, entendje?

 

…é…

De outro grande portal noticioso:

** “É possível entardecer os efeitos da gravidade com atitudes simples”.

A matéria se refere a maneiras de retardar a perda de firmeza dos seios. E por que “entardecer” em vez de “retardar”, “adiar”, “postergar”? Talvez porque quem redigiu o título tenha algum tipo de entardecimento desenvolvimentacional conhecitivo. Ou não.

 

…mesmo?

Maitê Proença, botafoguense roxa, promete ficar totalmente nua (exceto por uma coleira escritaBotafogo) se seu time subir de divisão. Como informa um grande jornal impresso, de circulação nacional, Maitê já “pousou” duas vezes para revistas masculinas.

As revistas com Maitê sempre bateram recordes de vendas. É por isso que ela não posa, pousa: é um avião!

 

Frases

>> Do ex-presidente Lula, na reunião do PT: “Estou indignado com a corrupção.”

>> Do jornalista Rolf Kuntz, comentando a frase de Frei Betto, de que o PT tende a se transformar num arremedo do PMDB: “Então o PT vai melhorar muito.”

>> Da escritora Letícia Dorneles: “Menos política. Mais Humanidade.”

>> Do jornalista Palmério Dória: “O coelhinho da Páscoa não está com nada no Congresso. Deputados e senadores demonstram clara preferência pela galinha dos ovos de ouro.”

>> Do jornalista Sandro Vaia: “‘O sucesso de Dilma é o meu sucesso’, afirma Lula a petistas. De fato.”

>> Do jornalista Gabriel Meissner: “Collor se dizia perseguido pela imprensa. FHC reclamava da imprensa. Lula sempre esbravejou contra a imprensa. Dilma reclama da imprensa. Essa tal de imprensa deve estar fazendo alguma coisa certa.”

 

E eu com isso?

Os puristas do jornalismo odeiam noticiário frufru. Os jornalistas que enxergam motivação política até no cardápio dos restaurantes (“Lula à dorê por quê?”) odeiam noticiário frufru. O leitor adora noticiário frufru. E até esse pessoal mais empedernido, pode ter certeza, se souber que ninguém está ouvindo vai mesmo é discutir o namoro do galã da novela com a estrela do BBB. Aliás, um dos astros do radicalismo político não saiu do BBB?

** “Filha de Joelma abandona carreira musical e vira corretora de imóveis”

** “Kristen Stewart arrasada com o noivado de Pattinson”

** “Thammy Miranda diz que faz a barba a cada dois dias”

** “Ryan Reynolds não quer que a filha seja atriz”

** “Casamento de Preta Gil terá surpresa a cada meia hora”

** “Kathy Perry exige look ‘joãozinho’”

** “Reynaldo Gianecchini janta com Christiane Alves no Rio”

** “Rihanna acorda Jimmy Kimmel com uma balada em seu quarto”

** “Giba curte praia em clima de romance no Rio”

** “Demi Lovato faz mais uma tatuagem”

** “Marco Luque participa de piquenique especial”

** “Ed Sheeran contrata guarda-costas”

** “Ronaldo assiste a jogo de basquete com a namorada, em Miami”

** “Cristiano Ronaldo curte noite de fado em Lisboa”

** “Glória Pires confessa ser uma mãe coruja”

** “Pharrell Williams circula por Nova York com a esposa”

 

O grande título

Boas manchetes. E retratam com perfeição como anda nosso jornalismo. Nas contradições, por exemplo:

Título da chamada:

** “Fernando Alonso ‘acordou’ em 1995 e pode não correr mais na Fórmula 1”

Título da matéria nas páginas internas:

** “‘Não acordei em 1995’, desmente Fernando Alonso após acidente na Fórmula 1”

Ou, na área esportiva. Título da chamada:

** “Lewis Hamilton faz 40ª pole da carreira no GP da Malásia”

Título da matéria interna:

** “Rosberg é o mais veloz na última sessão de treinos livres na Malásia”

Deve ter sentido, claro. É assim porque é assim, não é assim?

E o grande título:

** “Tetraplégico ao mergulhar em piscina supera medo e consegue ser pai”

Algum dia, alguma boa alma explicará direitinho essa história a este colunista.

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A síndrome da notícia ruim

  • Carlos Castilho | OI
  • 12 Abr 2015
  • 09:09h

(Foto Ilustrativa)

Quando a avalancha de informações econômicas pessimistas se soma à rotina de notícias sobre assassinatos, balas perdidas, chacinas, tragédias familiares, assaltos e atentados contra a economia popular, a agenda diária da imprensa leva o leitor a um dilema atroz: ter ataques de fúria ou simplesmente ignorar a realidade – o que, no caso da imprensa, significa desinteressar-se pelas notícias para preservar a sanidade mental.


Está é a escolha que um número crescente de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas brasileiros está sendo obrigado a fazer diariamente na hora de ler um jornal, revista ou assistir a um telejornal. Está cada dia mais difícil suportar a carga de pessimismo transmitida pelas manchetes e por âncoras de telejornais, alguns dos quais parecem ter prazer em anunciar novas tragédias e novos sacrifícios para um cidadão que passou da euforia e otimismo até o inicio do ano passado para um estado de choque agora em 2015.


A associação do noticiário pessimista com a estratégia oposicionista de desconstrução do governo Dilma Rousseff pode até ser casual, mas o fato concreto é que o crescente déficit de esperança do público consumidor de notícias tem consequências de médio prazo e que não são nada animadoras para o futuro da imprensa.


O que se nota atualmente é que uma parcela considerável do público começa a descrer do que a imprensa publica por associar as notícias ruins a uma estratégia política e ideológica. A outra parte da clientela de jornais, revistas, telejornais e redes sociais vincula-se a esses veículos não por sua missão informativa, mas porque oferecem abrigo e conforto para posicionamentos ideológicos. Ambos os casos deveriam preocupar os executivos da indústria jornalística porque eles não garantem a sustentabilidade futura das empresas que dirigem.


A descrença tem efeitos prolongados porque afeta a credibilidade de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Já a identificação ideológica pode ser transitória porque as conjunturas mudam e, com elas, a fidelização do público simpático às opções do veículo jornalístico. No caso atual, na hipótese de a presidente Dilma ser afastada, como deseja a extrema direita, o fator ideológico perderá relevância logo após as eventuais mudanças no governo, repetindo o que ocorreu antes e depois do golpe militar de 1964.


Saturadas por tantas notícias pessimistas ou irritadas com o impasse político-ideológico, as pessoas promovem nas redes sociais da internet uma catarse coletiva online, que por um lado pode aliviar temporariamente as tensões pessoais mas, por outro, carrega ainda mais o já pesado ambiente informativo .


Há dias li no Facebook o comentário de um internauta que dizia: “Eu já sei que está ruim e vai ficar pior. Por que a imprensa não nos acompanha na busca de soluções?” O angustiado consumidor de notícias deu vazão ao que muita gente pensa e tem muita dificuldade para transformar em prática.


A dificuldade é que fomos educados a cobrar e esperar que os governos e as empresas resolvam todos os nossos problemas. Hoje verificamos que nem um nem outro têm condições e vontade de atender às nossas expectativas. Os governos, de todas as tendências, se transformaram em entidades corporativistas preocupadas com seus próprios interesses. As empresas perderam a perspectiva de sua missão social e só pensam no próprio lucro num momento de crise.


O leitor pode cobrar da imprensa a aplicação do chamado jornalismo de soluções, uma opção que já é praticada em vários países, principalmente nos Estados Unidos, e que tem como condição prévia o desapego ideológico e partidário. O engajamento com o leitor é prioritário em relação às alianças politicas. O fundamental passa a ser ouvir o que as pessoas têm a dizer, identificar problemas a partir da base e não dos desejos e preferências dos editores. O principal objetivo é criar um ambiente de diálogo permanente entre o veículo jornalístico e as comunidades que ele elegeu como público alvo.


O bombardeio negativista nas manchetes e comentários pode agradar ao fígado e projetos de alguns jornalistas, políticos e empresários envolvidos na batalha entre petistas e antipetistas, mas já está saturando o público, que num impulso de sobrevivência social passa a olhar para o outro lado. Para muitos, este outro lado é simplesmente ignorar a imprensa, algo que deveria tirar o sono de executivos, diretores de redação e editores.

Agachamento completo. Fazer ou não fazer? Eis a questão.

  • Vitor Cotrim
  • 10 Abr 2015
  • 15:42h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

Existe um conceito entre professores de educação física, atletas e praticantes de musculação que o agachamento é o exercício mais potente para o desenvolvimento dos membros inferiores. Porem há uma discordância entre alguns profissionais quando se fala em agachamento completo, onde o praticante ultrapassa os 90º defendidos ferrenhamente por alguns profissionais, acreditando que ultrapassar os 90º estariam induzindo seus alunos a lesões no joelho. Entretanto, estudos comprovam que o agachamento completo desde que se respeite as particularidades de cada indivíduo e se mantenha o equilíbrio pélvico, preservando as curvaturas anatômicas e fisiológicas da coluna vertebral, pode e deve ser executado, mas sempre sobre supervisão de um professor de educação física experiente, capaz de detectar até que ponto seu aluno deve descer, e é prudente que para uma maior amplitude do movimento se reduza a quantidade de peso. E não devemos nos preocupar apenas com os joelhos, pois, a parede abdominal e a musculatura lombar bem fortalecidas auxiliarão na postura correta durante o exercício.

Para sua segurança procure sempre por um profissional de Educação física. 

Leitura dos brasileiros é uma das piores do mundo

  • Paulo Esdras
  • 10 Abr 2015
  • 08:30h

Foto: Reprodução

As pesquisas e estatísticas da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em relação à leitura no mundo coloca o Brasil numa das piores colocações do ranking. A média em leitura dos países que integram a OCDE, na grande maioria economias desenvolvidas, foi de 496 pontos em leitura. O Brasil totalizou 410 pontos na matéria – resultado semelhante aos registrados pela Colômbia e Tunísia e abaixo da Costa Rica. A China, que liderou a classificação, também em matemática e ciências, obteve 570 pontos em leitura. O estudo revelou um dado alarmante em relação ao nível de leitura dos estudantes brasileiros: quase a metade (49,2%) ficou abaixo do nível de competências básicas. No estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) referente ao hábito da leitura em 52 países revela que o Brasil ocupa a 47ª posição. Em países desenvolvidos, uma pessoa lê em média 10 livros ao ano. No Brasil, segundo o estudo, a média é de 4 livros por ano. 

 

Como professor de Literatura e observador cultural, acredito que o estudo esteja errado. A média não pode ser de quatro livros por ano. Alguma coisa está elevando este número! Será que os pesquisadores incluíram os livros didáticos e as revistas sobre fofoca? Infelizmente os jovens com condições de comprarem livros não leem. Imagina a maioria das pessoas que não possuem esta condição? Que média seria essa? Será que fabricaram a amostra nas academias? É triste, pois a leitura é responsável por boa parte do entendimento de mundo não vivenciado na prática. Sem leitura, não é desenvolvido o senso crítico de forma ampla. Será que não é isso mesmo o que a mão invisível do poder almeja? 

 

A solução para mudar este quadro está diretamente ligada às escolas. O investimento na qualidade da educação e a mudança do currículo escolar que engessa o estímulo à leitura em obrigatoriedades que afastam os jovens dos livros serão passos fundamentais para esta transformação. Sonhemos com o dia em que nossos jovens realmente leiam uma média de quatro livros por ano.

 

A grande lição das ruas

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 18 Mar 2015
  • 08:01h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

Acabamos de ver uma lição de democracia por todo o país, uma demonstração de cidadania. Temos que a manifestação popular é uma das formas de nos comunicarmos com o governo, de nos fazer ouvir.

Contudo, os atos de indignação exteriorizado nas manifestações e por aqueles que de alguma maneira a apoiaram, neste exato momento, a menos de três meses da posse do novo mandato e reeleição, daquele que por quatro anos irá ocupar a cadeira da presidência de nosso País e tomar decisões que afetarão diretamente nossas vidas, se tornou um reflexo muito maior que o próprio exercício da democracia, mostra também a imaturidade política vivida em nosso País.


As manifestações são válidas e pertinentes, mas vamos aproveitar e refletir nas razões de sermos impulsionados a sair às ruas e manifestarmos contra um governo que acabamos de eleger. Certo que para isto será preciso uma dose grande de coragem. Coragem para assumir o erro recente, pois a poucos meses atrás fomos as urnas, e apesar de todos os escândalos conhecidos, como o tão falado mensalão e o atual escândalo da Petrobrás elegemos o governo que estamos pedindo para ser demitido.


Comodismo ou imaturidade. Independe, o certo é que esse mesmo governo contra quem se dirigiu as manifestações, e que era velho conhecido conseguiu convencer a maioria que nada do que está acontecendo existiria, que os prelúdios eram fantasias e que tudo continuaria como antes e seria um sonho dourado.


Que as manifestações, mais que um aviso de insatisfação nos traga o conhecimento da lição dada tão raramente, que desta vez, em excepcional ocasião mostrou em pouco tempo o resultado de um erro inconsequente. A vida, através das ruas esta nos dando a lição que não conseguimos buscar.

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Artigo de Opinião: Paraíso? de que?

  • Dr. Cleio Diniz
  • 26 Jan 2015
  • 15:19h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Pelas posições adotadas internacionalmente, vários Países passam a ser rotulados de paraíso em determinadas áreas. Alguns de forma positiva, outros nem tanto. Restringido as nomenclaturas conferidas a aqueles que, por razões distintas adotam posturas não muito ortodoxa e apreciada pela lisura social. Assim temos os conhecidos paraísos fiscais, ou outros conhecidos pela produção de produtos falsificados.


Nesta linha, nosso País já cultua uma imagem e impunidade e tolerância, principalmente em crimes conhecidos como de “colarinho branco”, mas parece que isto não preocupa muito nossos governantes, os quais em uma política no mínimo estranha vêm adotando posturas que, apesar de qualquer justificativa, tem semeado a imagem que aqui é o paraíso da criminalidade.


Alguns episódios recentes tem apoiado esta ideia, assim vejamos, recentemente durante a Copa do Mundo de Futebol, um grupo de turistas chilenos cometeram atos de vandalismos, forma presos e extraditados. Em entrevista sobre o episódio, o embaixador Chileno declarou que as sanções aplicadas pelo governo brasileiro e que os autores do vandalismo seriam duramente punidos quando retornasse ao Chile por exporem a imagem do País.


Recentemente um brasileiro, após ser julgado e condenado por trafico internacional de entorpecente, recebeu a pena capital (pena de morte). Estranhamente o nosso governo saiu em defesa do criminoso chegando ao ponto de rogar por clemencia e ao não obter êxito mandou chamar o embaixador sediado naquele País em demonstração de repúdio e desagravo diplomático. Ora, falar que o fato se deu apenas contra a pena capital é hipocrisia, pois um dos maiores parceiros comercial do nosso País, tido como exemplo de democracia adota em alguns de seus estados a mesma pena capital, e nem por isto é criticado. Lei é Lei, e deve ser seguida para a segurança jurídica do estado e preservação do equilíbrio da sociedade.


Em concreto temos estampado a imagem de tolerância com a criminalidade, a qual não repensada e revertida poderá nos conferir o rótulo de paraíso da impunidade.

Artigo de Opinião: O CULPADO

  • Dr. Cleio Diniz
  • 22 Jan 2015
  • 19:37h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Com certa frequência escuto comentários sobre nossas leis estarem defasadas, serem velhas e não corresponderem às necessidades e anseios, de não serem capazes de responderem a onda de crimes das mais diversas espécies acometido no País, desde crimes de corrupção a própria violência. Percebo um sentimento de indignidade e a escolhida foram às leis.

Não que as mesmas não mereçam serem atualizadas, adequadas às inovações impostas por uma evolução acelerada e desenfreada. Ora, se prestarmos um pouco de atenção a nossa cronologia histórica, iremos perceber que a esmagadora evolução se deu nos últimos 200 anos, o que não é nada comparado à existência da raça humana.

Mas as leis por si só, mesmo atualizadas não compensaram o desequilíbrio que nos assola em prol da ilegalidade. Existe algo maior que denominamos de sistema, ou seja, não adianta termos leis severas se não temos como aplica-las decentemente, não adianta ter leis se ainda nos arrastamos por anos a fio para obtermos um julgamento, seja na esfera cível, seja na esfera criminal. Não adianta condenar se não tem onde prender, quiçá ressocializar.  A letargia do Estado em todas suas esferas propiciam e incentivam a ilegalidade, criando a imagem que o risco ainda é pequeno para quem navega no lado oposto da lei. Quando se beneficia da corrupção do dinheiro público, sendo pego não se devolve, não se tem o patrimônio escondido em nomes de terceiros alcançado pelo braço da lei.  Quando se é pego na criminalidade do trafico, do roubo e afins, mesmo sendo preso ainda se beneficia das benesses do sistema e a vítima arca com o total prejuízo.


A lei é apenas uma engrenagem dentro de um sistema e indiferente de sua modernização, a condição arcaica das demais peças a torna obsoleta e nada acontece. Mas ela acaba por levar a culpa, por servir de bode expiatório. Na verdade a lei é a grande desculpa encontrada por aqueles que prezam pela permanência de um sistema entravado e inoperante. Não podemos nos esquecer de que, este sistema é alimentado pela falta de conduta e apreço a responsabilidade individual de cada ente de um todo, a sociedade.

Trilogia da Segurança Parte II: 'Errar é humano, mas persistir é burrice'

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 17 Nov 2014
  • 09:40h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Juntamente como o dito popular “o pior cego é aquele que não quer enxergar”, ambos os ditados provem da sabedoria popular, e como tantos outros são frutos e refletem resultados reiterados de situações vividas, todavia se enquadram perfeitamente como espelho das ações adotadas na questão de segurança.


Após mais de 40 anos de pesquisa, o professor e psicólogo Stanton Samenow concluiu que “a decisão de cometer crimes pouco tem a ver com a pobreza e as condições de vida em que eles (bandidos) se encontravam” (Veja, ed. 2346. 06 de novembro de 2013. Pg 19). Esta conclusão desmitifica a tese usada hipocritamente por aqueles que buscam uma desculpa para justificar atos criminosos. A verdade é que pobreza e crime não são sinônimos, aliás, os maiores crimes são cometidos nas castas mais elevadas.


Em pesquisa realizada para produção de minha tese de monografia de faculdade intitulada “Fins da Pena” pude perceber que o meio influência, mas não origina a criminalidade. Por ser de amplo aspecto a celeuma da segurança, vamos simplificar e abordar a posição do estado e das entidades envolvidas traçando um paralelo de modo a criar uma transparência e melhor entendimento através de dois exemplos reais.


O primeiro e mais recente, o ataque ao Parlamento Canadense, onde um dos criminosos foi morto por um policial. Este Policial foi recebido como herói em sessão especial, condecorado e aplaudido de pé.


No Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo, a Rota (polícia especializada similar a CAESG) após denúncia descobriu um “tribunal do crime”, o qual estava em funcionamento. Foi recebida a tiros de fuzil, e no confronto alguns bandidos foram mortos, todos com extensa lista de passagem pelos mais diversos crimes, sendo alguns considerados de alta periculosidade. Na operação foi encontrado armamento proibido e drogas. Os policiais foram afastados e processados. Como esperar que uma pessoa que é forçado, devido ao baixo salário, a morar com sua família ao lado da criminalidade e em um determinado momento vista um uniforme e se transforme, mas sabendo que se houver ato de heroísmo será processado.


Ora, qual será o meio, o modo mais correto de incentivar um combatente do crime, um funcionário a agir corretamente? Fala-se muito em punir o policial que não agir com probidade e lisura, mas não se fala em reconhecer e bonificar aquele que age com presteza. Em ambos os casos qual será aquele que surtira maior resultado?


Estamos vivendo a política do “achometro” onde as decisões são tomadas sem um estudo de resultado, mas apenas calcada em interesses, onde se aborda apenas a parte que lhe é benéfica para supostamente divulgar e conduzir um resultado.


Um povo sem educação não questiona. Um povo sem saúde é dependente. Um povo sem segurança tem medo. Este tripé torna-se o objeto do desejo de todo governo que se distância de seus propósitos para com os interesses da sociedade. Não se trata mais de incompetência, mas de acordar.

Trilogia da Segurança: O Sistema

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 10 Nov 2014
  • 10:48h

Dr. Cleio Diniz é articulista do Brumado Urgente (Foto: Laércio de Morais)

Este tal de “Sistema” que não tem mãe nem pai, passou a ser o autor por tudo que acontece, por gerir nossas vidas, nossos atos e ser o responsável por tudo que ocorre. Certo é que, quando algo funciona e tende ao sucesso sempre tem um responsável, mas quando dá errado a culpa sempre é do sistema.


Por estarmos tratando da questão de segurança, vamos restringir um pouco ao sistema judiciário, com uma visão crítica e analítica. Para tanto vamos pegar como base um caso concreto ocorrido a pouco, portanto atual, onde nossa mais alta corte, o Supremo Tribunal Federal se reuniu para julgar um caso onde uma pessoa estava sendo processada por roubar um par de chinelos, no valor de R$ 16,00.


Não que o caso deixe de ter sua importância, mas mostra o entrave burocrático existente no judiciário, o qual provoca a letargia do mesmo com enormes prejuízos a todos aqueles que precisam de uma solução para um determinado problema. Outro ponto a ser pensado é o extenso poder de subjetividade e independência conferido a cada juiz, equiparando cada um a uma corte distinta. Não que se deva retirar o livre convencimento do juiz, mas não seria hora de pensarmos em diretrizes e limitação, conferindo aos tribunais superiores o mando destas?


Certo é que o sistema na forma em que conhecemos e existe não está funcionando, ou como disse o próprio ministro da Justiça em um congresso de direito público realizado na cidade de Salvador/Ba. no ano de 2013, “este modelo de Estado que conhecemos está falido, está na hora de reinventarmos outro”.


Soluções existem, talvez falte coragem, vontade ou quem sabe interesse. Não podemos acreditar na incapacidade de se perceber que, na forma em que se encontra não esta dando certo, que esta errado, que o resultado é negativo, contrário aos anseios da sociedade, aos princípios da convivência e ordem social.

Artigo de Opinião: Politicagem e Preconceito

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 04 Nov 2014
  • 19:18h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Após os resultados das urnas iniciou-se uma onda de expressões qualificadas como preconceituosas, as quais foram criticadas, debatidas e tudo mais, todavia a origem, o cerne da questão não foi levantado, debatido, sequer analisado.


Nosso País é universalmente reconhecido pela sua miscigenação, aliás nossa origem. Nosso povo é formado pela mistura de todas as raças, o que entra em choque com esta postura.


Não é de hoje que esta “rixa” entre o norte e o sul existe e tive o desprazer de conhecê-la ainda na adolescência. Neste campo posso falar com propriedade, pois nasci no sul e me criei no norte e nas minhas idas e vindas pude presenciar este posicionamento incompatível com nossas origens.


Neste apurado aprendi que a questão econômica é muito mais fachada do que propriamente a razão, estando esta estreitamente ligada a questões políticas, ou seja, o interesse político e individual de “alguns” governantes fomentam esta disputa e suposta intolerância. Digo suposta porque o que se vê é um se beneficiando das benesses do outro, o que se vê é, acompanhando nossa história, o norte repleto de sulistas e o sul repleto de nortista.


Na verdade, ouso dizer que tudo é mantido pelo jogo ariscado do poder. Então vejamos, em fatos recentes, como estratégia de campanha, o grupo vencedor na última eleição pregava ser o representante dos pobres, enquanto o outro seria o representante dos ricos.

Traduzindo para a fachada da economia, um seria representante dos operários e o outro dos empresários, como se em ambos os casos esta divisão fosse possível. Digo possível porque como representante eleito da nação, o chefe de governo tem que administrar para todos, fazendo cumprir suas promessas feitas para aqueles que o elegeu e mostrando para aqueles que não o apoiaram que merece também sua confiança. Trazendo para o campo da economia, fica mais evidente separação das classes, pois não existe possibilidade do operário viver sem o empresário e nem este sem aquele.


Enfim, falar em separatismo por questões políticas ou econômicas é balela, pois se for posta em prática esta idéia, com base em economia, cultura e outras coisas mais não irá bastar dividir o País em duas partes, mas terá que ser uma divisão em dezenas, quem sabe centenas de mini Países.


Não podemos nos esquecer do velho e sábio ditado que diz “a união faz a força”, e com certeza a nossa grandeza faz a diferença e impõe respeito.