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Pecuária 4.0: inteligência artificial auxilia na produtividade de pastagens na Bahia

  • Luciano Almeida
  • 24 Out 2020
  • 13:57h

(Foto: Divulgação)

O Estado da Bahia concentra o nono maior rebanho bovino do país, com 4,8% do total de animais, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As cerca de 10,2 milhões de cabeças de gado contribuem para grande parte do valor da produção regional. Para manter o volume e a importância econômica dessas criações – gerando empregos, produtos de alta qualidade e sustentabilidade – o uso de tecnologias tem se tornado cada vez mais essencial. Nesse sentido, a inteligência artificial tem despontado como uma importante aliada do produtor.

O mercado baiano está recebendo, a partir deste mês, a tecnologia mais moderna do mundo para o manejo fitossanitário aéreo de pastagens para pecuária. Três aeronaves foram equipadas com um dispositivo que captura imagens de altíssima precisão, a uma resolução de 0,3 mm/pixel, podendo percorrer até 5 mil hectares por dia, em velocidade de 200 km/h. Essas imagens são potentes ao ponto de, em apenas um sobrevoo, identificar problemas do topo das plantas até o nível do solo.

Esse projeto, batizado de FlyUP, será posto em prática de forma exclusiva pela UPL, uma das cinco maiores empresas de soluções agrícolas do mundo, que também tem se focado em inovações digitais que beneficiem o universo da chamada Pecuária 4.0. A ação é um dos pilares do investimento de US$ 200 milhões que a empresa de origem indiana fará no Brasil pelos próximos anos, visando contribuir para o desenvolvimento constante e as altas produtividades no agronegócio nacional.

A partir do sobrevoo equipado com o dispositivo de inteligência artificial, os produtores receberão informações e insights sobre a cultura de forma imediata, identificando os primeiros sinais do surgimento de plantas daninhas, doenças fúngicas e até deficiências nutricionais, tendo em vista que esses são problemas constante em pastagens de todo o país, garantindo o sucesso da mais importante cultura animal do Brasil, que é a criação de gado para a produção de carne e de leite.

O impacto das pragas e doenças nas pastagens é elevado, tendo em vista o alto investimento feito pelos agricultores no combate a esses problemas. Apenas no primeiro semestre deste ano, 13,6 milhões de hectares de pastos foram tratados com defensivos agrícolas. Com isso, US$ 60 milhões foram aplicados nessas soluções, evitando deficiências na alimentação dos rebanhos – algo que poderia elevar o preço da carne e do leite ao consumidor. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

O projeto FlyUP é a evolução de projetos de mapeamento de cultivos. Com análises dinâmicas, ágeis e precisas (validadas sempre por um pesquisador científico), o detalhamento dos problemas fitossanitários e o gerenciamento das informações em tempo real permitem tomadas de decisão mais rápidas e assertivas, visando a racionalização e a solução dos problemas a partir do uso de defensivos agrícolas com sustentabilidade econômica e ambiental.

Com base no voo e no cruzamento de informações especializadas, a inteligência artificial oferece altíssima precisão e emite relatórios sobre as condições do campo, indicando o tipo de ameaça, bem como a espécie e a infestação, além de elementos que auxiliam na escolha do tratamento mais adequado. Essa tecnologia exclusiva faz parte da essência da UPL através do conceito OpenAg – uma empresa aberta à agricultura inovadora. Sem limites, sem fronteiras.

Plano AgroNordeste, do BNB, libera R$ 2,8 bi em 440 mil operações

  • Redação
  • 08 Out 2020
  • 14:57h

Programa é desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura; na Bahia foram alocados R$ 642,3 milhões | Foto: Brumado Urgente Conteúdo

O Plano AgroNordeste liberou este ano R$ 2,811 bilhões em 440 mil operações de financiamento para 10 estados. A linha foi lançada no ano passado, por meio do Banco do Nordeste e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastacimento. Além dos nove estados nordestinos, áreas do norte de Minas Gerais podem contar com recursos do plano. O AgroNordeste atua em 230 municípios, divididos em 14 territórios e com população rural de 1,7 milhão de pessoas. Na Bahia, foram investidos R$ 642,3 milhões, equivalentes a 38,8 mil operações, no território Irecê e Jacobina. Segundo o BNB, o plano pode ser acessado por empreendedores de todos os portes e atividades econômicas, inclusive operações para instalação de placas solares nas residências.

Ministério da Agricultura confirma peste suína clássica no Piauí

  • Agência Brasil
  • 06 Out 2020
  • 06:57h

Caso ocorreu em criatório de suínos para subsistência | Foto: divulgação/Governo Federal

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou nesta segunda-feira (5) um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no Piauí. O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Pedro Leopoldo (MG), por técnica de diagnóstico molecular (RT-PCR em Tempo Real).

O caso ocorreu no município de Parnaíba, norte do estado, em criatório de suínos para subsistência. Segundo o ministério, o estado é localizado fora da zona reconhecida como livre de PSC pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

“A ocorrência já foi notificada pelo Ministério à OIE e não há justificativas para restrições ao comércio internacional de suínos e seus produtos. O último foco de PSC no Piauí foi encerrado em novembro de 2019”, afirmou a pasta por meio de nota.

O ministério informou ainda que a propriedade em que se identificou o foco da doença foi interditada e o serviço veterinário estadual está adotando os procedimentos determinados pela pasta para eliminação do foco, incluindo sacrifício dos suínos e desinfecção da propriedade afetada, além de investigações para rastreamento de provável origem e vínculos epidemiológicos.

Peste Suína Clássica 

A Peste Suína Clássica (PSC), também conhecida como febre suína ou cólera dos porcos, é uma doença viral, altamente contagiosa, que afeta somente suínos e javalis. Não oferece riscos à saúde humana e não tem impacto na saúde pública.

O estado do Piauí faz parte da zona não reconhecida como livre de PSC, juntamente com outros 10 estados (AL, AM, RR, PA, AP, MA, CE, RN, PB, PE). Os limites entre as zonas livre e não livre de PSC são protegidos por barreiras naturais e postos de ?scalização, onde procedimentos de vigilância e mitigação de risco para evitar a introdução da doença são adotados continuamente.

A zona livre de PSC do Brasil concentra mais de 95% de toda a indústria suinícola brasileira. Toda a exportação brasileira de suínos e seus produtos são oriundas da zona livre, que incorpora 15 estados brasileiros e o Distrito Federal (RS, SC, PR, MG, SP, MS, MT, GO, DF, RJ, ES, BA, SE, TO, RO e AC), e não registra ocorrência da doença de PSC desde janeiro de 1998.

Projeto prevê crédito e assistência para microempreendedoras rurais

  • Agência Câmara Notícias
  • 05 Out 2020
  • 06:42h

Poderá ser oferecida uma linha específica de empréstimos pelo BNDES, com taxa de juros iguais ou inferiores à Selic | foto: Reprodução

O Projeto de Lei 2501/20 obriga o Poder Executivo a privilegiar a concessão de crédito e assistência técnica para as mulheres do campo que exerçam atividade microempreendedora, em regime familiar. O texto tramita na Câmara dos Deputados.

A proposta é do deputado Vilson da Fetaemg (PSB-MG) e de outros 9 deputados do PSB. Pelo texto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá abrir uma linha de crédito específica para as microempreendedoras rurais, com taxa de juros iguais ou inferiores à taxa Selic. O recurso deverá ser depositado no banco onde a empreendedora tiver conta.

As mulheres também terão acesso a recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para aplicar em atividades inovadoras. A Finep é uma estatal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

O deputado Vilson da Fetaemg afirma que hoje não existe uma política para incentivar as microempreendedoras que trabalham na agricultura, extrativismo, pequenas agroindústrias, turismo rural e artesanato. O projeto visa resolver essa lacuna.

“Consideramos essencial estipular as condições para que sejam conferidos incentivos a esse tão especial segmento de nossa economia”, diz o parlamentar.

Bahia Produtiva investe na agricultura familiar e muda a vida da mulher e do homem do campo

  • Política Livre
  • 03 Out 2020
  • 18:41h

(Foto: AgroemDia)

O Projeto Bahia Produtiva tem mudado a realidade da agricultura familiar na Bahia com o financiamento de projetos de inclusão produtiva e acesso ao mercado, assim como a implantação de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas comunidades mais pobres em todas as regiões do estado. Entre 2015 e 2020, foram selecionados 1.249 projetos de empreendimentos familiares, totalizando investimentos conveniados e a conveniar de R$ 539 milhões, beneficiando diretamente 41.490 famílias. Em toda a Bahia, o projeto tem apoiado várias comunidades, a exemplo da Associação Indígena Pataxó da Aldeia Meio da Mata, de Porto Seguro, que recebeu financiamento para construção de uma casa de farinha com cozinha, câmara fria, galpão comunitário e a aquisição de um trator com implementos agrícolas. Para o presidente da união de produtores, o investimento é essencial para que eles possam produzir melhores produtos com maior valor agregado. “Esse projeto é muito importante para que nossa produção seja mais extensa e variada, aumentando a renda e dando mais qualidade de vida para as nossas famílias”.

Wilson Dias, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), que executa o Bahia Produtiva, explicou que os principais objetivos dos investimentos são gerar e ampliar a renda dos agricultores familiares a partir da qualificação e expansão dos seus sistemas produtivos, baseando-se nas potencialidades e oportunidades locais nos diversos biomas do estado e na agroindustrialização e comercialização dos produtos, de acordo com o que requisita o mercado.

“Trata-se da profissionalização deste importante segmento da sociedade baiana que, apesar de representar quase 30% da nossa população, historicamente foi visto e tratado pelas políticas públicas exclusivamente com ações de favorecimento à subsistência. Esta profissionalização está ancorada na aplicação de tecnologias modernas que vão desde métodos mais eficazes de assistência técnica, disponibilização de equipamentos e insumos que incrementam a produtividade das lavouras e dos criatórios, até ações inovadoras de agregação de valor com o beneficiamento da produção, e inteligência de mercado, com o estabelecimento de parcerias estratégicas com o setor privado”.

Pandemia não interrompeu ações

Mesmo enquanto combate a pandemia de Covid-19, o Governo do Estado manteve iniciativas de apoio aos agricultores familiares, a exemplo dos guias com orientações sobre a manutenção dos serviços de assessoria comunitária e dos serviços de assessoria para os profissionais de apoio técnico na gestão e base produtiva. Também foram mantidos todos os serviços para contratação e execução dos investimentos por parte das organizações apoiadas, o apoio a acesso a mercados, com o atendimento individualizado, e na divulgação e ativação de produtos.

Além disso, foram realizados novos investimentos com o lançamento do edital de Segurança Alimentar e Nutricional, no valor de R$15 milhões, para atender 10 mil famílias de agricultores familiares na produção de alimentos, e a Campanha Viva a Feira Viva & Feira Segura, desenvolvida pela SDR, em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), que tem como proposta a readequação das feiras livres e mercados municipais.

Editais

O projeto é executado a partir de um Acordo de Empréstimo firmado entre o Estado e o Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento (Banco Mundial). São contemplados editais para apicultura, bovinocultura, caprinovinocultura, aquicultura e pesca, mandiocultura, oleaginosas, fruticultura, alianças produtivas, socioambientais indígenas, socioambientais quilombolas, angroindustria, biodiversidade, segurança alimentar e nutricional e outros projetos socioambientais.

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Área plantada com trigo na Bahia pode alcançar 20 mil hectares nos próximos anos

  • Redação
  • 28 Set 2020
  • 11:41h

(Foto: Reprodução)

Com potencial de expansão da área plantada para pelo menos 20 mil hectares nos próximos anos com o uso de tecnologias de manejo e de variedades atuais, a triticultura no eeste da Bahia pode contribuir na busca pela autossuficiência do Brasil no cereal. Das cerca de 12,5 milhões de toneladas consumidas internamente, apenas 6,81 milhões de toneladas deverão ser produzidas no país em 2020, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O oeste baiano faz parte do Matopiba, fronteira agrícola nacional da atualidade que integra o Cerrado do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia, sendo responsável por grande parte da produção nacional de grãos como soja e milho, e de fibras como o algodão.

Na região, o trigo é plantado em sistema irrigado, em rotação com a soja, o milho ou o algodão sob pivô, cultivos voltados à produção de sementes ou plumas, respectivamente. Nesses sistemas, o trigo atua quebrando ciclos de pragas e doenças, além de reduzir a infestação de plantas daninhas e de deixar, após a colheita, uma palhada de boa qualidade. Já o trigo em sistema de sequeiro, apesar de ser pontualmente testado por alguns produtores, praticamente não é cultivado devido ao maior risco representado pelos solos arenosos da região, que têm menor capacidade de retenção de água.

Estimativas da Conab apontam que a área plantada com trigo na Bahia neste ano – quase a totalidade na região oeste – ainda é pequena, de cerca de 3 mil hectares, mas pesquisadores acreditam que possa alcançar rapidamente 20 mil hectares nos próximos anos. A produção estimada para 2020 é de cerca de 17 mil toneladas, o equivalente a uma produtividade média de 5,66 ton/ha (ou 94,4 sc/ha), bem superior à média nacional de 2,9 ton/ha (ou 48,3 sc/ha) projetada para o ano.

“Mas há produtores que chegam a produzir 7 ton/ha (116,6 sc/ha) seguindo as recomendações de manejo e plantando variedades mais modernas”, aponta o pesquisador Julio Albrecht, da Embrapa Cerrados (DF).

Ele lembra que a Embrapa atua com o trigo na região desde meados da década de 1980, com o plantio de ensaios de valor de cultivo e uso (VCU) em áreas de produtores. Exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os ensaios de VCU são realizados para comprovar, em condições de cultivo, o valor agronômico de linhagens candidatas a cultivares, segundo normas elaboradas pelo próprio Ministério.

A Embrapa tem atualmente conduzido e avaliado experimentos com novas variedades e linhagens de trigo na região. As variedades também são avaliadas pelos produtores em campos experimentais e lavouras comerciais, observando as recomendações de manejo prescritas pela pesquisa científica. “Na medida em que fomos lançando novas variedades, a área cultivada foi aumentando, sobretudo de 2005 para cá”, diz Albrecht.

As condições climáticas e geográficas favoráveis ao cultivo do trigo irrigado no Oeste baiano são semelhantes às do Brasil Central (Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais), local onde foram selecionadas as cultivares da Embrapa para o Bioma Cerrado. Temperaturas elevadas durante o dia e amenas à noite, dias com alta luminosidade e altitudes que variam de 600 a 1.000 metros são fatores que influenciam positivamente na produtividade e na qualidade industrial dos grãos, considerada uma das melhores do mundo.

As recomendações de plantio, de manejo e de controle de pragas e doenças da cultura para a região se assemelham às preconizadas para o Brasil Central, sendo também a brusone a doença mais recorrente. “Com os mesmos cuidados preventivos e recomendações, os produtores têm conseguido escapar da doença ou minimizar os seus efeitos”, afirma o pesquisador da Embrapa Cerrados.

Segundo Cleber Soares, diretor de Inovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a tropicalização do trigo, por meio do processo de inovação, é um exemplo claro da importância da pesquisa e da inovação na agropecuária.

“O trigo, que é uma cultura originalmente de clima temperado, que há décadas passadas era produzido quase exclusivamente na região Sul do Brasil, hoje graças à inovação agropecuária brasileira é possível cultivar no cerrado brasileiro, inclusive no Nordeste e em parte da região da caatinga. Isso mostra, a exemplo de outras culturas como a soja, que com inovação é possível expandir a produção agropecuária e, sobretudo, ofertar mais alimento na mesa do consumidor e do cidadão brasileiro”, diz o diretor, lembrando a recente colheita de trigo no estado do Ceará.

Para Soares, a expansão do cultivo poderá tornar o Brasil um grande produtor mundial de trigo. “A nossa perspectiva é de que, com o avanço do trigo tropical na região do Cerrado e no Nordeste Brasileiro, esperamos em um horizonte de tempo de curto prazo, quem sabe até em dois anos deixarmos de importar trigo e, por que não, pensarmos até em exportar trigo para o mundo”, afirma o diretor do Mapa.

Celso Moretti, presidente da Embrapa, diz que, depois de "tropicalizar" diversos tipos de plantas e animais nas últimas décadas, o Brasil agora trabalha para a "tropicalização" do trigo. "Estamos trazendo trigo para os trópicos. No entorno do DF, já temos trigo de alta qualidade. E tivemos a satisfação da primeira colheita no Ceará".

OPÇÃO PARA O PRODUTOR

Osvino Fábio Ricardi, proprietário da Fazenda Savana, em Riachão das Neves (BA), acredita no aumento da área plantada de trigo no Oeste da Bahia nos próximos anos. “A tendência é de aumento porque a área com agricultura irrigada está aumentando e o trigo é uma opção para a rotação de culturas. Não é a cultura mais rentável, mas é rápida e tranquila”, afirma, destacando a qualidade do grão colhido na região, que tem peso do hectolitro (PH)* variando de 82 a 85, o que indica boa qualidade.

Em 2020, foram plantados 1.625 hectares de trigo na propriedade. “Este ano, a realidade climática foi mais favorável”, observa. A expectativa do produtor é colher 6 ton/ha (ou 100 sc/ha) na atual safra, superando as 5,8 ton/ha (ou 96,66 sc/ha) obtidas em 2019.

Para o próximo ano, ele espera plantar entre 800 e 1.200 hectares, conforme o planejamento de rotação de culturas estabelecido pela fazenda. “Muitos produtores tiveram sucesso este ano e há o interesse em continuar plantando”, comenta, lembrando que, como o ciclo da cultura na região varia de 90 a 110 dias, o rendimento médio fica em torno de 1 sc/ha/dia.

Consultor em trigo na fazenda, o engenheiro agrônomo Pedro Matana Jr. conta que o primeiro plantio do cereal na propriedade ocorreu na safra de 2010, em uma área de algodão com soja e milho em rotação sob pivô de irrigação. Ele explica que a opção por plantar trigo na área, que apresentava boa fertilidade, se deveu à presença de nematoides. “Avaliamos táticas de controle químico e biológico e decidimos colocar uma planta nova. Hoje, sabemos que o trigo tem baixo fator de reprodução de nematoides, de acordo com avaliações”, diz.

Ele lembra que a elevada produtividade média obtida naquele ano, de 7,5 ton/ha (ou 125 sc/ha), estimulou vizinhos a plantarem o trigo nas safras seguintes. “Nós mesmos não continuamos plantando porque o preço do algodão ficou mais atrativo, mas ficamos com a boa lembrança do trigo”.

Tanto que, em 2015, a fazenda voltou a plantar o cereal, realizando, inclusive, um dia de campo para demonstrar a viabilidade na região. Segundo Matana, diversos produtores passaram a cultivá-lo, mesmo que em áreas pequenas e não em todos anos. “O maior estímulo não é o financeiro. Geralmente, são grandes produtores com algum problema agronômico, já que o trigo, no mínimo, aumenta a diversidade de plantas na área. E outros ainda não ocultivam porque ainda não há moinhos em operação na região”, explica

O consultor, que também visita trigais em outras propriedades da região, observa que nem todos os produtores foram bem sucedidos com a cultura, por terem tomado decisões de manejo de forma reativa, sem planejamento. Por isso, ele atenta para a necessidade de compreensão das especificidades de manejo da cultura para o Cerrado baiano. “Muitos produtores conhecem o trigo do Sul, mas ainda não entenderam que aqui tanto a estratégia de manejo como as ameaças são diferentes. Você trabalha com outra adubação, outra população de plantas, regulador de crescimento etc.”, explica.

Ao longo dos últimos 10 anos, o consultor tem observado que, se por um lado há uma sazonalidade de produtividade na região, por outro há a segurança de se produzir um trigo de qualidade pão ou melhorador. “Podemos colher, na média, o mesmo que no Sul do País, mas tudo de grãos melhoradores”.

Matana ressalta a quebra do paradigma de que o trigo seria uma cultura exclusiva de clima frio, citando a primeira colheita de trigo no Ceará este ano, em experimentos conduzidos pela Embrapa. A produtividade média foi de 3,6 ton/ha (ou 60 sc/ha), considerada surpreendente pelos pesquisadores. Nesse sentido, ele aposta no potencial de expansão da cultura no Nordeste, como a região central da Bahia e o Piauí. “É uma fronteira que está aberta e tem que ser explorada”.

A cultivar de trigo BRS 264 da Embrapa é a mais plantada pelos produtores da região, que também têm testado a cultivar BRS 394. Enquanto alguns produtores avaliam esses e outros materiais em parcelas piloto, outros já realizam plantios em escala comercial. “A BRS 264 se sobressai pela precocidade, pela qualidade e pela produtividade, com lavouras comerciais produzindo 6 ton/ha (ou 100 sc/ha). Além disso, é a mais demandada pelos próprios moinhos”, diz Albrecht.

A Fazenda Savana utiliza cultivares de diferentes empresas, incluindo a BRS 264, que este ano ocupa 250 hectares da área com trigo. “Ela tem um ciclo mais precoce e é produtiva, sendo um trigo melhorador”, diz Ricardi. “A grande maioria dos triticultores planta a cultivar porque ela está sob medida para a região e atende à demanda dos moinhos quanto à qualidade de farinha exigida pelo consumidor. Aqui, ela consegue produzir um grão melhorador e branqueador (de farinha)”, completa Matana.

O consultor diz que a cultivar apresenta, no campo, um elevado potencial produtivo – média de 6 ton/ha (ou 100 sc/ha), tendo sido colhidas 7,62 ton/ha (ou 127 sc/ha) em uma área de 80 hectares em 2010 na Fazenda Savana –, além de estabilidade entre as safras e ampla adaptação em solos arenosos (como é o caso da região) bem manejados. Já o ponto fraco, que é a suscetibilidade à brusone, deve ser mitigado com estratégias de manejo.

GARGALO

O principal limitante à produção do trigo no Oeste baiano é a comercialização, já que os moinhos mais próximos de Luís Eduardo Magalhães, um dos municípios produtores do cereal na região, estão no Distrito Federal, a 550 km, e em Salvador, a 960 km, o que encarece o frete. Por isso, os grãos são comercializados para moinhos do DF, de Anápolis e Goiânia (GO) e de Estados do Nordeste. “Neste ano, houve moinhos de Maceió (AL) que buscaram trigo no Oeste da Bahia”, lembra o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS).

Mas a situação pode melhorar em breve. Um moinho está em construção em Luís Eduardo Magalhães e há empresas moageiras do Paraná, de São Paulo e de Salvador (BA) interessadas em atuar na região, uma vez que o preço do trigo importado tem aumentado em consequência a alta do dólar – atualmente, o trigo FOB (sigla para free on board ou “livre a bordo”) tem sido cotado a R$ 1.100/ton, em média.

Osvino Fábio Ricardi acredita que o estabelecimento do moinho pode estimular a cadeia do trigo na região. “E como há uma previsão da redução da área plantada de algodão em pivô no ano que vem, abre-se espaço para culturas como milho, feijão e para o próprio trigo”, acrescenta Pedro Matana Jr.

Para o diretor de Abastecimento e Comercialização do Mapa, Sílvio Farnese, a localização dos grandes moinhos de trigo nos portos faz com que a logística de transporte seja mais onerosa que as importações, que entram no país de navio.

“Sem dúvida equacionando esses entraves, não só Oeste da Bahia, como os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal têm um grande potencial de produção. Porém, como existem poucas unidades de moinhos, há dificuldade de comercialização pelo produtor, sobretudo se a produção se elevar muito. Uma alternativa é a produção em contrato com os moinhos da região”, diz Farnese.

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IBGE projeta alta na safra baiana de grãos de 17,2% em 2020

  • 10 Set 2020
  • 17:44h

Principal fator foi a nova previsão da 2ª safrea de milho, que deve alcançar 480 mil toneladas | Foto: Reprodução

A olitava estimativa do IBGE para a safra de grãos prevê uma produção baiana total de 9.712.445 toneladas em 2020. O volume representa um amumento de 17,2% (ou mais 1.428.785 toneladas) em relação à safra de 2019 (8.283.660 toneladas), considerando as lavouras de cereais, leguminosas e oleaginosas. A principal razão para o aumento ocorreu na estimativa para o milho (2ª safra). Este cultuivo deve alcançar a 480 mil toneladas em agosto, 29,7% maior (mais 110 mil toneladas) que a de julho (que tinha sido de 370 mil toneladas), explicou a regional do IBGE na Bahia, em nota. Para o instituto, 11 das 25 safras de produtos investigados na Bahia seram maiores em 2020. Outros grãos que também apresentaram variação na previsão de safra 2020 entre julho e agosto foram algodão herbáceo (+15 mil toneladas ou +1,0%), mamona (+16 mil toneladas ou +80,0%, maior crescimento percentual),  sorgo (+43 mil toneladas ou +41,6%) e trigo (+2 mil toneladas ou +13,3%). Houve redução, entre julho e agosto, na expectativa para as produções de amendoim 1ª safra (-224 toneladas ou -14,8%), amendoim 2ª safra (-432 toneladas ou -15,0%) e feijão 1ª safra (- 1,380 mil toneladas ou -1,0%).

 

Demanda de frete rodoviário no agronegócio cresce 8,6% em julho, aponta levantamento da Repom

  • rePOM
  • 27 Ago 2020
  • 12:19h

No comparativo de janeiro a julho, mesmo com a pandemia, o aumento na quantidade de fretes realizados frente a 2019 foi de 10,3% | Foto: Reprodução

Segundo o Índice de Fretes e Pedágios Repom (IFPR), a demanda por frete rodoviário no Agronegócio, mesmo com os impactos da pandemia, cresceu 8,6% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Ao considerar os primeiros sete meses do ano, é possível notar um aumento de 10,3% na quantidade de operações de frete realizados para este setor da economia. Ao analisar a evolução das atividades da Indústria e do Varejo, sem levar em consideração o Agronegócio, o mês de julho representou um crescimento de 7,8% frente a 2019. Ao comparar a média dos dias do mês de julho com o período pré-pandemia, é possível notar um aumento na demanda de 2,1%. “O dado mostra o reaquecimento e a retomada das atividades, já que, em junho, tivemos uma queda de 2,1%”, afirma Thomas Gautier, Head de Mercado Rodoviário da Edenred Brasil. Já no acumulado de janeiro a julho, comparando 2019 com 2020, houve um crescimento de 6,7% nas operações, o que confirma uma estabilidade frente ao compilado até junho, além de um forte retorno da economia para estes setores. A previsão de aumento na demanda por frete para este ano, se não fosse a pandemia, seria em torno de 10%. Nas rotas portuárias, o destaque ficou por conta de destinos como Paranaguá, que cresceu 58%, Miritituba, com 22%, e Santos, com aumento representativo de 23%.

A Repom, marca líder em soluções de gestão e pagamento de despesas para frota própria e terceirizada da Edenred Brasil, traz mensalmente os dados e as análises do período. Neste levantamento, foram analisadas de janeiro a julho de 2019, 2,1 milhões de operações e, em 2020, este número subiu para 2,2 milhões. 

O estudo também traz um cenário para o universo das passagens nas praças de pedágio, considerando o recorte dos sete primeiros meses de 2020 e 24 milhões de passagens emitidas. O ritmo mensal de passagens apresentou queda na média diária de 12% nos últimos dois meses - junho e julho - considerando o mesmo período para os meses pré pandemia. Ainda assim, eles apresentaram uma melhora ao analisar os meses de maio e junho, com queda de 20%.

O tráfego de veículos apresentou queda média de 12,7% em julho comparado com o período pré pandemia. Ainda assim, já apresenta melhora de 10 pontos percentuais frente a junho (23%) e uma melhora de 14 pontos percentuais nos últimos dois meses (27%).

FLUXO NAS RODOVIAS BRASILEIRAS

A rodovia que apresentou maior recuperação das passagens foi a SP-330, com queda de 1,5% frente a junho. A rodovia é um importante hub de entrada e saída de carga da cidade de São Paulo rumo ao interior e a outros estados do Centro-oeste. Já a BR-116 registrou queda de quase 30%. Os veículos leves e médios apresentaram queda de 22%, com melhora de 10 pontos percentuais frente ao mês anterior, e nos veículos pesados a dinâmica foi de crescimento de 1,6%. “Tendo em vista o contexto geral das estradas, podemos notar que os transportes menos afetados foram os de carga pesada com melhora de 11% comparada ao mês de junho”, completa o executivo.

Na análise estadual, a movimentação de julho apresentou queda em praticamente todos os estados e já mostrou uma dinâmica de retomada e aceleração do ritmo frente aos meses anteriores - se comparado a junho, São Paulo registrou queda de 18,8%, o Rio de Janeiro de 12,3%, Minas Gerais de 7,2% e o Paraná de 21,5%. “A exceção ficou por conta do Mato Grosso, pólo agroindustrial do Brasil, que se beneficia dos efeitos do fim da safra e apresentou um aumento de 42% no comparativo com o mesmo período pré-pandemia”, elucida Gautier.

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O ecossistema agro e os desafios pós-pandemia

  • Rodrigo Berté
  • 26 Ago 2020
  • 10:19h

(Foto: Ilustrativa)

A existência de uma crise ambiental concatena com a vasta e incontrolável destruição da biodiversidade a nível mundial, a poluição desenfreada de solo, mares e rios se unem a ações que direcionam para reações avassaladoras como as observadas nas mudanças climáticas do globo.  A teoria da ecologia de doenças surge dessa visão de que as relações entre meio ambiente e seres humanos, são indissociáveis, e quando ocorre uma ruptura desse processo, abre-se margem para o surgimento de doenças emergentes. Precisamos evoluir e pensar como unidade, somos feitos de uma tríade entre saúde humana, saúde animal e saúde ambiental, ou seja, Saúde Única. E com toda certeza, o surgimento do novo coronavírus está relacionado com a quebra da homeostase dessa tríade, a quebra do viver em Saúde Única.

 

É preciso entender a importância do equilíbrio, ter um olhar mais crítico sob o pós- pandemia e os desafios, em especial do agronegócio e a produção de grãos no desafiador mercado internacional.

O mercado brasileiro retomará o seu crescimento no mercado agro rapidamente, reduzindo as consequências negativas do seu setor, ou seja, o uso de tecnologia no campo e um conjunto de informações adequadas podem ser grandes aliados. Conhecer os dados do mercado e estar bem assessorado farão a diferença na tomada de decisão dos produtores rurais.

O Brasil já tem recuperado o seu espaço no mercado internacional das exportações de produtos agrícolas, a China tinha diminuído as exportações durante o pico da crise da COVID-19, mas contratos já foram retomados com todos os países asiáticos, refletindo um bom desempenho na exportação brasileira. A produção das commodities brasileiras foi pouco afetada a curto prazo, a soja já foi colhida, o milho no mesmo desempenho, tendo em vista a mecanização e uso de tecnologias nas lavouras. O desempenho se deve aos investimentos na produção e na exportação, o que melhora a performance do Brasil como um grande exportador de grãos e carne de alta qualidade, e leva os compradores a formarem um processo de acreditação junto aos produtores rurais brasileiros.

O que deverá ser analisado daqui para frente é a diminuição da renda da população com o poder de compra e consumo e o dólar alto, o que para a safra 2021, poderá dar um desconforto na compra de defensivos agrícolas, bem como, a renovação da frota mecanizada nas lavouras.  A mudança no consumo a longo prazo terá como consequência a baixa dos preços para alguns produtos, em especial para o abastecimento do mercado interno, o que não poderá afetar as exportações no mercado externo.

Por fim, devemos acreditar no agro forte, ou seja, o que tem segurado a economia em diferentes crises e, em especial da força do produtor rural no enfrentamento ano a ano de questões climáticas, econômicas e de saúde.

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Ipea reduz estimativa de crescimento do PIB agrícola para 1,5%

  • Redação
  • 26 Ago 2020
  • 08:19h

Expectativa do instituto é que, no segundo semestre, ocorra uma retomada com a reabertura de bares e restaurantes e aumento dos postos de trabalho | Foto: Reprodução

A expectativa de crescimento para o PIB – Produto Interno Bruto – do setor agropecuário para este ano foi revista de 2% para 1,5%. Para o ano que vem, a projeção é que o índice chegue a 3,2%. A análise foi divulgada nesta terça-feira (25), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Ipea aponta a mudança no padrão de consumo de alimentos por causa do isolamento social: aumentou a alimentação em casa e diminuiu em restaurantes e lanchonetes. A expectativa do instituto é que, no segundo semestre, ocorra uma retomada com a reabertura do setor de bares e restaurantes e aumento da ocupação no mercado de trabalho.

A estimativa para a lavoura neste ano passou de 3% para 3,6%. Espera-se crescimento da produção dos seguintes gêneros: trigo (41%), café (18,2%), arroz (7,3%), soja (5,9%) e cana-de-açúcar (2,4%).

A pecuária aponta para queda de 2,8%, principalmente por causa da produção de carne bovina, com redução projetada em 6,3%. A estimativa do Ipea se baseia na diminuição da oferta desde o começo do ano, após a forte alta verificada no 2º semestre de 2019, além da paralisação de alguns frigoríficos provocada pela pandemia da Covid-19.

A carne suína deve subir 5,2% este ano e a produção de ovos, 2,8%. A produção de frango está com previsão de queda de 0,6% e a de leite deve diminuir 0,2%.

Crédito rural 

Para o próximo ano, a projeção do Ipea é que o PIB da lavoura cresça 3,2%, com a produção de milho avançando 9,1% e a de soja 10,5%, conforme previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já o PIB da pecuária deve aumentar 5%, com a perspectiva de recuperação em todos os segmentos, liderados pelo crescimento de 6,3% da carne bovina.

Mesmo com a incerteza econômica causada pela pandemia, o instituto prevê que o crédito rural manterá favorável as condições de juros, inadimplência e prazo para a próxima safra, em especial para o pequeno e médio produtor. O volume de crédito contratado em julho chegou a R$ 23,9 bilhões, o que representa aumento de 48,8% em relação a julho do ano passado.

Agricultores baianos terão oferta de serviços de consultoria agrícola online

  • Redação
  • 23 Ago 2020
  • 10:06h

(Foto: Reprodução)

Agricultores familiares do Nordeste do Brasil vão passar a contar com o serviço de consultoria agrícola digital. O projeto é uma parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA). O programa é desenvolvido pela organização Agricultura de Precisão para o Desenvolvimento e o Brasil (PAD) será o primeiro país da América Latina a implantá-lo.  De acordo com o Brasil 61, o agricultor familiar receberá informações de extensão rural por meio de mensagens de celular, duas vezes por semana. De maneira simples, os agricultores vão receber informações meteorológicas, datas de plantio, preocupação com pragas, manejo das culturas, informações sanitárias e rendimento das colheitas. As mensagens chegam até mesmo aos cultivadores que vivem em locais sem internet, pois, segundo o Mapa, o sinal de telefonia é suficiente para recebê-las. O PAD já alcançou 3,6 milhões de agricultores em oito países da África e da Ásia, entre eles Bangladesh, Etiópia, Índia, Quênia, Paquistão, Ruanda, Uganda e Zâmbia. Nos dois continentes houve aumento dos ganhos de produtividade em 4%, crescimento do uso de insumos em 22% e incremento da renda das famílias em situação de vulnerabilidade. “Nesse momento da pandemia, com tudo que ela trouxe de ruim, algumas coisas boas ela trouxe também, que seria essa mudança de cultura e talvez a conscientização da importância de termos meios alternativos e usarmos a tecnologia da informação para ajudar os pequenos produtores, que muitas vezes não têm assistência técnica que deveriam. Cabe destacar que esse programa não substitui os meios tradicionais de assistência técnica de extensão rural”, destaca o diretor do departamento de desenvolvimento comunitário da Secretaria de Agricultura Familiar, Pedro Arraes. 

 

 

“O impacto da agricultura digital pode ser enorme. Estamos tentando fazer um programa estruturante, envolvendo as EMATERES, alguns pilotos, esse é um dos pilotos que vamos fazer. Nós acreditamos que, quando tivermos interação, vamos ter condições de organizar as informações a nível local e regional, e essas informações poderão chegar com mais facilidade aos agricultores”, completa.  O projeto piloto no Nordeste deve atender 100 mil pequenos produtores rurais, entre eles criadores de caprinos e ovinos, forte atividade econômica na região, e produtores de milho e de variedades locais de feijão. A ideia é alcançar um milhão de agricultores familiares na região. O PAD também representa diminuição de custos. O envio de uma mensagem semanal com uma recomendação técnica custa US$ 1,5 por família ao ano, valor 200 a 300 vezes menor em comparação aos métodos tradicionais de assistência técnica. A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, chama atenção para importância da agricultura na retomada econômica do Brasil no período pós-pandemia. Segundo a ministra, a nova forma de assistência vai ampliar a base de atendimento aos agricultores familiares. “Para o governo brasileiro, a agricultura ocupa espaço estratégico para a recuperação da nossa economia. A agricultura familiar não poderia estar fora desse contexto. O cenário atual nos leva, cada vez mais, a buscar tecnologias inovadoras e avançadas. Hoje o conhecimento é um dos principais insumos para o crescimento da agricultura e para o aumento da renda do agricultor”, pontua a ministra.  “É uma parceria que nos traz metodologias compostas por processos ágeis e mais rentáveis e com uma tecnologia já testada e avaliada. Atuaremos em várias cadeias produtivas. Este modelo permite que pequenos agricultores tenham acesso a informações precisas, por meio de seus telefones celulares”, complementa Tereza Cristina. 

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Banco do Nordeste disponibiliza R$ 3,5 bilhões para agricultura familiar

  • Redação
  • 14 Jul 2020
  • 12:49h

Para a Bahia, o orçamento previsto é de R$ 765 milhões | Foto: Banco do Nordeste

O Banco do Nordeste liberou o montante de R$ 3,5 bilhões para aplicar no segmento de agricultura familiar, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Incluído no Plano Safra 2020-2021, o valor deve ser aplicado em 570 mil contratações. Os recursos representam crescimento de 7,6% em relação ao volume aplicado na agricultura familiar no período 2019-2020 (R$ 3,2 bilhões) e de 5,16% na quantidade de operações (541,9 mil contratações) que beneficiaram agricultores familiares dos nove estados da Região e do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os financiamentos no âmbito do Pronaf, destinados a investimento e custeio, têm taxas de juros que variam de 2,75% a 4% ao ano. Os produtores, a exemplo de assentados da reforma agrária e de beneficiários do Crédito Fundiário e Menor Renda, enquadrados no Grupo B do programa, terão taxa de 0,5% ao ano e bônus de adimplência de até 40%. Para a Bahia, onde o Banco do Nordeste investiu no segmento, no período 2019-2020, R$ 702,1 milhões, correspondentes a 121,5 mil operações, o orçamento previsto para 2020-2021 é da ordem de R$ 765 milhões, equivalentes a um total estimado de aproximadamente 128 mil operações.

Novidades – Os agricultores familiares serão beneficiados, no Plano Safra 2020-2021, com a elevação de R$ 15 mil para R$ 20 mil no limite por operação, no caso de clientes atendidos no âmbito do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). Já o limite de endividamento passou de R$ 30 mil para R$ 40 mil. Por meio do Pronaf, os agricultores familiares também poderão financiar atividades de assistência técnica e extensão rural (Ater), de forma isolada, e os filhos ou filhas de agricultores familiares que possuam Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) terão acesso ao crédito para financiamento e reforma de casas rurais no limite de até R$ 50 mil. O limite de Cobertura do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) relativamente aos custeios foi ampliado de R$ 3,5 mil para R$ 5 mil, e os investimentos de R$ 1,5 mil para R$ 2 mil, por mutuário, garantindo às famílias que acessam o Pronaf desconto no pagamento do financiamento. A medida configura bônus, para quando os preços no mercado estiverem abaixo do preço garantido pelo programa e definido com base no custo de produção. Nos investimentos coletivos para atividades específicas de suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura e fruticultura, o limite de financiamento por beneficiário por ano agrícola passou de R$ 165 mil para R$ 339 mil.

Nem tudo vai mal na pandemia. No agronegócio, os ventos sopram a favor

  • Levi Vasconcelos
  • 13 Jul 2020
  • 11:38h

'O preço está bom e não temos frutas para entregar. A procura é grande demais' | Foto: Reprodução

Se há um segmento da economia que não tem do que se queixar com a pandemia é o agronegócio. Pelo contrário, alguns segmentos como o de frutas está ganhando, porque a procura no mercado internacional subiu, como diz o deputado Tum (PSC), produtor de manga e uva em Casa Nova: — O preço está bom e não temos frutas para entregar. A procura é grande demais. O cenário também é sorridente para os mais de 1.300 produtores de soja. O Brasil retomou a liderança da produção mundial, com 247,4 milhões de toneladas. A Bahia, que tem seu grande núcleo produtor no oeste, entra com 6 milhões de toneladas, a segunda melhor safra da história (a maior foi em 2017).

Cafezinho

Incrível, mas os perturbadores do agronegócio seriam justamente do time de Bolsonaro, que grande parte dos produtores adota, com provocações a árabes e chineses, fortes clientes. Mas, dizem lá, isso não fedeu nem cheirou, até porque a safra de hoje já foi vendida ano passado. João Lopes Araújo, presidente da Associação Bahiana de Produtores de Café, diz que o segmento também vai bem no país, com uma produção de 70 milhões de sacas. A Bahia com 4,5 milhões, 20 mil produtores espalhados por 100 municípios. — De preço e mercado vamos bem. Claro que a pandemia afeta as fazendas. Temos que tomar os devidos cuidados, mas o distanciamento é quase normal, faz parte. Se assim o é, agora só faltou um cafezinho.

Conab enviará R$ 15,2 milhões para cooperativas e associações da Bahia

  • Mário Bittencourt
  • 27 Mai 2020
  • 11:45h

(Foto: Reprodução)

 A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) enviará para cooperativas e associações da Bahia R$ 15.225.000, referentes ao montante nacional de R$ 1 bilhão que o Governo Federal destinou para o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). Uma outra parte do recursos, não informada, ainda será enviada para o estado, mas será gerido por prefeituras e o Governo da Bahia. Estado que, segundo a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), a verba servirá para retomar projetos que estavam parados por falta de repasses do PAA.“A Conab já começou a entrar em contato com as cooperativas, buscando o que já tem na certeira, vários projetos que ainda não foram executados. Então, acho que vão dar prioridades a esses projetos”, afirmou Leninha Alves, diretora da Unicafes nesta terça-feira (26), durante a Agrolive News, no Blog do Mário Bittencourt, no Instagram. O assunto da conversa foi cooperativismo e agricultura familiar. “O recurso é pouco para atender a Bahia toda, precisamos de mais recursos. Estamos na calamidade com a pandemia, precisamos desenvolver ações para que esses recursos precisam chegar de forma igualitária para todos. Quem está precisando mesmo são os pequenos”, disse Leninha. A diretora da Unicafes afirmou ainda que as cooperativas de agricultura familiar da Bahia necessitam de assistência técnica continuada, não só na produção agrícola, mas na gestão administrativa e na comercialização dos produtos. “Fica difícil a gente dar uma assistência continuada a todos, tem de ser da porteira pra fora e para dentro”, disse Leninha, segundo a qual a burocracia administrativa também prejudica as cooperativas.

Em 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa segundo a qual a Bahia possui cerca de 593 mil agricultores familiares. Eles representam quase 78% dos 762 mil estabelecimentos agropecuários do estado.

Boa parte desses agricultores estão organizados em associações e cooperativas, muitas das quais têm conseguido se desenvolver economicamente por meio do aproveitamento dos produtos nativos de cada região.

É o caso da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), que possui 271 cooperados, cerca de 70% mulheres. A cooperativa utiliza o umbu para fazer produtos diversos: doces, geleias, polpas e até cerveja, que tem ganhado mercado em outros estados e aberto caminho para os doces.

“A cerveja gravetero é o produto com maior valor agregado, e o doce de corte e o umbu bom. Nossa lógica não é ganhar mercado de cerveja, não agrega muito para os cooperados, porque trás produtos de fora para fazer a cerveja, mas tem aberto mercado. Algumas lojas que não vendiam, passaram a vender a cerveja e está abrindo mercados para os doces”, disse Denise Cardoso, presidente Coopercuc, durante a Agrolive News desta terça-feira.

O umbu da cooperativa é produzido de forma orgâncica e está sendo exportado em forma de doce para a Europa. A certificação de produto orgânico já tem dez anos, e facilitou o processo para obteção de uma certificação de Indicação Geográfica (IG), já em fase final.

“Quando a gente atende aos processos de certificação orgânica fica mais fácil para a IG, na lógica da colheita e do cuidado com as plantas. Uma coisa importante para nós é a certificação orgânica, os cooperados conseguem entender que é preciso cuidar da caatinga, o umbuzeiro precisa da caatinga”, declarou. | 

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Secretaria da Agricultura adota medidas para ajudar produtores rurais na BA durante a pandemia do Covid-19

  • Informações do G1/BA
  • 17 Mai 2020
  • 14:23h

Secretaria da Agricultura adota medidas para ajudar produtores rurais na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia

Há mais de dois meses a população enfrenta a pandemia do coronavírus, que afetou todos os setores, inclusive a produção rural na Bahia. O secretário de agricultura, Lucas Costa, contou sobre o escoamento da produção até os créditos financeiros para produtores rurais. "No início a gente teve alguns problemas com travamento de estradas e deslocamentos de trabalhadores. Entramos em contato com os prefeitos, com os outros órgãos de responsabilidade, a Seinfra do estado, a gente conseguiu sanar esse tipo de problema", disse Lucas. O secretário explicou que houve preocupações em alguns setores, por causa da demanda de deslocamento e também a economia do mercado.

"A cultura do melão, que está em plena safra, precisa de um deslocamento de funcionários muito grande. No início houve um certo pânico, travando as estradas, mas a gente conseguiu sanar. O outro setor que a gente se preocupou muito foi o setor dos laticínios, já que esse é extremamente sensível mercadologicamente falando, porque são produtos perecíveis. Então a gente limpou com o Sindileite, com os próprios produtores ligado a essa cadeia. Já que a maior parte do comércio, que seria com restaurantes e pizzarias, que os grandes laticínios absorvem a parte dessa demanda de produção, não prejudicando os produtores no início da cadeia, que aqui eles tem um mercado maior com relação aos outros mercados, que foram menos abalados com a Covid-19", explicou.

De acordo com o secretário, os caminhoneiros tiveram assistência em relação a postos, restaurantes e também a mecânica, já que os caminhões precisam de manutenção.

"A gente tem que produzir no campo e essa produção tem que chegar à cidade. Essa produção se conectou muito forte com a Seinfra, buscando sempre uma assessoria com relação a postos, a restaurante, inclusive a mecânica, porque os caminhões precisam de manutenção. Hoje, a gente não tem mais relatos com relação a problemas em logística. Também com as importações, a questão marítima está atuando, não temos problemas em relação a isso. Tivemos uma preocupação também com as frutas, mas vale lembrar que a maior produção nossa vem no segundo semestre e a gente não sabe como vai estar até lá", relatou Lucas.

O secretário disse ainda, que no início da pandemia, houve um aumento muito grande na procura de acerola e laranja. Segundo ele, a população entendeu que precisava de produtos com vitamina c, que ajudam na prevenção de gripe.

"A gente quer ver se existe alguma distorção, por exemplo, se o tomate caia no Ceasa e aumente no supermercado. No início, a gente teve um aumento muito grande na laranja e na acerola. Porque? Vitamina c e gripe. A população entendeu que seria importante ter um estoque, depois se acomodou. A gente vê interferem cia no algodão, na queda de preços na bolsa de Nova York, mas como a produção nossa é vendida de forma futura, a maioria dos contratos já estavam fechados. A soja em relação ao campo, a gente vê um preço nominal alto, quando se compara a preço polarizado está menor que o ano passado, mas o preço nominal em real alto. Os produtores não estão reclamando em relação a preço, é uma questão mercadológica ativa", explicou o secretário.

Com relação aos créditos financeiros, o secretário disse que há pedidos para órgãos competentes para que prorroguem os financiamentos, até que a situação da pandemia se normalize.

"Algumas culturas, cadeias, tiveram seu fluxo de caixa abalados, então tiveram seu pagamento comprometido com relação aos financiamentos rurais. A gente sabe da importância e vem pedindo não só ao Ministério da Agricultura, como também ao da Economia e aos bancos, que prorroguem esses financiamentos, por um prazo pelo menos para que volte a normalidade para facilitar com que o produtor pague essas fontes. A gente precisa ter acesso a novos créditos", completou Lucas.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) abriu um canal de comunicação para que os produtores possam tirar dúvidas, o "Fala Produtor", através do telefone (71) 99980-5994.

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