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Qual o valor que você dá para honestidade em sua vida?

  • por Samy Dana
  • 17 Jan 2016
  • 08:01h

(Foto: Reprodução)

Qual é a referência que você usa para definir sua honestidade? Quando pensamos em dinheiro e princípios, nossos posicionamentos podem mudar bastante de acordo com a nossa distância da origem dos recursos. Nossa capacidade de racionalização nos leva a olhar para nós mesmos como pessoas honestas e de boa índole e ao mesmo tempo levar vantagem em situações desonestas. O economista comportamental Dan Ariely propõe uma discussão sobre isso e traduz como isso acontece em situações cotidianas. Um exemplo clássico é o caso do garoto que volta da escola com uma notificação de que roubou um lápis de um colega. Ao tomar conhecimento da situação, o pai fica furioso e o coloca de castigo, reforçando que ele jamais deveria ter roubado o lápis do colega. Em seguida, acrescenta: "Se você precisava de um lápis, poderia ter mencionado. Eu traria dúzias de lápis do escritório para você". 

 

Pois bem, assim como o exemplo dado por ele, pense nas vezes em que pagou meia entrada no cinema com uma carteirinha de estudante falsa. Se alguém lhe questionasse sobre isso, você usaria a desculpa que o valor da inteira é abusivo e acharia isso suficiente para justificar sua burlada. Em geral, buscamos justificativas que façam sentido e que sejam capazes de encobrir o erro a ponto de continuarmos nos enxergando como pessoas corretas. E como disse acima, quanto maior o nosso distanciamento da origem do dinheiro, mais este aspecto se acentua. Você se sentiria mal se fosse embora de um restaurante sem pagar a conta. Por outro lado, os mesmos valores que te impedem de fazer isso, não são suficientes para te impedir de fazer downloads ilegais de filmes, músicas e livros, por exemplo. Em palestra sobre o tema, o economista menciona um interessante estudo sobre o tema, o qual mostra que quando a moral é evocada de uma alguma maneira, ainda que não seja o nosso próprio código moral, tendemos a ficar mais vigilantes quanto às nossas posturas e nos damos menos espaço para atitudes desonestas. Cerca de 500 estudantes da UCLA, em Los Angeles, foram orientados a lembrarem-se dos dez mandamentos. Logo em seguida, foi dada a eles a oportunidade de trapacear, mas eles não o fizeram. Pode soar como clichê, mas esta reflexão vem a calhar com o nosso contexto político e econômico. Estamos constantemente reclamando do excesso de corrupção em nosso país, mas temos o hábito "cultural" de tentar levar vantagem sempre que possível. Se prezamos por nossa honestidade, não adianta tentar encobrir os "deslizes" do cotidiano. Errar é humano, mas sempre há tempo de mudar. 

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Quando os fatos assustaram os pessimistas

  • Por Rolf Kuntz
  • 31 Dez 2015
  • 13:14h

(Foto: Reprodução)

A economia brasileira deve continuar encolhendo em 2016, com mais desemprego e mais empresas quebradas, em novo capítulo de uma recessão iniciada em 2014 e já classificada como depressão ­por alguns analistas. Esse é o prognóstico do mercado financeiro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).  Além disso, a inflação, embora menor que a deste ano, continuará bem acima do limite de tolerância fixado pelo governo, 6,5%.  A meta, 4,5%, poderá ser alcançada no fim de 2017, segundo estimativa tanto de instituições privadas quanto do Banco Central (BC). Terrorismo da imprensa? Nem de longe. Os jornais têm acompanhado o desempenho da economia, muito fraco há vários anos, e até indicado as tendências de piora, mas as projeções citadas são normalmente produzidas pelas equipes especializadas de instituições do mercado, de entidades multilaterais e -é importante notar – do próprio governo. As autoridades, com exceção dos dirigentes  do BC, têm mantido por algum tempo previsões  mais otimistas que aquelas produzidas fora de Brasília, mas acabam, com certa demora, revendo suas contas.

As bolas de cristal citadas com maior frequência pela imprensa são  também aquelas consultadas semanalmente pelo BC em sua pesquisa Focus, conduzida nas sextas-feiras e divulgada na manhã das segundas. O relatório divulgado traz a mediana das projeções de economistas de cerca de cem instituições financeiras e consultorias. As estimativas do próprio BC são em geral publicadas em seu Relatório de Inflação, um amplo retrato da economia divulgado a cada três meses. De acordo com a pesquisa Focus de 4 de dezembro, o produto interno bruto (PIB) deste ano deve ser 3,50% menor que o de 2014. O de 2016 será provavelmente 2,31% inferior ao de 2015. O setor industrial deve continuar com o pior desempenho, recuando 7,60% neste ano e 2,40% no próximo. A inflação de 2015 deve bater em 10,44% e a do ano seguinte em 6,70%. Atribuir pessimismo aos autores dessas projeções seria até cômico. Na pesquisa de 2 de janeiro, as bolas de cristal indicavam para 2015 um crescimento do PIB de 0,50%, depois de uma expansão quase nula em 2014. A inflação ficaria em 6,569%, pouco acima do  limite de tolerância.  Na semana seguinte, quando saiu a primeira projeção do PIB para 2016, com crescimento estimado de 1,80%, a expansão esperada para 2015 já havia recuado para 0,40% e a inflação esperada já estava em 6,60%. Mera mudança de humor? Nem tanto.  Cada nova informação indicava um resultado pior no ano recém terminado e perspectivas piores para os meses seguintes. O balanço de 2014 acabou apontando um crescimento de apenas 0,1%, número insuficiente para disfarçar a recessão já iniciada. Nos meses seguintes a perspectiva de um resultado pior neste ano seria confirmada e a estimativas para 2016 ficariam piores. As projeções de inflação também ficariam gradualmente mais assustadoras.  As taxas mensais deveriam cair em meados do ano e em seguida voltariam a subir. No começo de novembro uma estimativa de 9,99% para o ano foi registrada no boletim Focus. Em 4 de dezembro a mediana já havia subido para 10,445. O relatório oficial de inflação divulgado poucos dias depois mostrou uma alta de preços de 9,62% acumulada de janeiro a novembro. Em 12 meses a variação já havia chegado a 10,48%, a maior taxa para esse período desde novembro de 2002 (11,02%). Poucos  números ficaram, durante o ano, melhores que as projeções iniciais. Exportações e importações continuaram caindo, como em 2014, mas o tombo do valor importado foi maior que o previsto, por causa da recessão e da alta do dólar. Os dois fatores também frearam os gastos com viagens internacionais e assim afetaram a balança de serviços. Como resultado geral, o déficit em conta corrente, o registro mais amplo das transações com o exterior, diminuiu mais do que se esperava. Também esse movimento foi acompanhado pelos especialistas do mercado e registrado na imprensa. Em 2014 o déficit em conta corrente chegou a US$ 103,60 bilhões. As primeiras projeções para o ano indicavam um buraco de US$ 77 bilhões. Havia, portanto, a expectativa de uma redução considerável. No início de dezembro já era de um déficit de US$ 64,40 bilhões, muito parecido com a nova estimativa do BC, US$ 65 bilhões.


A incógnita da taxa de juros

Entre 2011 e 2014, durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, os dados finais da economia, em cada ano, foram sempre piores que as estimativas iniciais dos economistas das instituições financeiras, das consultorias e dos centros acadêmicos de pesquisa. Na imprensa, mesmo os críticos mais severos da política econômica raramente formularam estimativas mais pessimistas que as das fontes habituais, até porque essas fontes são muito mais equipadas, tecnicamente, para produzir projeções. Muitas dessas instituições operam com modelos econométricos iguais aos do BC, respeitados por sua qualidade. A imprensa, é claro, nunca se limitou a usar os números fornecidos pelas fontes –oficiais ou extraoficiais – tecnicamente mais qualificadas. Boa parte do material divulgado pelos jornais e pelos meios eletrônicos foi obtido em empresas, associações empresariais e organizações dos trabalhadores, como o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Jornalistas frequentemente levantaram as avaliações de agentes de mercado e produziram, com base nesses dados, informações próprias. Além do mais, ninguém precisa valer um Nobel de Economia para prever uma retração do consumo quando o desemprego aumenta, o crédito se torna escasso e a inflação come rapidamente o poder de compra das famílias. Mas a atividade  envolve muito mais que a produção de informações, comentários e análises. Parte importante do trabalho é a atualização do leitor  sobre discussões e teses de especialistas. Essa tarefa é bem exemplificada pelas muitas matérias publicadas, neste ano, sobre a hipótese da dominância fiscal, formulada inicialmente por economistas estrangeiros e incorporada no debate nacional. Se a a dominância fiscal de fato estiver ocorrendo no Brasil, a política monetária será incapaz de conter a inflação alimentada pelo desajuste das contas públicas e, além disso, produzirá efeitos amplamente negativos. Em vez de frear a alta de preços, o aumento dos juros afetará o mercado cambial e a elevação do dólar acabará gerando mais pressões inflacionárias. Além disso, juros mais altos farão crescer a dívida pública e tornarão mais difícil a execução da política fiscal. Essa tese é provavelmente rejeitada pelos membros do Copom, o Comitê de Política Monetária, formado por diretores do BC. Afinal, eles já indicaram a disposição de  aumentar os juros, mais uma vez, no começo do ano, se o exame dos números atualizados apontar o risco de uma inflação ainda mais intensa que a prevista há poucos meses. A taxa de 10,48% acumulada nos 12 meses até novembro parece favorecer a posição dos defensores de juros mais altos. Não dá para acusar da imprensa de ter sido muito ranzinza ou muito pessimista em seu tratamento do noticiário econômico e das projeções para 2016.  Ao contrário: jornalistas têm sido até bonzinhos, quando negligenciam, nas coberturas, certos detalhes. Por exemplo: nem sempre o noticiário sobre a balança comercial apresenta com destaque a redução das importações de bens de capital, isto é, de máquinas e equipamentos. No entanto, esse detalhe é especialmente importante, quando se trata de avaliar o potencial de crescimento do País. Esse potencial, segundo todas as estimativas conhecidas, diminuiu sensivelmente nos últimos quatro ou cinco anos. A economia poderá até pegar no arranque, antes do fim do próximo ano, mas qual será o crescimento possível nos dois anos seguintes? Pormenores desse tipo são especialmente importantes quando se pensa nas condições de retomada. A discussão sobre os entraves ao crescimento poderia ir muito mais longe e ocupar muito mais espaço e mais tempo nos meios de comunicação e no mundo empresarial.  De início, só haveria um dado promissor nesse debate: o reconhecimento de sua importância.

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Rolf Kuntz é colaborador do jornal O Estado de São Paulo e professor de filosofia política na USP

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Lições da histeria coletiva gerada por caso de adultério no Whatsapp

  • Por Felipe Tessarolo
  • 31 Dez 2015
  • 09:07h

(Imagem Ilustrativa)

Sabe-se que as tecnologias acabam condicionando as nossas práticas sociais. Mas entenda aqui condicionar no sentido de criar novas possibilidades, de ser um ponto de partida e não um limitador. O filósofo francês Pierre Lévy desenvolve bastante esse conceito no livro Cibercultura(lançado aqui no Brasil em 1999 pela Editora 34). Um dos pontos da cibercultura, segundo Lévy, é a inteligência coletiva que “é uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que, ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa”. Com o crescimento da internet e a consequente popularização do seu acesso, os indivíduos na sociedade contemporânea cada vez mais desfrutam do ciberespaço e das novas práticas sociais possibilitadas pela sua utilização. Dessa forma, um cidadão, hoje, em posse de um smartphone devidamente conectado à internet, é capaz de acessar, produzir, modificar e compartilhar uma gigantesca quantidade de informação. Faça as contas: segundo o site Internet Live Stats, em apenas um segundo 31,693 gigabytes de dados são gerados na internet.

Mas infelizmente informação não é conhecimento e nem todas essas possibilidades são utilizadas de maneira construtiva. Até onde essa liberdade é positiva? Quais são os impactos causados por esse ciberespaço, esse ambiente virtual no ser humano real? O trato e o convívio social Onde Sancho vê moinhos, Dom Quixote vê gigantes. Mas nesse caso podemos ler essa frase ao contrário: “Onde Dom Quixote vê gigantes, Sancho vê moinhos”. Na segunda-feira, dia 14 de dezembro, as redes sociais (principalmente o Whatsapp) se transformaram num verdadeiro balcão de bar e as pessoas passaram a discutir um flagrante de adultério ocorrido em Minas Gerais. A trama lembra um verdadeiro roteiro de novela mexicana: o marido traído flagrou a esposa saindo do motel com o melhor amigo e concunhado (ele é casado com a irmã da esposa infiel). Tudo isso devidamente registrado por um outro “amigo” dos envolvidos. Não quero aqui citar nomes nem apelidos para não perpetuar a propagação desse evento. Meu intuito é discutir a repercussão desse episódio. Faça uma reflexão, de tudo o que você leu, pesquisou, compartilhou ou recebeu desse acontecimento, aponte rapidamente quem é o vilão, ou a vilã, dessa história toda. O primeiro ponto a ser refletido é que esta é uma história real, não se trata de um filme ou de uma série acompanhada avidamente no Netflix. As pessoas daquele vídeo não são personagens criados para o seu entretenimento; elas são tão reais quanto eu e você. Dessa forma, por serem pessoas reais, não podemos rotulá-las como personagens de mais uma trama midiática que estamos tão acostumados a acompanhar. Enquanto o nosso cotidiano volta ao normal e damos oplay no próximo vídeo que recebemos, o estrago causado pela exposição desse episódio vai acompanhar essas pessoas, seus familiares e seus filhos, infelizmente, durante muito tempo (espero que não pelo resto de suas vidas). A repercussão e os transtornos causados, sejam eles psicológicos ou relacionados à imagem dos envolvidos, estão sendo muito maiores do que o ato em si. Avançamos tanto no desenvolvimento tecnológico e parece que, ao mesmo tempo, retrocedemos no trato e no convívio social. É como se quebrássemos a perna de uma pessoa que tentou furar a fila na nossa frente. Interpretar e questionar os conteúdos Fala-se muito em liberdade de expressão e das possibilidades criadas a partir das novas tecnologias de comunicação, mas fica uma indagação: qual o limite dessa liberdade? Segundo meu xará Felipe Pena, no livro Teorias do Jornalismo, a “liberdade é um princípio não absoluto, submetido a um outro, muito maior, que é a dignidade humana, e os seus limites são os da alteridade, ou seja, o respeito pelo outro”. Segundo Eduardo Damasceno, em artigo publicado no portal Fórum, é necessário que se perceba que a protagonista dessa história é, na verdade, mais uma vítima. Não é aceitável que se exponha dessa forma algo tão particular, tão íntimo, que deveria ser explicitado apenas nas barras dos tribunais, resguardado pelo sigilo judicial que as causas de família recebem. E nesse caso, o grande vilão é você que passa essa história para a frente. A inteligência coletiva se transforma numa histeria coletiva, foram criadas piadas sobre a situação, memes, músicas dos mais variados estilos (Funk, Sertanejo e até um Forró Saint Tropez) e o mais trágico disso tudo foi perceber que os perfis do Facebook dos envolvidos foram compartilhados. Mais triste do que acompanhar o caso pelas redes sociais foi observar que os principais portais de notícias do país passaram a noticiar a repercussão desse caso. O boteco de bar abriu uma filial nas redes sociais e fez um puxadinho em alguns setores do jornalismo. O homem tem medo do caos, que tem no desconhecido um dos seus fundamentos. Segundo Felipe Pena, a natureza do jornalismo está no medo, o medo do desconhecido, que leva o homem a querer exatamente o contrário, ou seja, conhecer. Tentamos ter o dom da ubiquidade através da alteridade, pois a ilusão da onipresença é construída pelas informações produzidas pelo outro. Este evento torna-se um reflexo de como a sociedade está utilizando as ferramentas comunicacionais no seu dia a dia. O povo discute e cria conteúdo sobre um caso de adultério. Em consequência, os veículos de comunicação, que deveriam informar e produzir conhecimento para a população, ao invés de refletir sobre as consequências do evento, seus envolvidos e o que podemos aprender com isso, aprender enquanto seres humanos, preferem tratar o caso como mais uma notícia a ser clicada na área de entretenimento do portal. Na era das redes sociais e da facilidade que temos em compartilhar o nosso cotidiano e as informações que produzimos/recebemos, devemos, primeiramente, aprender a interpretar e a questionar a qualidade ou a relevância dos conteúdos que chegam até nós. Precisamos aprender a compartilhar a nossa condição humana antes de apertar o “enviar”.

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Um ano para refletir

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 30 Dez 2015
  • 08:57h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Uma fato já é certo, o ano de 2015 esbarra na atipicidade dos demais anos, sendo forte candidato a ser marcado pela história em estudos futuros. Começou com esperança de mudanças, mesmo que calcadas em promessas eleitoreiras e sombreadas pela névoa da hipocrisia passou por turbulências até culminar em um final indefinido, contudo adverso as perspectivas de seus dias inaugurais.Por todas estas razões, se torna um ano perfeito para analisarmos. Analisarmos cada etapa, cada processo, cada pedacinho do que se passou, sem tendências e sem demagogia, sendo neutro para extrair o mais puro resultado e assim traçarmos um processo evolutivo adequado às nossas aspirações.Para termos uma ideia da importância de uma análise imparcial e do perigo do radicalismo emotivo. Vamos traçar um paralelo com uma época da história mais recente de nosso País, ou seja, o período da tão falada Ditadura Militar, a qual vem se tornado comum relatos nas redes sociais sobre o saudosismo daquela época. Uma colocação estranha diante do fato de ter sido duramente criticada. É certo que naquela época o governo não correspondia aos anseios populares, mas ao buscar mudar o governo se esqueceu o que existia de positivo e se radicalizou extirpando tudo que se referia e se relacionava àquele governo e hoje se percebe o erro cometido. Uma lição tiramos disto, não se deve mudar uma forma de governo que não nos agrada, mas sim evoluir esta forma de governo para que ela corresponda e reflita nossos anseios, mas para que isto aconteça, antes primeiramente precisamos assumir e corrigir nossos erros, afinal este governo que tanto criticamos esta em uma posição em que nos os colocamos. Parafraseando, tem um dizer que assim ensina: cuidado para não matar o cachorro que come os ovos e deixar as galinhas a mercê das raposas (autor desconhecido).

O vírus zika e a eugenia branda

  • Por Lucio Carvalho | OI
  • 20 Dez 2015
  • 17:12h

(Foto: Reprodução)

Ainda que no fim de 2015 não houvesse ocorrido a proliferação de casos de microcefalia decorrentes, ao que tudo indica, da infecção pelo vírus Zika, dificilmente alguém lembraria de ano mais distópico do que o que vai acabar em breve. Bastaria lembrar a desolação hospedada ao longo do Rio Doce, em Minas Gerais e Espírito Santo, causada pelo mais grave e inaceitável crime ambiental da história brasileira, isso de acordo com a manifestação oficial da ONU.

Ainda assim, poderia invocar-se a desolação civil causada pela instabilidade política aliada a uma crise econômica complexa. Poderiam lembrar-se os protagonistas políticos da crise governamental e a sucessão de episódios que em nada ficam a dever à ficção. Porém, um micro-organismo hospedado e transmitido por um inseto, um mosquito que o país já não tem meios de debelar, seguindo pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, um mero mosquito, um ser quase invisível, acabou por deflagrar no sistema de saúde brasileiro um clima de perplexidade sem precedentes, entre autoridades sanitárias, entidades de pesquisa e círculos médicos..


A microcefalia, condição clínica responsável por problemas neurológicos difusos e causadores de deficiências de diversas ordens, desde físicas a sensoriais e intelectuais, constitui-se num desafio à saúde e também pode ser considerada um desafio político, pois decorre de condições sanitárias e urbanas geridas, do ponto de vista histórico, inadequadamente.


Presente já em praticamente todos os estados da federação através da presença maciça do Aedes Aegypti, vetor transmissor de outras duas doenças, a dengue e febre chikungunya, é muito possível que o número de casos cresça exponencialmente, dado que são pouco animadores as medidas de combate anunciadas no último dia 05/12 pelo governo federal, através do Plano de Enfrentamento à Microcefalia.


Elas incluem, entre outras coisas, distribuição de repelentes às gestantes, recomendações do uso de calças compridas e medidas envolvendo as Forças Armadas, como se se tratasse de uma operação de guerra, e não de uma questão de saúde pública. Isso deixando de mencionar sugestões no mínimo questionáveis do próprio ministro, Marcelo Castro, que recomendou que apenas engravidassem, neste momento, pessoas aptas, sem revelar, contudo, o que deveriam fazer as demais mulheres já grávidas e as não aptas, segundo o seu critério.  “Sexo é para amadores, gravidez é para profissionais”, recomendou o titular da pasta logo a seguir ao lançamento do Plano.


A carga moralizadora do aborto

A frase é em tudo reveladora do pasmo que acomete o Brasil há algumas décadas a respeito das políticas públicas em torno aos direitos reprodutivos. O problema mais grave, entre todos os que cercam a questão, talvez seja o de que a frase revela apenas a ponta de um iceberg de ocultamento histórico, pacto mais ou menos velado entre os serviços de saúde, governo, sociedade e demais interessados nos assuntos sobre saúde da mulher, direitos reprodutivos, aborto legal, deficiência e eugenia, termo não muito corrente nas discussões políticas ou sociológicas no Brasil.


Porque remete diretamente às questões de controle do corpo e das possibilidades de predeterminação e escolha de quem deve ou não viver ou vir a nascer, obviamente o tema é espinhoso. Exceto quando eivado de moralismo, trata-se de assunto proibido e custoso para encontrar-se debatido nos meios de comunicação e, até mesmo na literatura acadêmica, estudos contemporâneos sobre a vertente liberal e branda do espírito eugênico, mais de acordo com estes tempos, são bastante raros.


Normalmente lembrada como efeito secundário das políticas nazistas, a eugenia nasceu como ciência adaptada do naturalismo do século 19 vindo a aperfeiçoar-se como método de controle “sanitário” durante todo o período entre guerras, inclusive no Brasil, como forma de melhorar as condições de saúde do povo em geral, pela seleção dos mais aptos, na sua versão positiva, e pelo descarte ou eliminação dos portadores de características indesejadas, na negativa. Como ideologia, a eugenia prestou-se a muitos objetivos políticos, afetando nichos étnicos da população e, principalmente, condições de deficiência. É possível conhecer mais sobre o assunto lendo-se o trabalho de Maria Eunice de Souza Maciel, <i>A Eugenia no Brasil</i>, <a href=”http://www.ufrgs.br/ppghist/anos90/11/11art7.pdf” target=”_blank”>neste link</a>. Na sociedade contemporânea, entretanto, o desejo de aprimoramento e melhoramento é uma das tantas nuances comportamentais presentes cujo acesso é facilitado pelo desenvolvimento de diversas tecnologias, como rastreamento genético e outras medidas adotadas inclusive na forma de políticas públicas institucionais.


O tabu em torno da seleção eugênica ocorre no Brasil tanto por questões religiosas quanto legais, mas sobretudo por envolver a temática do aborto. Tema que costuma servir até mesmo de moeda política em períodos eleitorais, o aborto costuma receber uma carga moralizadora impressionante no Brasil, enquanto em muitos países do mundo se trata apenas de uma opção reprodutiva garantida no escopo dos direitos civis.


Um discurso repelente

Quando as questões de deficiência e prevenção de deficiência, entretanto, afloram no debate público, por não haver abertura alguma para o debate franco sobre as questões surgem recomendações esdrúxulas, como a do ministro da Saúde. Ora, imaginar que seja possível tornar exclusivo o direito à gestação de pessoas aptas (ou seja, ricas o suficiente para viverem longe e a salvo das condições sanitárias que favorecem a presença do Aedes Aegypti) e vedar, por outro lado, às demais o mesmo direito é um argumento que beira à insanidade, e isso duplamente; em primeiro lugar, considerando que a realidade do aborto clandestino deve agravar-se; em segundo, porque explicitamente as autoridades estão sugerindo que a condição de deficiência seja evitada, ainda que não previsto na forma da lei, como uma sugestão sub-reptícia.


Tal sugestão, se compreensível na esfera privada, é ofensiva em todos os aspectos possíveis na vida pública, a começar por dirigir-se à dignidade das pessoas com deficiência, tratada abertamente como se um óbice a uma vida plena de direitos, um discurso em tudo eugenista, assim como em perpetuar a afronta aos direitos reprodutivos das mulheres, no momento em que deposita no auto-cuidado a responsabilidade total pelas decorrências da gestação, encontradas pela fatalidade de situações externas e ambientais.


Sem o correspondente investimento em educação integral em sexualidade, acesso a métodos contraceptivos e o debate não penalizante sobre a interrupção, o que é feito da política de controle do vetor e da pesquisa sobre o vírus é a propagação do terror, cuja fonte seria a gestante e, o resultado, a pessoa com deficiência. Não se trata do mesmo que investir em prevenção. A prevenção foi negligenciada do ponto de vista das políticas públicas de saúde e urbanas, perdendo a eficácia no controle do Aedes Aegypti, vetor da doença.


Trata-se, por outro lado, de uma solução paliativa e é evidente que as gestantes devem procurar resguardar-se do contágio, mas não em assumir a culpabilização oferecida pelas autoridades que, ao mesmo tempo, denegam debater a interrupção, por exemplo. Um aconselhamento ambivalente denota despreparo ao mesmo tempo em que desampara às gestantes à própria sorte. Mais confortante e produtivo do ponto de vista público seriam o esclarecimento quanto ao aconselhamento pré-natal e garantias de atendimento no sistema público, tanto para os bebês quanto para suas famílias, sem demérito do combate ao vetor e incentivo à pesquisa. Do contrário, há a disseminação do pânico, principalmente pela veiculação de informações incompletas e mensagens ambíguas.


Evidentemente, caso se prefira considerar a situação da proliferação do vírus Zika e dos casos de microcefalia em mais uma cena do espetáculo distópico de 2015, as autoridades governamentais e médicas estão indo muito bem. Em toda a imprensa, pululam declarações a respeito da gravidade da situação e recomendações médicas expressas de evitar-se gestações durante um período de tempo impreciso, pois o controle do vetor demanda um investimento do qual não sabe-se se o país é capaz de suportar. “Uma tarefa impossível”, segundo a bióloga Denise Valle, pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).


Na ficção, como é sabido, as distopias são a antítese da utopia. São representações ou projeções de um tempo em que as esperanças positivas estão solapadas por maus indicadores e por uma realidade adversa. À guisa de retrospectiva, 2015 parece dos anos mais distópicos dos últimos tempos, mas – ao contrário dos filmes de ficção científica, nos quais se pode depositar as causas ao roteirista –, no caso do vírus Zika o único e exclusivo culpado de sua propagação é a imprevidência histórica dos sucessivos governos sobre a saúde pública e as mínimas condições de saneamento e higiene urbanas.


Ao que tudo indica, a imprevidência deve persistir enquanto criarem-se miragens milagrosas inacessíveis à população. Nesse caso especificamente, seria preciso algo como fé, de tanta expectativa frustrada de evolução sociocultural, mas quando o assunto é saúde e condições reais de acesso à vida digna, nem mesmo a fé é suficiente. E exigir fé e atitudes impossíveis a essa altura dos acontecimentos é um disparate que beira o desrespeito às pessoas, assim como debitar o problema a quem sofre suas consequências. Eugenia é um termo severo, mas é a mensagem que está sendo transmitida. Não admitir isso ou deixar de oferecer soluções civilizadas para garantir a dignidade de gestantes e pessoas com deficiência é que o fim da picada. E repelente é este discurso sanitário do século 19.

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Lúcio Carvalho é autor de Inclusão em Pauta (Ed. do Autor/KDP), A Aposta (Ed. Movimento) , do blog Em Meia Palavra  e editor da página Inclusive – Inclusão e Cidadania 

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A importância da panturrilha

  • por Vítor Cotrim
  • 16 Dez 2015
  • 08:41h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

A panturrilha, conhecida popularmente como batata da perna não recebe muita importância nos treinos principalmente por mulheres, e é deixada de lado pois, nem todas acham bonito ter uma panturrilha grande ou definida, mas além da estética, a panturrilha tem um papel importantíssimo pois, é considerada como o segundo coração, e auxilia no retorno do sangue dos membros inferiores para superiores  facilitando a circulação sanguínea. E apesar de ser considerado como uma musculatura pequena, a panturrilha é extremamente forte, e é uma das musculaturas mais utilizada por praticantes de corrida e outros esportes por isso, é importante ter essa musculatura fortalecida para evitar lesões e ter melhor desempenho, para melhores resultados nos treinos procure sempre a orientação de um professor de Educação Física.

(Foto: Ilustração)

16 de dezembro 2015. Em defesa do Brasil! Não haverá golpe

  • Por Joilson Bergher
  • 15 Dez 2015
  • 16:46h

Movimentos sociais, militantes de diversas matizes do campo de esquerda apoiadores do governo da presidenta Dilma Rousseff e da democracia irão às ruas no dia 16 de dezembro. Em Vitória da Conquista, e cidades no entorno dessa, não será diferente.


Tais movimentações, reunião e debates democráticos entre as entidades que compõem a Frente Brasil Popular e a Frente Brasil Sem Medo estão se dando a partir do momento em que um setor descontente com o resultado das eleições em 2014, e por um suposto movimento de pedaladas no campo econômico, que segundo, os que se dizem de oposição, atenta contra determinada Lei constitucional, levando entre outras punições o afastamento da presidenta Dilma Rouseff da presidência do Brasil. Afirmo aqui que essa todas as movimentações que ocorrerão no dia 16 de dezembro em todo o Brasil, são integradas originalmente por CUT, CTB, Levante Popular, UBES, UJS, UNE, MST, MTST, movimentos sociais de todos os estratos populares da sociedade, pelas centrais, diversos sindicatos e por partidos políticos.


Em Vitória da Conquista, o ato acontecerá, a partir das 17h, na Praça Barão do Rio Branco. Devendo os manifestantes seguir em caminhada por algumas por ruas dessa cidade. Há uma grande expectativa de a mobilização reunir um grande número não filiados e não militantes, mas que acreditam que a quebra da ordem democrática prejudicará a classe de trabalhadora e todos os brasileiros.


Assinalo aqui a unidade de vários movimentos sociais se dera de um acordo em ter uma posição propositiva, firme e de repúdio contra o impeachment”, contra o acolhimento do pedido de abertura do processo de impeachment contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff, pelo presidente da Câmara dos Deputados. Certamente, o movimento de afastamento é uma flagrante chantagem política por parte desse ou daquele setor ora desprestigiados em 13 anos de governo, sob a égide do Partido dos Trabalhadores, e demais partidos afinados com a democracia no Brasil.


Uma palavra de ordem ouvida a todo momento nos dias atuais: tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia, rechaçando no entendimento do movimento social do país o que seria um golpe contra a democracia, fruto de muita luta, utopia, destruições e morte de pessoas.  Muito importante: o presidente do parlamento brasileiro e seus assemelhados são colocados e apresentados como um retrocesso ignóbil, acéfalo e um feroz ataque à democracia no Brasil. Particularmente penso que de fato os ricos é que devem pagar pela crise rentista construída por esses próprios. Contraditoriamente essas medidas econômicas penalizem os mais pobres. Portanto, defendo sem dó nem piedade a taxação das grandes fortunas, dos dividendos e das remessas de lucro e uma auditoria da dívida pública.


Este dia de luta está sendo construído por uma grande rede de ação popular. Numa uma plataforma popular onde visa-se o enfrentamento das desigualdades da sociedade brasileira e propõe uma saída para a crise à esquerda: a saída será pela mobilização nas ruas, em defesa do aprofundamento da democracia e as reformas necessárias para o Brasil: reforma tributária, urbana, agrária, educacional, reforma democrática do sistema político, e principalmente da democratização das comunicações, a mãe de toda essa batalha. Aliás, cumpre-me a reverberar aqui é que esse ato político desse dia 16 de dezembro de 2015, por si só pode ajudar a conscientizar as pessoas de que a concentração da mídia, do jeito que existe no Brasil, representa um perigo à nossa estabilidade democrática. Tal a nossa mídia se coloca a todo momento impulsionadora de golpes, não só no Brasil, mas, em toda a grande américa do sul, reacionária e anti-trabalhista, de um lado; e detêm um poder financeiro monstruoso, de outro. A concentração apavorante da mídia brasileira em mãos de meia dúzia de herdeiros da ditadura é uma anomalia que os amantes da democracia devem combater com todas as suas forças.


É isso: A presidenta Dilma e o Brasil tem de entender que, se não combater a mídia golpista, não vai conseguir fazer o Brasil avançar. É essa uma verdade elementar em pauta, desde os tempos em que a ditadura militar destruía pessoas, afinal, até a presidente Dilma sofrera na pele a perversidade desses anões militares, hoje, transmutados de seres que inclusive, professa essa ou aquela palavra metafísica, em nome desse ou daquele ser divino. “Atenção para a PALAVRA DE ORDEM e atenção, muita atenção para o refrão. Ainda é preciso estar 'atento e forte', com as luzes de alerta acesas no CAMPO DE JOGO POLÍTICO, mas sem mistificações”. Então é isso aí: vive-se uma época de pragmatismo, principalmente na política. Mas rezemos forte, escolha seu santo e boa sorte.


Joilson Bergher. Professor de História, Especialista em Metodologia do Ensino Superior/ Uesb. Pesquisador independente do Negro no Brasil, Graduando em Filosofia/Uesb 

Suar emagrece?

  • por Vítor Cotrim
  • 19 Nov 2015
  • 14:22h

Quem nunca ouviu um amigo falando que tem que suar muito para emagrecer, mas será mesmo verdade isso?,  suar faz parte do nosso cotidiano e é um  fenômeno natural e não podemos evitá-lo pois é um mecanismo de termo regulação e serve para resfriar nosso corpo quando praticamos exercícios e aumentamos a temperatura corporal mantendo assim a temperatura ideal.

Ao suar o individuo perde apenas água e sais minerais que são importantes na prevenção de algumas doenças, por isso a hidratação deve ser constante.

Portanto suar não tem nada haver com emagrecimento, é comprovado cientificamente que o suor não tem nenhuma relação direta com a queima de gordura e, por isso, mesmo que a balança aponte redução no peso, isso não representa perda de gordura e sim perda de líquidos, portanto  suar não emagrece.  Ao praticar exercícios lembre-se de se hidratar, e procure sempre por orientação de um professor de Educação Física.

 

De almas e de lamas

  • Por Uri Lam
  • 17 Nov 2015
  • 07:02h

(Foto: Reprodução)

Uma tragédia assolou Minas Gerais. Como um vulcão que expele lama, crianças e velhos, animais de todo tipo foram cobertos, ressecados e mortos pela lama "atóxica" que desgraçou a região. Ao olharmos, não vemos nada, só lama; um desterro com gente desterrada. A cena do automóvel sobre o teto da casa destelhada é cena de filme de zumbi. No dia a dia, busco ensinar a adolescentes judeus o sentido das bênçãos que fazem parte das rezas judaicas. Uma delas diz assim: Bendito seja, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por preservar o chão firme sobre as águas. Tento explicar que agradecemos a Deus porque não é óbvio que temos um chão firme sobre as águas. De repente, por desleixo daqueles que devem imaginar que padrões de segurança são entraves burocráticos, a água se mistura à terra, desbanca barragens e destroça almas. Muita gente se mobilizou para ajudar, é verdade. Iniciativas pessoais e coletivas se empenham em levantar recursos para a recuperação de Bento Rodrigues e de outras cidades em Minas e logo no Espírito Santo. Alguns precisam ir para ver e crer, para ajudar os mais necessitados e confusos sobre o que será de suas vidas. Outros acompanham pelos noticiários. Entre uns e outros, há quem não vai até lá, mas encontra o seu modo de contribuir, mesmo remotamente. De qualquer forma, quando tragédias como esta enlameiam e matam, ainda mais perto de nós, duas atitudes devem vir à mente e às mãos: agradecer pelo nosso chão, firme entre as águas; e agir ativamente para ajudar aqueles que não tiveram a mesma sorte. Como se diz em hebraico? Tikun Olam: consertar o mundo naquilo que estiver ao nosso alcance. Um modo é entrar no site juntos.com.vc/bentorodrigues. É fácil: entre, dê seus dados, defina o valor com que pode ajudar e é isso.

 

A pena e a punição

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 06 Out 2015
  • 09:16h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Como resultado de uma cascata de desventuras governamentais que culminou  na falência do Estado, aflorou a busca por justiça em sentido de vingança,  princípio este que se distancia da busca do direito Penal, ou seja, o castigo não pela vingança mas como meio de manter o equilíbrio social. 

Neste liame, a conjuntura estrutural dispensada é marco fundamental para a  busca de um resultado adequado e que produza por efeito uma sociedade harmônica e equilibrada.

Sobre o tema, a mais de 250 anos, Cesare Beccaria, conhecido como o  percursor do Direito Penal contemporâneo, com sua grande e renomada obra intitulada “Dos delitos e das penas” que se insere no movimento filosófico e humanitário da metade do século XVIII onde fluía a tese de que a pena constituía uma espécie de vingança coletiva, lanço um novo conceito em que a certeza da punibilidade tinha efeito igual, quiçá superior a própria pena.

Por mais estranho que possa parecer a primeira vista, todavia ante uma análise crítica e comparativa percebe-se que, independente da pena, a qual deva ser proporcional a gravidade do delito, a certeza da punibilidade, com rapidez e eficiência provoca resultados mais concretos.

Mais que novas e pesadas leis, a restruturação do estado tornando-se mais eficiente e garantindo a certeza da punição em lapso temporal relativamente imediato ira provocar a tão almejada harmonia social.

Quem é o criminoso?

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 14 Set 2015
  • 07:41h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

A princípio esta seria uma pergunta fácil de ser respondida, todavia diante de algumas  controvérsias do sistema esta pergunta está cada dia mais difícil de ser respondida. Aqui e ali, constantemente, nos deparamos em situações onde o legalmente criminoso é esquecido pelo estado e a legalmente vítima passa a ser tratada como suposto criminoso. Recentemente em uma sentença, um tribunal condenou professores de uma escola por revistarem alunos que furtaram celulares, sob a alegação que a conduta mais apropriada seria a comunicação do fato a autoridade policial para que esta tomasse as devidas providências, porem é público e notório que, em face ao desmantelo estrutural a autoridade policial não promovem providencias para este tipo de delito, ou seja, a vitima não é amparada pelo Estado e se tomar providências é punido.  Fatos como estes estão se tornando corriqueiro, não que a sentença esteja totalmente incorreta, mas na atual situação da segurança pública tem maior efeito em fomentar a criminalidade, ao inibir o direito da vítima à legítima defesa e proteção do patrimônio, garantidos na Constituição e permitir ao criminoso provar do sabor da  impunidade. É o desmantelo do Estado jogando o direito do cidadão na sarjeta.

A quem interessa?

  • Por Dr. Cleio Diniz
  • 08 Set 2015
  • 09:37h

(Foto: Laércio de Morais | Brumado Urgente)

Normalmente nos pegamos discutindo o porquê isto não funciona, por que aquilo é diferente do que entendemos ser de direito, por que o que é para um  não é para o outro, ou até mesmo o porquê a teoria de “dois pesos e duas medidas” aplica a casos idênticos. 

A resposta é simples. A quem interessa? A resposta a esta pergunta acaba por  responder a todas as outras, desde um interesse simples ao mais complexo, de  um interesse individual a um interesse coletivo.

Assim quando a cúpula de um dos poderes adota uma posição ou se pronuncia  sobre alguma matéria, na mais profunda realidade está satisfazendo esta  pergunta, tanto quanto um agente ao desenvolver suas funções também  atende a esta pergunta.

O interesse pode pertencer a terceiros, caso em que o resultado dos atos não  agrega vantagem a quem o produz, mas sim a um grupo ou a determinada pessoa em especial, mas o interesse também pode ser próprio, ou seja,  quando aquele ou aqueles que produzem o ato se beneficia de seu resultado,  mesmo que de forma exclusivamente satisfatória, sem ganhos materiais. 

Também pode, o interesse ser positivo ou negativo, sendo o primeiro quando  se faz o ato propriamente dito e o segundo quando se deixa de fazer o ato. 

Certo é que, antes do direito, da justiça, do moral, do correto e de qualquer  outra coisa, temos o interesse, ou melhor, dizendo, aí nos perguntamos: a  quem interessa?

Atividade física e dieta x enxaqueca

  • por Vitror Cotrim
  • 26 Ago 2015
  • 13:47h

Foto: Laércio de Morais I Bahia Urgente

No ano 300 d.c Hipócrates já fazia relação da atividade física e dor de cabeça, a prática de exercícios físicos é muito complexa nesse caso, e exige certos cuidados para a manutenção e controle da enxaqueca. Ironicamente, exercícios muito vigorosos podem vim a desenvolver dor de cabeça por esforço, na musculação por exemplo, deve-se ter muito cuidado com a carga e com a respiração, pois quando se prende a respiração durante o exercício ocorre a Manobra de Valsava, elevando assim a pressão arterial.

Por isso controlar a respiração durante o exercício é muito importante, a relação da dieta com a enxaqueca traz uma certa gama de cuidados para evitar as crises, alterações nos horários das refeições, consumo excessivo de chocolate, intervalo muito grande sem comer e a ingestão de bebidas alcoólicas são os maiores responsáveis pelas crises.

Para uma prática segura procure sempre orientação médica, nutricional e de um profissional de educação física.

Erro persistente

  • Por Dr. Cléio Diniz
  • 04 Ago 2015
  • 07:30h

Um erro por si só sempre provoca estragos, mas torna-se pior quando afeta todos os lados e coloca as partes em rota de colisão, todavia, este mesmo erro induz a uma catástrofe quando não se é corrigido e aqueles que deveriam saná-los insistem na ideia descabida de sua continuidade, para simplesmente não ter que admitir sua incoerência de gerência.

A Constituição Federal do Brasil, em seu artigo 5º, LXXVIII garante a celeridade da tramitação do processo, sendo que especificamente na esfera criminal, no âmbito do Inquérito Policial, peça investigatória que embasa o devido processo legal, a regra geral pertence ao artigo 10 do Código de Processo Penal que determina o prazo de 30 dias, salvo estar o investigado preso.

Estranhamente e contrariando a ideia de tornar ágil o procedimento, o sistema adotado em nosso Estado empurra os procedimentos do inquérito policial em sentido contrário dilatando ao máximo os prazos. Prazos estes que serão utilizados quando do tramite do processo criminal para inviabilizar o processo e impedir a devida aplicação punitiva.

Em um sistema em que o inquérito é vinculado a um agente público, no caso o Delegado plantonista, a peça investigatória só tramita nos dias que este agente público encontra-se de serviço, todavia o prazo perante a lei não é suspenso no período em que este agente público encontra-se merecidamente de folga. Enquanto isto a vítima sofre ao ver seu direito escorregar entre seus dedos e o sorriso da impunidade estampado no rosto daquele que cometeu o ato ilícito.

O único resultado real que aparece imediatamente é o desgaste da figura do serviço público, na pessoa de cada agente que se esforça para driblar os percalços causados pelo sistema e o descontentamento e descrédito da população. Uma estrada pavimentada e livre para o caos. 

A influência da internet na vida das pessoas

  • Por Erasmo Carlos
  • 12 Jul 2015
  • 15:00h

(Foto: Ilustração)

A tecnologia tem evoluído de forma impressionante ao longo da história da humanidade com objetivo de proporcionar praticidade para levar e trazer informações que possam contribuir para com a sociedade. Atualmente, com a velocidade das informações, as pessoas conseguem se manter informadas em minutos e até mesmo segundos após as notícias e fatos que acontecem em qualquer lugar do planeta. É cada vez mais notório ver pessoas conectadas em seus aparelhos telefônicos se informando através de redes sociais e sites de notícias. Como se pode observar a internet vem cada vez mais se tornando uma ferramenta fundamental para os que querem estar atualizados de tudo que acontece perto e/ou longe de seu local, sem sair do lugar.

O uso inadequado da internet e suas consequências

Apesar de tantos benefícios que a tecnologia proporciona, há também os malefícios que provoca quando não é usada de forma prudente, como por exemplo, a falta de privacidade dos internautas. Ferramentas que possibilitam fazer montagem de fotos e invadir a privacidade das pessoas em seus computadores têm sido um dos problemas que tem afetado vida de muitas pessoas. Já foram relatados muitos casos de vítimas da exposição de suas fotos pessoais mostrando suas intimidades, algumas chegaram ao ponto de tirar a própria vida por causa da vergonha e temor à opinião de seus pais e da sociedade.

Outro problema que vem afetando a sociedade é o uso excessivo das redes sociais em momentos inadequados. Atualmente com a evolução dos aparelhos de telefones celulares e também com criações de contas em redes sociais os grupos têm-se mantido cada vez mais conectados durante o dia-a-dia. Mas será que ficar online por muito tempo não traz consequência que atrapalhe na relação social? As pessoas se reúnem em uma mesa em família e não ocorre um diálogo por estarem online em seus aparelhos de celulares, trocando SMS com outras pessoas que não estão presentes naquele local.

É necessário que a tecnologia venha ser utilizada de forma consciente e benéfica. Porque um uso excessivo implica com falta de contato físico que acaba distanciando as pessoas cada vez mais uma da outra.

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